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sábado, 5 de dezembro de 2009
Davi e Golias
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 16:03 0 comentários
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
A JORNADA DE ABRAÃO (3)
Conhecimento, prática e transformação.
A vida de Abraão, após o chamado divino, se caracterizou por
constantes deslocamentos. Sua peregrinação foi uma caminhada com
Deus, como um discípulo que acompanha o mestre. O Senhor lhe
disse: "Anda na minha presença e sê perfeito" (Gn.17.1). Quem anda
com o Senhor não fica perdido, ainda que não saiba qual seja o
próximo passo. Na hora certa, o Senhor lhe dará direção.
Andar com Deus é aprender todos os dias, e o principal conhecimento
que podemos adquirir é aquele que se refere ao próprio caráter do
Senhor.
Quando o filho nasce, ainda não sabe quem é o seu pai. Mesmo que
possa vê-lo imediatamente, não tem idéia de quem é aquela pessoa.
Com o contato diário, com o relacionamento bem próximo, seu
conhecimento vai aumentando lentamente. Ele vai descobrir que aquele
é o "papai". Depois de algum tempo, saberá o seu nome, mas ainda
demorará muito para saber o sobrenome. Serão necessários muitos anos
para que o pequeno compreenda o que significa a paternidade em seus
diversos aspectos. Demorará muito também para que ele conheça o
caráter do pai e suas diversas capacidades e funções.
A primeira idéia que o filho tem sobre o pai e a mãe é que ambos
existem para suprir as necessidades da criança. É uma visão adequada
para o momento, mas que não representa bem a realidade. Depois, o
filho descobrirá que os pais têm muitos outros papéis. A criança
cresce e o seu conhecimento também. Assim acontece no nosso
relacionamento com Deus, conforme percebemos no exemplo de Abraão.
Quando Deus se manifestou, Abraão lhe disse: "Ó Senhor Deus, que me
darás, visto que continuo sem filhos, e o herdeiro de minha casa é o
damasceno Eliézer?" (Gn.15.2). Observemos o nível espiritual do
patriarca naquele momento. Sua fé era exemplar, mas ele estava muito
focalizado naquilo que o Senhor poderia lhe dar. Isto é plenamente
compreensível, porque todos passam por essa fase, quando buscam a
Deus apenas para que as necessidades sejam supridas. Conhecemos o
Senhor o suficiente para sabermos que ele pode nos dar muitas coisas,
mas isso não é tudo. Precisamos conhecê-lo melhor. No contexto atual,
aqueles que vêem o evangelho apenas como meio para obtenção de coisas
ainda não conhecem bem o Senhor nem têm uma compreensão razoável das
Sagradas Escrituras.
OS NOMES DE DEUS
Em sua jornada, Abraão foi conhecendo o Senhor, sua vontade e seu
caráter. Isso fica bem claro através dos nomes e títulos que são
usados em referência a Deus no texto de Gênesis.
- Em Gn.12.1-8, no hebraico, Deus é chamado de Javé (YHWH), que
significa "aquele que existe por si mesmo".
- Em Gn.14.18-22, o nome usado para o Senhor é El-Elyon, que
significa "Deus Altíssimo", indicando sua posição superior a tudo e a
todos. Nota-se, no texto, que Abraão passou a se referir a Deus
através desse "novo" nome. De fato, o que havia de novo era o
conhecimento que Abraão estava adquirindo.
- Em Gn.15.2 e 8, Abraão se refere a Deus como Adonai-Javé. Adonai
significa "Senhor" ou "meu Senhor", conforme o contexto.
- Em Gn.17.1, o nome divino é El-Shadday, que quer dizer "Deus Todo-
Poderoso", aquele que tem todo poder.
- Em Gn.21.33, o Senhor é chamado El-Olan, que significa Deus Eterno.
- Em Gn.22.14, Abraão se refere a Deus como Javé-Jiré, o Deus da
provisão.
Percebemos, portanto, que Abraão estava crescendo no conhecimento de
Deus. Nós também precisamos crescer. Isso acontece quando andamos com
ele, aprendemos a sua palavra, cremos e obedecemos.
Crer que Deus existe é importante, mas insuficiente (Tg.2.19).
Precisamos conhecê-lo sob os aspectos do amor, da justiça, do poder,
da provisão e do senhorio, fazendo com ele um compromisso coerente
com esse conhecimento.
Abraão não poderia descobrir tudo isso a respeito de Deus, mas o
Senhor quis se revelar a ele e a toda a humanidade.
Acima da experiência de Abraão está o nível de conhecimento de Deus
que Jesus veio nos trazer. Foi ele quem nos ensinou a chamar o Senhor
de "Pai" (Mt.6.9).
MUDANÇA DE NOME
Quando andamos com Deus, além de conhecê-lo, vamos conhecendo a nós
mesmos também. Sob da luz da sua face, vemos a nossa própria
condição. Assim podemos alcançar arrependimento e mudança.
Em sua caminhada, Abraão ia conhecendo a si mesmo e sendo
transformado. Seu nome original era Abrão, que significa "pai
exaltado". Naquele momento, ele não era nem "pai" nem "exaltado".
Seu nome poderia ser até motivo de vergonha. Deus então passa a lhe
chamar "Abraão", que significa "pai de uma multidão". Ao invés de
melhorar, parecia que sua situação ficava pior. Se ele não tinha
nenhum filho, como seria pai de uma multidão? A realidade imediata
não confirma aquilo que Deus falou, pois ele chama as coisas que não
são como se já fossem (Rm.4.17). Por isso precisamos da fé.
Deus mudou também o nome de Sara, que se chamava Sarai, visto que o
Senhor tinha um propósito para a esposa também, e não apenas para o
marido. Deus quer usar indivíduos, mas, se puder usar a família,
será ainda melhor.
Mudança de nome representa mudança de caráter e vida. O velho Abrão
não existe mais. A velha Sarai não existe mais. Todo aquele que anda
com Deus é uma nova criatura. É algo semelhante ao que acontece
quando a mulher assume o sobrenome do marido. A solteira não existe
mais. O novo compromisso inicia uma nova realidade, nova vida e novo
comportamento.
DESAFIOS CRESCENTES
O que dissemos até agora sobre a história de Abraão pode fazê-la
parecer simples e fácil, mas não foi assim. Cada etapa daquela
trajetória foi marcada por desafios. O compromisso com o Senhor
precisava ser feito, demonstrado na prática e colocado à prova.
Caminhar com Deus é como realizar uma corrida de obstáculos. Não é
um passeio turístico.
- O começo já foi difícil: deixar a terra de Ur dos Caldeus, os
parentes e a casa dos pais.
- Depois, Deus propôs uma aliança com Abraão. Para tanto, ele
precisava sacrificar alguns animais (Gn.15). Isso não é algo fácil de
se fazer, mas coisas ainda mais difíceis estavam por vir.
- Depois de feita a aliança, o Senhor estabeleceu um sinal físico
para Abraão: a circuncisão (Gn.17). Além de matar alguns animais,
agora Abraão precisava cortar na sua própria carne. Os animais mortos
poderiam até ser esquecidos, mas a marca no próprio corpo sempre
seria lembrada, bem como o compromisso com Deus que ela representava.
- Além disso, o patriarca deveria circuncidar o filho Ismael e os
servos de sua casa. Aquela tarefa seria também muito árdua.
Imaginamos que servir a Deus seja algo fácil e sempre agradável?
Algumas vezes somos orientados a fazer cortes íntimos em nossas
vidas, não no corpo, mas na alma. Isso pode doer muito. A ordem de
hoje pode ser mais difícil do que a de ontem, mas tudo isso faz parte
do processo de crescimento e desenvolvimento de habilidades.
- Quando Isaque nasceu, Abraão o circuncidou e deve ter pensado que
tudo estava resolvido diante de Deus. Contudo, seu maior desafio
estava por vir. Um dia, Deus pediu a vida daquele filho que, por
décadas, foi esperado. Uma coisa precisava ficar bem clara: Deus era
a pessoa mais importante na vida de Abraão. O filho também seria
secundário. O patriarca resolveu obedecer. Observa-se que, até então,
Abraão imaginava que Deus aceitaria sacrifícios humanos.
A fé e o compromisso de Abraão precisavam ser demonstrados na
prática. Por isso, ele precisou executar uma série de ações sob a
direção de Deus. A nossa fé também não pode ser algo abstrato,
invisível e imperceptível, mas deve ser mostrada através das obras
(Tg.2.18). Isto não significa que vamos imitar Abraão, reproduzindo
suas experiências. De modo nenhum. O que precisamos é praticar o que
Deus nos propõe hoje. Nossas obras não conquistam a salvação.
Entretanto, todo aquele que é salvo precisa realizar o que Deus
manda, pois somos seus servos e o servo existe para obedecer e
servir.
Cada vez que Abraão aceitava um novo desafio, alcançava um nível mais
alto em sua espiritualidade e no conhecimento de Deus:
- Tendo saído da sua terra, conheceu a terra prometida (Gn.12).
- Tendo feito o sacrifício que lhe foi ordenado, viu o sinal de Deus
através do fogo (Gn.15).
- Depois da circuncisão (Gn.17), viu o próprio Deus em forma humana
(Gn.18).
- Quando se dispôs a entregar Isaque, viu o cordeiro que simbolizava
Cristo (Gn.22).
O SACRIFÍCIO MAIOR
No monte Moriá, Abraão conheceu algo precioso da parte de Deus. Ele
presenciou uma representação do que seria a salvação em Cristo
através da cruz do Calvário. Naquele momento, quando Deus
providenciou o animal para morrer no lugar de Isaque, Abraão aprendeu
sobre a misericórdia e o amor divino. A lição era que, apesar da
justiça celestial exigir a morte do ser humano, Deus permitiu que
este fosse substituído por um animal inocente.
Apesar de Deus pedir que o homem entregue tudo, a maior dádiva vem do
próprio Deus que providenciou o cordeiro que seria imolado (João
1.29). Apesar de todo esforço que o homem possa fazer para servir e
obedecer, o maior sacrifício seria feito pelo próprio Deus.
Por isso, Jesus disse aos judeus: "Abraão, vosso pai, exultou por ver
o meu dia; viu-o e alegrou-se" (João 8.56).
O FIM DA JORNADA
A bíblia cita o nascimento de Abraão (Gn.11.27), seu chamado, aos 75
anos (Gn.12.1), e sua morte, aos 175 anos (Gn.25.7-8). No fim de sua
história, o patriarca era um homem sábio, experiente e realizado.
Entretanto, isso não era fruto da idade. Nada disso vem apenas com o
passar do tempo. São resultados da fé e da obediência. O tempo só nos
torna velhos. O que precisamos é usá-lo bem, de modo que, mais
tarde, quando olharmos para trás, possamos fazer um balanço positivo
da nossa vida. Que possamos contemplar, não apenas conquistas
materiais, mas, sobretudo, realizações de valor espiritual que sirvam
para a glória de Deus e o estabelecimento do seu reino.
Hoje, o Senhor nos chama para caminharmos com ele. Não podemos parar
"E Abraão expirou, morrendo em boa velhice, velho e cheio de dias; e
foi congregado ao seu povo" (Gn.25.8).
Anísio Renato de Andrade
Bacharel em Teologia
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 08:45 0 comentários
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Lição 10/DAVI E O PREÇO DA NEGLIGÊNCIA NA FAMÍLIA/ Subsídios
Texto Áureo: I Tm. 3.4 - Leitura Bíblica em Classe: II Sm. 13.2,5,10-12,14,15
Objetivo: Mostrar que não adianta termos êxito em tudo se a nossa família é uma prova do nosso fracasso.
INTRODUÇÃO
Numa sociedade marcada pela competitividade, o sucesso pessoal, na maioria das vezes, é colocado como meta a ser alcançada a qualquer preço. Mas essa não é uma prerrogativa dos dias atuais. Davi, no tempo em que viveu, usufruiu de bom êxito em seus projetos, por outro lado, sua família entrou em decadência. A derrocada da sua família será o tema da lição de hoje. Destacaremos, a princípio, a situação familiar de Davi, em seguida, trataremos a respeito dos problemas familiares que enfrentou, e ao final, apontaremos algumas perspectivas cristãs para a família.
1. A FAMÍLIA DE DAVI
Davi conseguiu ter bom êxito em praticamente tudo o que fez, exceto na edificação da sua família. No capítulo 13 de I Samuel, lemos a respeito do caso de estupro de Tamar, que fora violentada por Amnom. Essa, na verdade, era meia-irmã de Amnom, e irmã total de Absalão. Aquele, a fim de coabitar com sua meia-irmã, finge estar doente, e pede que seja por ela alimentado. Após violentar sua meia-irmã, Amnon, a rejeita e o “amor” que por ela sentia se transformou em ódio (v. 15). O fato de ter sido abusada sexualmente por Amnon encheu o coração de Tamar de tristeza. Absalão, ao perceber o que havia acontecido, resolveu ordenar o assassinato do seu meio-irmão Amnom (v. 24-29). Como Davi havia perdido o controle sobre os seus filhos, haja vista esses terem deixado a capital, não houve outra saída senão prantear prostrado pelo ocorrido. No capítulo 15, Absalão se revolta contra Davi, seu pai. O contexto da Escritura nos revela algum ressentimento desse filho do rei, certamente por causa da falta de atitude em relação ao estupro da sua irmã. As pessoas ressentidas tendem a fazer oposição àquelas que julgam as ter ofendido. Absalão planejou, ao longo de quatro anos (I Sm. 15.7,8), um esquema para usurpar o trono de seu pai, assumindo o controle total da situação (v. 10,11). Errante, por causa da perseguição do filho, Davi perdeu o comando do rei e da própria vida. Mas suas angústias paternas ainda não tinham chegado ao fim. Absalão, após ficar dependurado numa árvore, fique à mercê dos soldados de Davi, foi morto. Ao receber mais essa notícia Davi entra nos seus aposentos para chorar a morte do filho (I Sm. 18.31-33). O lamento reservado do rei revelou sua consciência da falta de direcionamento familiar. O casamento com várias mulheres, os filhos que não se toleravam, resultaram em tragédia para a família de Davi.
2. OS PROBLEMAS FAMILIARES DE DAVI
O Senhor havia dito a Davi, por intermédio do profeta Nata, que por causa do seu pecado, a espada jamais se apartaria da sua casa (II Sm. 12.10-11). Essa profecia se cumpriu cabalmente na família do rei de Israel, demonstração contundente da lei da semeadura (Gl. 6.7-8). É digno de destaque que Deus perdoa os pecados, mas essa não prática não deva ser estimulada. Há inclusive quem peque antecipando a promessa do perdão de I João 1.9. Mas o fato de Deus perdoar os pecados não implica necessariamente que ele reverterá as conseqüências. Os problemas familiares começaram a se acumular na vida de Davi: seu filho Absalão coabitou com as esposas de seu pai (II Sm. 12.11; 16.21-22), ele perde o filho decorrente do relacionamento com Bate-Seba (II Sm. 12.15,18), Amnom estrupra sua irmã Tamar (II Sm. 13.1,2), presenciou o ódio intenso entre os seus filhos (II Sm.13.21,27), é obrigado a conviver com a ameaça do próprio filho (II Sm. 14.28), e dele começa a fugir, abdicando do trono (II Sm. 15.14). A atitude dos filhos de Davi refletem os valores que ele mesmo defendia. Ele se deixou levar pelas paixões carnais, por isso, como seu pai Davi, Amnom entregou-se ao desejo sexual (II Sm. 13.1). Amnom não conseguia olhar para a Tamar com respeito, antes, como fez Davi com Bate-Sabe, a transformou em objeto da sua concupiscência. A cultura daquele tempo, bem como a dos dias atuais, é pautada no sexo fácil, na satisfação imediata, em atitudes irresponsáveis. Os sentimentos do outro não são levados em conta. As pessoas não mais falam em amor, na verdade, dizem que “fazem amor”, e, para tanto, agem egoisticamente, sem medir as conseqüências. Não poucas vezes utilizam as pessoas como se fossem copos descartáveis. Davi também demonstrou ser condescendente com as atitudes erronias dos filhos. Ao invés de tomar posição, o rei não se posicionou em relação ao incesto (Lv. 20.17) de Amnom, acentuando a ira de Absalão. Alguns psicólogos modernos defendem esse tipo de omissão paterna. O resultado dessa conivência, no entanto, já começa a ser percebido na sociedade. Filhos rebeldes que não atentam para a autoridade e que se acham donos do mundo.
3. FAMÍLIA: UMA ABORDAGEM CRISTÃ
A família é a célula mãe da sociedade, assim, se tivermos famílias bem estruturadas, também teremos sociedades solidificadas. A família cristã é aquela que reconhece Deus como o mentor de toda e qualquer decisão. Ele é a cabeça, protetor, guia e instrutor da família, e esta se pauta pela Sua palavra, não pelas tendências humanas. Uma abordagem cristã em relação à família consideração as instruções de Cristo e dos apóstolos. Jesus apelou para a criação como fundamento para a organização monogâmica da família (Mt. 5.27-32; 18.19,20). Deu o devido lugar às crianças, apontando-as como exemplo de simplicidade (Mt. 19.13-15). Alguns milagres do Senhor foram realizados em contextos familiares (Mt. 8.1-15; 9.18-26; 15.21-28; Jô. 2.1-11; 4.46-54; 7.11-17; 11.1-46; 21.6-11). Vários textos dos apóstolos referendam o posicionamento de Jesus quanto ao valor da família. Paulo dedica todo o capítulo 7 da I Epístola aos Coríntios a fim de demarcar o posicionamento cristão na família. Outras passagens podem ser destacadas: II Co. 6.14; Ef. 5.22; Clk. 3.18; I tm. 5.8; I Pe. 3.1-7. Em suma, os textos do Novo Testamento sobre a família resguardam o ato sexual para o casamento, determina o homem como o cabeça da mulher, que as relações devam ser contraídas dentro do convívio cristão, e o marido deve amar a esposa como Cristo amou a igreja, mas a esposa deve ser submissa em amor a esse. Os filhos devem obedecer aos pais para que tenham muitos anos de vida sobre a terra, mas os pais, por outro lado, não deve favorecer à irritação dos filhos.
CONCLUSÃO
Davi teve tudo o que desejou na vida, mas, em certas circunstâncias, colocou seus desejos acima dos interesses da família. Como resultado, precisou conviver com uma série de desavenças familiares. Sua conivência, e talvez falta de autoridade para repreender o pecado dos filhos, levou sua família à destruição. Que Deus preserva nossas famílias, que não sejamos levados pela ganância, que a busca desenfreada pelo sucesso não nos distancie de Deus. De nada adiantar ocupar o trono de Israel e não ser capaz de governar sua própria casa.
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOLL, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 09:31 0 comentários
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A JORNADA DE ABRAÃO (2)
Anisio Renato de Andrade
Bacharel em teologia
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 08:09 0 comentários
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
A JORNADA DE ABRAÃO
A JORNADA DE ABRAÃO
Caminhando pela fé na terra da promessa.
Gênesis é o livro dos começos. O primeiro capítulo mostra o início
do universo e da humanidade. No capítulo 7 vem o dilúvio e um
recomeço com Noé. No capítulo 12, Deus começa a execução do plano de
salvação para o homem.
Seu propósito era construir uma grande nação, um povo especial dentre
o qual nasceria o Messias. Deus poderia, por um decreto seu, salvar
a humanidade. Entretanto, ele decidiu usar homens nesse processo. O
Senhor escolhe, chama, capacita e envia. Ele faz desse modo até hoje.
O CHAMADO
Assim, Deus escolheu Abraão e o chamou, dizendo:
"Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, e vai
para a terra que eu te mostrarei. De ti farei uma grande nação..."
(Gn.12.1...)
A proposta divina não acompanha a lógica humana. Abraão e Sara
estavam em idade avançada e não tinham filhos. Como poderiam gerar
uma grande nação? Além disso, Sara era estéril. As condições e as
evidências não eram favoráveis ao propósito de Deus. Aquelas não
pareciam ser as pessoas mais indicadas para tão grandiosa missão.
Deus faz assim. Muitas vezes, ele escolhe pessoas incapazes para que,
no final da história, os méritos e a glória pelos resultados sejam só
do Senhor (Rm.4.17; ICo.1.28). Ele pode nos fazer ir muito além dos
nossos limites pessoais.
DOIS ASPECTOS DA PALAVRA
A palavra de Deus a Abraão tem duas partes: ordem e promessa. Assim
acontece conosco também. Não podemos abraçar um aspecto da palavra e
desprezar o outro, visto que ambos estão interligados. Temos
caixinhas de promessas, mas não de mandamentos. Queremos bênçãos,
mas fugimos de responsabilidades e tarefas. Contudo, muitas promessas
estão condicionadas à obediência às ordens. Se Abraão não
obedecesse, não seria abençoado.
Nas relações de Deus com o homem, existem coisas que o homem deve
fazer e outras que só Deus pode realizar. Portanto, não podemos ser
negligentes e omissos, pensando que tudo depende do Senhor. Ele
poderia resolver tudo sozinho, mas nos deu a honrar de participarmos
dos seus maravilhosos propósitos.
A ordem de Deus em Gênesis 12 tem três elementos: sair da terra, da
parentela e da casa do pai. A promessa tem sete elementos:
- De ti farei de ti uma grande nação;
- Abençoar-te-ei;
- Engrandecerei o teu nome;
- Tu serás uma bênção;
- Abençoarei os que te abençoarem;
- Amaldiçoarei os que te amaldiçoarem;
- Em ti serão benditas todas as famílias da terra.
A promessa é mais ampla do que a ordem. O que Deus nos dá é
infinitamente maior do que aquilo que ele nos pede.
FÉ E OBEDIÊNCIA
Abraão ouviu a palavra de Deus, creu e obedeceu. Em muitas situações,
a palavra precisa da fé humana para produzir frutos (Heb.4.2). A fé
de Abraão tornou-se padrão para todos os crentes que vieram depois
dele (Gal.3.6-9). Entretanto, sem obediência, sua fé seria morta
(Tg.2.20-22). Precisamos crer e agir.
Abraão tomou uma decisão e começou sua viagem em direção à terra
prometida. O cumprimento da promessa está lá e não aqui. Isaque não
nasceria na Mesopotâmia. Na vida cristã e também nas questões
seculares, não podemos viver inertes, estagnados, esperando que tudo
venha até nós. Por exemplo, quem precisa de um emprego, não pode
ficar em casa dormindo o dia inteiro. Quem quer evangelizar, não
deve ficar esperando que as pessoas venham suplicar pelo evangelho. É
preciso caminhar, tomar iniciativa, sair do lugar.
Podemos comparar a jornada de Abraão a uma caminhada com Deus. A vida
cristã é assim: saímos do império das trevas e caminhamos em direção
à Jerusalém celestial.
Pelo texto de Gênesis, a saída de Abraão pode parecer algo muito
simples. Entretanto, ele estava deixando uma cidade muito
desenvolvida para os padrões da época. Ur dos caldeus estava
localizada no território da Suméria (Iraque). Os sumérios
desenvolveram técnicas de irrigação, inventaram o arado, tornaram-se
grandes produtores agrícolas, grandes comerciantes, produzindo
riqueza e desenvolvimento admirável. As evidências arqueológicas
indicam que ali surgiu o primeiro alfabeto e a escrita.
Abraão morava numa boa cidade e ali estava bem estabelecido. Sair de
Ur dos caldeus representaria renúncia ao seu conforto, aos negócios,
aos amigos e a muitos familiares, a quem nunca mais tornaria a ver.
Atender ao chamado de Deus sempre envolve renúncia, perdas e
entregas. Os ganhos serão muito maiores, porém não são imediatamente
visíveis. Aquele que se converte pode se ver diante da necessidade
de renunciar a algumas coisas, situações e compromissos incompatíveis
com a sua nova vida. Aquele que é vocacionado para o ministério
também pode precisar abrir mão de algo. Afinal, não podemos ter tudo
e fazer todas as coisas ao mesmo tempo. Caminhar é, ao mesmo tempo,
afastamento e aproximação. Toda escolha envolve uma renúncia.
Abraão saiu sem saber para onde ia (Heb.11.8). Uma viagem rumo ao
desconhecido é um desafio. Queremos saber tudo? Queremos ter o
controle da situação? Desejamos a compreensão exata de todos os
detalhes da palavra de Deus antes de obedecê-la? Eis porque muitos
racionalistas se tornam desobedientes convictos. Não precisamos
conhecer tudo, mas conhecer o Senhor o suficiente para obedecermos
sem questionamentos. O filho conhece o pai e está seguro do seu
vínculo com ele. O filho pode não compreender tudo, mas deve confiar
e obedecer.
Na vida de Abraão, encontramos erros e acertos. Afinal, ele não era
um super-homem. Era uma pessoa normal que cria em Deus. A bíblia não
esconde os equívocos de seus heróis. Nem os líderes são perfeitos,
mas cada um deve cuidar para não ser "imperfeito demais", sob pena de
se tornar desqualificado. Erros acontecem, mas precisamos fazer de
tudo para evitá-los, pois alguns são irreparáveis e as consequências
podem ser devastadoras. Vejamos alguns deslizes de Abraão:
A COMITIVA
Deus mandou que ele saísse da sua terra, do meio de sua parentela e
da casa do seu pai. Abraão saiu levando o pai e o sobrinho Ló.
Muitos querem andar com Deus, mas levam uma bagagem indevida. Levam
práticas da velha vida. A primeira consequência é o atraso na
caminhada. Abraão saiu de Ur dos Caldeus com destino a Canaã, mas
parou numa cidade chamada Harã, e ali ficou morando até que o pai
morresse. Só depois pôde continuar sua trajetória (At.7.4).
O fato de ter levado o sobrinho teve efeitos trágicos. Primeiro, foi
a contenda entre os pastores de Abraão e Ló, de modo que tiveram que
separar-se (Gn.13.7). Quando o sobrinho se vai, Deus fala novamente
com Abraão (Gn.13.14). Depois, Ló foi viver em Sodoma, colocando a
família para morar no meio da podridão pecaminosa (Gn.13.12). Em
seguida, ocorreu uma guerra na região, Ló se tornou prisioneiro, e
Abraão precisou intervir para livrá-lo (Gn.14). Depois, Deus destrói
Sodoma e Gomorra, Ló precisa sair às pressas, deixando toda a sua
riqueza (Gn.19). Talvez por isso, sua mulher tenha olhado para trás,
tornando-se uma estátua de sal (Gn.19.26). Por último, as filhas de
Ló têm relacionamento sexual com ele e geram dois filhos, dos quais
surgiriam duas nações malditas: Amom e Moabe, inimigos de Israel
(Gn.19.36-38).
VISITANDO O EGITO
Outro erro de Abraão foi descer ao Egito sem a orientação de Deus
(Gn.12.10). Ele já estava morando em Canaã, mas, por causa da fome,
foi à nação vizinha. Embora fosse a potência mundial na ocasião,
aquela não era a terra prometida. Abraão saiu do caminho determinado
por Deus, como fazem aqueles que se desviam, indo buscar no mundo o
suprimento de alguma necessidade ou desejo. Desse modo, caem em
armadilhas e no laço do passarinheiro.
As consequências foram terríveis. Abraão ocultou o fato de Sara ser
sua esposa, e Faraó mandou buscá-la para o seu harém. Vemos como é
importante que o casamento seja de conhecimento público. (Nada de
esquecer a aliança em casa!).
O texto não diz que Faraó tenha chegado a possuí-la, mas é possível
que isto tenha acontecido, pois não seria sem razão que o rei daria a
Abraão bois, ovelhas, jumentos, camelos, servos e servas (Gn.12.16).
O patriarca aumentou muito o seu patrimônio, mas nada disso seria
suficiente para compensar tamanha desonra.
Deus enviou pragas sobre a casa de Faraó, de tal modo que ele
desconfiou que alguma coisa estava muito errada. O rei tinha uma
sensibilidade que hoje falta a muitas pessoas. Ele logo reconheceu o
erro e mandou Sara embora, juntamente com Abraão. Atualmente, muitos
artifícios e desculpas têm sido utilizados para perpetuar
relacionamentos ilícitos. O pecado atrai a ira de Deus.
Passadas essas coisas, Abraão voltou a Canaã, de onde nunca deveria
ter saído.
O NASCIMENTO DE ISMAEL
Parece que um dos presentes que Faraó deu a Abraão foi a serva Agar.
Fato é que ela era egípcia. Deus havia prometido um filho a Abraão.
Sara, sendo estéril, sugeriu que ele tivesse o filho com a escrava.
E assim foi feito. O jugo desigual se estabeleceu e Ismael nasceu.
Aquele foi um dos piores erros de Abraão. Ismael é a iniciativa
humana no sentido de ajudar Deus, como se isso fosse necessário.
Quando se trata de promessa, não há o que possamos fazer. Devemos
apenas esperar. Abraão tomou a iniciativa e cometeu um grande
equívoco.
Como consequência, podemos citar a expulsão de Agar e Ismael da casa
de Abraão (Gn.21.14), a questão da herança entre Isaque e Ismael
(Gn.21.10), e a discórdia entre os seus descendentes até o dia de
hoje. Ismael era o primogênito, mas Isaque recebeu as honras e os
bens (Gn.25.5).
A ida ao Egito trouxe mais problemas do que se poderia imaginar.
Quem vai ao Egito traz lembranças de Faraó. Aquele que vai ao mundo
satisfazer seus desejos, pode trazer marcas indesejáveis e indeléveis
para toda a vida, prejudicando os filhos e toda a família.
Por quê Ismael não poderia se o início da grande nação prometida por
Deus? Porque ele era resultado da capacidade humana e não fruto do
milagre. Deus escolheu, não apenas Abraão, mas também Sara. Deus
escolheu, não apenas um homem, mas uma família. Se o Senhor puder
usar um homem, ele usará, mas se a família estiver nas mãos de Deus,
será ainda melhor. O filho da promessa nasceria de Sara, e não de
uma mulher qualquer.
TEMPO DE DEUS
Quando Abraão saiu de Harã, tinha 75 anos (Gn.12.4). Depois de 10
anos morando em Canaã, o filho prometido ainda não tinha vindo
(Gn.16.3). As providências humanas foram tomadas e nasceu Ismael.
Outros 15 anos se passaram antes que nascesse Isaque (Gn.21.5).
Entre a promessa e o cumprimento houve uma distância de 25 anos. A
passagem do tempo torna-se o teste da fé. A paciência e a esperança
são irmãs gêmeas.
Não adianta marcar prazos para Deus, 'determinando' que as coisas
aconteçam hoje, aqui e agora. Ele é o Senhor da história,
principalmente daqueles que atenderam o seu chamado e se colocaram a
seu serviço. Enquanto esperamos o suprimento divino, chegam as
propostas malignas (Gn.16.2; Mt.4.3). O prato de lentilhas está
servido, mas o preço é muito alto. É melhor esperar o que vem do
Senhor, confiando na sua fidelidade. Enquanto esperamos,
amadurecemos e somos preparados para o desempenho da missão.
Chegado o tempo de Deus, nasceu o filho da promessa. A palavra do
Senhor não falha. De Isaque veio Jacó. De Jacó vieram os patriarcas
das doze tribos de Israel. Daquela nação veio o Messias para que a
bênção de Deus pudesse alcançar todas as famílias da terra (Gn.12.3).
CORRIGINDO A ROTA
Lendo a história de Abraão, observamos que, de tempos em tempos, Deus
falava com ele (Gn.12.1,7; 13.14; 15.1,13; 17.1; 18.1; 21.12; 22.1).
Tendo saído sem saber para onde ia, Abraão dependia de novas
orientações. Precisava, portanto, manter o contato celestial. Por
isso, construía altares e invocava o nome do Senhor (Gn.12.8;
13.4,18; 21.33). Abraão dependia de Deus. Cada vez que Deus falava
com ele, o patriarca avançava um pouco mais em seu caminho,
enfrentava um novo desafio, uma nova experiência.
A palavra do Senhor vinha ao patriarca para lhe trazer conforto,
ânimo, para lembrar-lhe da promessa e, sobretudo, para lhe dar
direção. Abraão percorreu a terra santa, como que demarcando o seu
território (Gn.13.17; 21.34).
Assim também, na nossa caminhada, Deus fala conosco de várias
maneiras. Mesmo quando somos corrigidos, sua palavra demonstra que o
Senhor não desistiu de cada um de nós.
Abraão cometeu alguns erros, mas sua marca na história foi a fé e a
obediência, porque ele soube ouvir a palavra de Deus e corrigir a sua
rota.
Abraão foi ao Egito, mas voltou a Canaã. Morar no Egito é pior do
que permanecer em Ur dos Caldeus. O último estado pode ser pior que
o primeiro. Entretanto, Abraão não permaneceu nos domínios de Faraó.
Retornou à terra prometida e todo o propósito de Deus para a sua vida
foi realizado.
Nós também precisamos estar atentos ao que Deus mostra e fala. É
tempo de consertar e retornar ao caminho para que Deus cumpra em nós
a sua vontade que é boa, perfeita e agradável.
Anísio Renato de Andrade
Bacharel em Teologia
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 13:28 0 comentários
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
A VIDEIRA VERDADEIRA

Disse Jesus aos seus discípulos: "Eu sou a videira verdadeira, e meu
Pai é o agricultor" (João 15.1). O Mestre utilizava figuras
relacionadas ao cotidiano para falar de fatos espirituais. Aquela
alegoria faz parte do discurso de encerramento do ministério terreno
de Cristo.
Grande parte da sua obra pessoal na terra já estava concluída. Era
chegada a hora de passar mais responsabilidades aos discípulos.
Dentro de poucos dias, Cristo subiria ao céu. Portanto, caberia aos
seus seguidores a tarefa de frutificar, dando continuidade ao que
ele mesmo vinha fazendo. A videira frutifica através de seus ramos.
Hoje, Cristo age na terra por meio da sua igreja.
Cristo é "a" videira e não "uma" videira. Ele é a única opção para
quem quiser vida espiritual. Quem não estiver em Cristo, secará e
será lançado ao fogo (João 15.6).
A figura da videira nos traz uma série de lições:
Fica evidente a unidade entre Cristo e seus discípulos.
Se alguém nos fere, ele também sente. A relação entre Cristo e os
discípulos acompanha o modelo da relação existente entre Cristo e o
Pai (15.9,10,15).
O discípulo é dependente de Cristo.
Os ramos dependem da árvore para terem vida, sustento, crescimento,
produção de folhas, flores e frutos. Tudo isso é possível por causa
da seiva que percorre o interior da planta a partir das raízes.
Nenhum cristão pode se julgar independente de Jesus ou dos irmãos.
Um ramo depende também do outro. A comunhão é fundamental.
Desligamento e isolamento trazem a morte. Se todos os ramos forem
cortados, o tronco sobrevive e lança renovos. Entretanto, nenhum
ramo sobrevive sem a árvore. Não podemos abandonar o evangelho e
afastar da igreja. Não podemos viver sem Cristo.
Os ramos tem a natureza na árvore. Se estamos ligados a Jesus, temos
a sua natureza em nós (IIPd.1.4). Na medida em que a natureza de
Adão vai sendo superada, passamos a nos parecer cada vez mais com
Jesus.
Permanência
No texto de João 15, Jesus enfatiza o estar e o permanecer (15.4, 5,
6, 7, 9, 10, 11, 16). Não basta estar ligado a Cristo por algum
tempo. Nosso compromisso deve ser contínuo e irrevogável. A
perseverança é imprescindível para que possamos produzir fruto, pois
este depende de tempo, o período necessário para o crescimento e
maturidade do ramo. Nenhuma árvore produz imediatamente. Queremos
tanto de Deus. Desejamos tantos resultados da nossa fé e das nossas
orações. Entretanto, é preciso permanecer ligado a Cristo para que
tudo o que Deus tem para nós possa acontecer na ocasião oportuna
(15.7,16).
Nessa relação entre o discípulo e Cristo, a Palavra de Deus tem
papel fundamental. Observe o destaque dos termos "mandamento"
e "palavra" (15.3, 7, 10,12, 20, 25). É através dela que o ramo é
limpo. Quem despreza as Sagradas Escrituras acaba cultivando pragas
pecaminosas em sua vida. Essa mesma Palavra deve permanecer no
coração do discípulo, sendo sempre guardada (15.10), lembrada
(15.20), obedecida (15.14) e anunciada (15.20, 27), para que o fruto
seja produzido (15.3, 7). Se alguém quiser estar em Cristo sem a
palavra, não frutificará, e será cortado e lançado ao fogo. O
corte é uma possibilidade concreta que deve ser considerada com
temor (João 15.2; Rm.11.20-22).
Jesus disse que o Pai limpa os ramos produtivos para que produzam
mais. Nota-se a necessidade de limpeza na vida do cristão (15.2, 3),
tratando com seus erros, imperfeições e pecados. A limpeza se dá
por meio da poda, que consiste num processo de retirada de tudo
aquilo que está desviando a seiva, a energia, a vitalidade da
planta, sejam folhas secas, amareladas, murchas, frutos mirrados ou
podres. A poda implica em perda, renúncia, para que o fruto novo e
sadio possa surgir sem impedimento. Algumas coisas, atividades ou
compromissos, ainda que não sejam pecaminosos, podem gastar todo o
nosso tempo e energia, de modo que não consigamos nos dedicar a
Deus. Isto precisa ser podado.
Embora possua beleza, a videira não é planta ornamental. Além disso,
sua madeira não serve para construir casas ou fabricar móveis.
Portanto, sua utilidade está em produzir frutos. O cristão só será
útil para Deus e para a humanidade se produzir fruto. Não estamos
neste mundo como enfeite. Aquele que não produz ocupa inutilmente a
terra (Lc.13.7). Aquele que faz o mal, além de inútil, é
prejudicial.
Qual é o significado do fruto citado por Jesus?
O fruto do cristão não pode consistir apenas da renúncia ao pecado.
Isto é o mínimo que o evangelho pode realizar em nós. Frutificar
significa produzir algo positivo. Jesus marcou a história não
apenas pelo fato de ter evitado o pecado, mas pela demonstração do
amor do Pai pela humanidade através das suas obras.
A produção da videira é sempre plural. O ramo não produz uma uva,
mas um cacho ou mais. Da mesma forma, o cristão não pode produzir
apenas um traço do caráter de Cristo. Não seria suficiente. O fruto
da videira representa tudo o que Jesus espera de nós. O que ele
queria dos discípulos? De acordo com o texto, o Mestre esperava que
eles guardassem os mandamento, fossem obedientes, se amassem, e
permanecessem assim até o fim. Em outras palavras, Jesus queria que
seus seguidores tivessem um tipo de vida semelhante à dele, pois
este é o propósito do discipulado: que o discípulo seja semelhante
ao Mestre, começando por virtudes morais e espirituais. Em segundo
lugar, o fruto pode também incluir o resultado do trabalho
ministerial. Observe-se a presença do "ide" relacionado ao fruto em
João 15.16, bem como o testemunho dos discípulos em 15.27.
Na seqüência das palavras de Jesus, ele enfatiza o amor, que é o
primeiro aspecto do fruto do Espírito, sendo a causa de todos os
outros (Gál.5.22). Cristo deixou bem clara sua intenção e seu maior
desejo em relação aos discípulos: "O meu mandamento é este: que vos
ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo.15.12). Se não
houver amor entre os irmãos na igreja, como amaremos os que estão lá
fora? O amor não deve ser considerado apenas um sentimento, mas uma
atitude, resultado de uma decisão, com efeitos práticos. Jesus
disse que o maior amor faz com que se dê a vida pelo amado (15.13).
Ele mesmo daria a sua vida dentro de algumas horas. Os discípulos
também precisavam ter tal disposição, pois quase todos eles dariam
suas vidas pelo evangelho alguns anos mais tarde. Amar é dar a
vida, ainda que não seja preciso morrer.
O fruto pode ser compreendido como a manifestação do caráter de
Cristo em nós, vivendo como ele viveu. Essa relação de semelhança
está contida no texto através das expressões: "meus discípulos"
(15.8) e "do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu
Pai e permaneço no seu amor" (15.10) e "assim como eu vos amei"
(15.12); "se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se
guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa" (15.20).
Frutificar é agir como Jesus agiu, ainda que possamos sofrer por
isso.
Os frutos pertencem ao agricultor, que é Deus, e serão úteis para
muitas pessoas. O fruto não é para o ramo. É para os outros. O
propósito de Jesus é que produzamos algo para o benefício do próximo
e não apenas para nós mesmos. Frutificar é dar, e não receber. O
egoísmo não faz parte da natureza da videira verdadeira. O mais
importante na vida de um homem não é o que ele fez por si mesmo, mas
o que realizou pelos outros. É fácil contatar isso ao lembrarmos de
personagens importantes da história geral. Aqueles que só fizeram
por si mesmos foram totalmente esquecidos.
Deus espera uma produção abundante. Jesus fala em "fruto"
(15.2), "mais fruto" (15.2) e "muito fruto" (15.5, 8). Não podemos
ficar satisfeitos com o que já fizemos para Deus. Ele espera mais.
Prova disso é o fato de ainda estarmos neste mundo. Temos o
potencial de Cristo em nós para produzir mais. Não podemos parar.
Deus quer quantidade e qualidade: "Muito fruto" (15.8) e "fruto que
permanece" (15.16).
"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre
abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão
no Senhor" (ICo.15.58).
O agricultor é o dono da videira. Ele é o Senhor. Aqueles que
trabalham na igreja nunca devem se esquecer de quem é o
proprietário, pois a ele hão de prestar contas. O Pai cuida da sua
vinha, protege, rega, supre as necessidades, elimina as pragas,
limpa, poda. Seu investimento é grande, mas um dia ele virá procurar
o resultado.
O agricultor espera o fruto da sua vinha (Tg.5.7). Deus tem
expectativas a nosso respeito. Será que colocamos as nossas
expectativas em primeiro lugar? Talvez tenhamos uma lista do que
queremos do Senhor, mas já procuramos conhecer e cumprir a sua
vontade para nós?
O texto mostra que a comunicação e o vínculo entre os discípulos e o
Pai passam pelo Filho. Ele é o mediador (15.9, 10, 15, 16, 26).
Jesus estava ali representando o Pai. Ele mostra que do Pai vem o
amor (15.9), os mandamentos (15.10), o ensinamento (15.15), a
resposta das orações (15.16) e o dom do Espírito Santo (15.26).
Entretanto, atingindo aos discípulos e também a Cristo, chega ao Pai
o ódio do mundo em forma de perseguição (15.18-24). Portanto, o
capítulo 15 de João fala sobre as relações existentes entre o Pai, o
Filho, os discípulos e o mundo. O amor flui de cima para baixo, mas
o contrário nem sempre acontece. O pai ama o Filho (15.9), que ama
os discípulos, que devem se amar (15.12, 17) e levar este amor a
todas as pessoas do mundo. Entretanto, o mundo os odeia e persegue,
pois odiou o Filho e também ao Pai (15.23). Jesus deixou bem claro
que a vida dos discípulos não seria um paraíso na terra. A vida
cristã provoca o ódio e a perseguição (João 16.1-3). Se vivermos
como Cristo viveu, o mundo nos tratará como tratou a Cristo e como
tratariam o Pai se pudessem vê-lo.
Se os discípulos frutificassem, Jesus ficaria alegre com eles
(15.11). E se ele estivesse alegre, eles também se alegrariam porque
tudo o que acontece à videira alcança seus ramos. Os cristãos
experimentam a alegria de Cristo, apesar das circunstâncias e das
perseguições.
O maior propósito da videira, dos ramos e dos frutos é a glória de
Deus (15.8). O evangelho e a vida cristã não devem ser usados para a
glória humana. "Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto;
e assim sereis meus discípulos" (João 15.8).
Prof. Anísio Renato-Bacharel em teologia
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 06:40 0 comentários
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Lição 09/ A RESTAURAÇÃO ESPIRITUAL DE DAVI/Subsídios
A RESTAURAÇÃO ESPIRITUAL DE DAVI
Texto Áureo: II Sm. 12.13 - Leitura Bíblica em Classe: Sl. 51.1-4; 7-12; 17
Objetivo: Mostrar que o caminho da restauração passa pelo arrependimento e confissão do erro cometido e abandono da prática.
INTRODUÇÃO
Em prosseguimento ao episódio da aula passada, quando Davi é confrontado pelo profeta Natã, estudaremos, na aula de hoje, a respeito do processo de arrependimento e confissão do rei de Israel. A princípio, discutiremos a respeito da resposta imediata de Davi à Palavra de Deus. Em seguida, analisaremos o Salmo 51, no qual Davi expressa seu quebrantamento. Ao final, meditaremos a respeito do papel do arrependimento e da confissão na vida cristã.
1. DAVI RECONHECE SEU PECADO Davi finalmente se identificou com o enfrentamento profético de Natã (I Sm. 12.5,6). Viu em si mesmo a realidade do pecado, não pode mais se eximir da culpa. Ao invés de encontrar explicações descabidas a fim de preservar sua imagem, Davi se humilhou na presença de Deus. Mesmo sendo rei, Davi confessa a culpa diante do profeta, reconhecendo ser esse o porta-voz de Deus. Tal ato poderia, do ponto de vista político, ser considerado um suicídio. Mesmo assim Davi não estava colocando o trono acima do seu relacionamento com Deus. Confessou seu pecado assumindo que a Palavra de Deus deveria estar acima de sua atuação no reinado. Diante de tal atitude, o profeta complementa: o Senhor te perdoou o teu pecado; não morrerás. Nesse particular observamos uma nítida diferença entre Davi e Saul. Este, ao invés daquele, jamais assumiu seus erros. Essa teria sido uma das causas da sua rejeição pelo Senhor. Uma das expressões marcantes do reconhecimento do pecado de Davi se encontra no Salmo 32. Nesse Salmo o rei transborda de alegria ao saber do perdão de Deus no lugar da culpa, e da restauração da comunhão após a angústia da convicção do pecado. Ao invés da morte Davi desfrutou da vida que o Senhor pode dar a alma ressequida pelo pecado. O perdão do Senhor não o isenta das conseqüências do seu ato, concretizada no vaticínio da morte do seu filho com Bate-Sabe (I Sm. 12.13-15).
2. UM SALMO DE ARREPENDIMENTO
O Salmo 51 fora proferido por Davi por ocasião do reconhecimento do seu pecado. Nesse salmo Davi suplica o perdão e a misericórdia de Deus por causa das suas transgressões. O rei de Israel pede ao Senhor que o lave dos seus pecados e o purifique das suas iniqüidades (v. 2). Ele reconhece, isto é, tem a percepção da gravidade dos seus erros, por isso, roga a Deus que retire o peso do pecado, pois eles estão sempre diante dele, não saem da sua mente (v. 3). Ainda que o pecado de Davi tenha causado males às pessoas, seu pecado, na verdade, foi contra Deus. Ele assume que procedeu com maldade perante Deus, pois ninguém pode escapar da visão do Senhor. Mas nem tudo está perdido, já que Davi pode ser justificado pelo falar de Deus (v. 4). A causa do pecado de Davi está na sua própria constituição. Ele diz que nasceu em pecado e que sua mãe também em pecado o concebeu (v. 5). Davi sabe que Deus ama a verdade que vem do íntimo, sem fingimento, e isso faz com que o rei abra seu coração (Rm. 2.29). A purificação do pecado é efetuada pelo Senhor, que o torna mais alvo do que a neve (v. 7). O pecado, conforme estudamos na lição anterior, acarreta em males físicos. O salmista ora para que o Senhor restitua sua alegria e os ossos que foram esmagados (v. 8). Diante da santidade de Deus e da realidade do pecado humano, Davi suplica ao Senhor que esconda o Seu rosto dos seus pecados (v. 9). Em seguida, implora por um coração purificado e um espírito renovado, isto é, uma nova condição espiritual (v. 10). O rei sequer exige que permaneça no trono, mas que o Senhor não retire dele o Espírito (v. 11). O pecado acarreta tristeza, resulta em angústia, por isso pede que Deus restitua a alegria da salvação (v. 12). E depois que encontrar a alegria, ele ensinará aos transgressores o caminho da justiça de Deus (v. 13). Davi sabe que cometeu um crime ao matar Urias e, por essa razão, pede que seja livre dos crimes de sangue (v. 14). O pecado cala o homem, tira-lhe o regozijo de cantar louvores a Deus. Somente o Senhor pode, através do perdão, colocar um cântico novo na boca do pecador (v. 15). De nada adiantam os sacrifícios rituais, a menos que sejam cumpridos em sincero arrependimento (v. 16). O pecado não pode oferecer algo mais valioso a Deus que um coração quebrantado, sinceramente contrito (v. 17). O rei está preocupado que os seus pecados tragam mazelas ao seu povo (v. 18), então, promete que, ao ser perdoado, não apenas ele, mas todo o povo celebrará a Deus com sacrifícios de justiça (v. 19).
3. A RESTAURAÇÃO ESPIRITUAL DE DAVI
Os textos de II Sm. 12 e os salmos 32 e 51 revelam como Davi reagiu diante da revelação do seu pecado. Em II Sm. 12.13 está escrito que o rei disse: “pequei contra o Senhor”. Esse é o caminho da restauração espiritual de todo aquele que quer prosseguir nos caminhos do Senhor. Ao ser confrontado pela Palavra de Deus (Hb. 4.12,13), o cristão deve adotar uma atitude de submissão (Rm. 10.17; I Ts. 1.6). O pecado é uma dura realidade e o seu pagamento é a morte espiritual, mas a vida eterna está em Cristo Jesus (Rm. 6.23). O cristão é pecador, ainda que não viva no pecado (I Jo. 1.8; 3.8), mas se houver arrependimento e confessar os seus pecados, encontrará a misericórdia divina (Pv. 28.13). Temos um Advogado perante o Pai, Jesus Cristo, o Justo, portanto, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (I Jo. 1.8). E tem mais boas notícias: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (I Jo. 2.1,2)..
CONCLUSÃOO pecado traz conseqüências drásticas às vidas das pessoas. Mas nem tudo está perdido, pois Deus é especialista em transformar tragédias em comédias. Há muitos casos registrados na Bíblia de pecadores que foram perdoados por Deus. Nem tudo está perdido para aqueles que fraquejaram durante a caminhada. Há esperança para os que se arrependem e que buscam ao Senhor com coração sincero, orando as palavras do Salmo 51. Reconhecem, com Davi, que pecaram contra o Senhor e são carentes da Sua misericórdia. Deus não apenas trata o pecador arrependido com graça – dando-lhe o que não merece (perdão) – mas também com misericórdia – deixando de dar-lhe o que merece (condenação). Ao Deus que contempla os arrependidos e perdoa os seus pecados seja a honra e glória pelos séculos dos séculos.
Pb. José Roberto A. Barbosa
BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOLL, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 07:41 0 comentários

