Certa vez, alguém disse a Jesus: “Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas ele lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou repartidor entre vós? E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui. Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” (Lucas 12.13-21). O pecado se oculta sutilmente na vida do ser humano, levando-o à ruína. Nas situações acima, certamente teríamos uma atitude diferente daquela que Jesus teve. Defenderíamos o direito do primeiro homem à herança e não nos pareceria errado construir novos celeiros em uma propriedade rural. Diríamos até que aquele fazendeiro era um homem de visão, com iniciativa para o crescimento. Contudo, mesmo em propósitos aparentemente legítimos, pode haver motivações pecaminosas, como a cobiça, o egoísmo e o materialismo. Sempre que se aproxima o ano novo, muitas pessoas começam a planejar suas realizações ou aquisições. Em princípio, o planejamento de coisas boas é bom. Parece óbvio. Contudo, é preciso verificar alguns aspectos desses planos. Será que eles não estão concentrados apenas no próprio indivíduo, em seus próprios sonhos, desejos e necessidades? Existe uma “espécie de cobiça” que se esconde atrás de muitos planos pessoais. Aquele homem da parábola errou sob vários aspectos. Um deles foi o egoísmo. O texto mostra que ele falava consigo mesmo, sobre si mesmo, sobre suas posses e seus objetivos. Observa-se ali o excesso de expressões na primeira pessoa do singular, principalmente pronomes possessivos: “meus frutos; meus celeiros; meus cereais; meus bens; minha alma” . O “eu” estava em primeiro lugar. Deus já o havia abençoado com uma grande produção agrícola. Seu primeiro erro foi a ingratidão. Ele nem pensou em agradecer ou levar uma oferta ao Senhor. Tendo produzido muito mais do que seria necessário para suprir suas necessidades, ele poderia doar o excesso, mas planejava apenas guardar tudo para si mesmo. Não demonstrava nenhuma preocupação com as outras pessoas. Não havia um item de seu projeto que pudesse contemplar a necessidade do seu próximo. E como estão os nossos planos? Nosso orçamento pessoal destina algo para Deus na pessoa do próximo? (Mt.25.40). É preciso encontrar a diferença entre desejo legítimo e cobiça. Isto não é fácil. É natural que o produtor agrícola queira construir celeiros, mas ele já possuía vários. A cobiça é um desejo sem limites. Já temos algo, mas sempre queremos muito mais. Temos parte, mas queremos tudo. Aquele personagem inventou um problema para justificar sua empreitada egoísta: “Que farei? pois não tenho onde recolher os meus frutos”. É como alguém que diz: “Minha garagem já não comporta os meus carros” ou “minhas roupas já não cabem no guarda-roupas”. “O que farei”? Essa pergunta envolve alternativas, escolhas. Em seguida vem uma decisão que revela o caráter, os valores, as prioridades e a visão que se tem sobre a vida. Diante do seu “problema” de espaço, o rico perguntou: “o que farei”? Muitas pessoas fazem a mesma pergunta, porém por motivos muito mais sérios. É o caso da mãe que se pergunta o que fará para alimentar ou abrigar os filhos. Estes sim, são problemas reais e urgentes. Nossas falsas necessidades pessoais podem se tornar o eterno obstáculo às ações de amor fraternal. Aquele rico tinha depósito para muitos anos, mas morreria naquela mesma noite. Ele não se preocupava com seu semelhante que talvez não tivesse o alimento daquele dia. Faça o bem com urgência, porque você não sabe quanto tempo ainda lhe resta. Certamente, aquele homem se esqueceu também de que a sua alma não seria nutrida com frutos e cereais. A alma precisa de Deus e precisa do próximo. Sendo tão rico materialmente, era pobre diante de Deus. Seus planos eram apenas materiais, pois deixou de investir na vida espiritual. Sempre planejamos o comer e o beber, mas será que o jejum também está nos nossos planos, com oração e leitura bíblica? Entre os nossos projetos para o ano novo, será que o nosso irmão está sendo lembrado? Queremos adquirir tantos bens e podemos fazê-lo, mas vamos doar algo também? Queremos realizar tantos sonhos, mas será que podemos também realizar o sonho de outra pessoa? Além de ajuntar, poderíamos distribuir uma parte. Como aquele personagem no início do texto, queremos que o irmão reparta a herança conosco, mas será que nos dispomos a repartir o que temos? Em geral, os planos são concentrados no egoísmo e ainda queremos que Jesus nos ajude a realizá-los. Muitas orações recebem um “não” como resposta porque são geradas pelo egoísmo e pela cobiça (Tg.4.2-3). As conquistas materiais não são erradas, desde que não sejam as únicas em nossas vidas. Jesus deixou claro que podemos ser “ricos diante de Deus”. Ele se referia a um tipo de riqueza espiritual que se acumula na medida em que realizamos atos de valor espiritual (Fp.4.17; IICo.9.9). Não nos esqueçamos de que toda posse material será perdida, mas os tesouros espirituais são eternos (Mt.6.19,20,24). Enquanto aquele homem planejava, Deus ouvia. Repentinamente, o Senhor interferiu, trazendo seu julgamento contra ele. O Senhor avalia nossos desejos, nossos planos e nossa vida. Como resultado dessa avaliação, ele nos dará a devida recompensa. Enquanto o juízo não vem, temos oportunidade para rever nossos conceitos e mudar nossas vidas. Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
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sábado, 10 de outubro de 2009
Planos Egoístas
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 11:19 0 comentários
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Livres para louvar
Durante quatrocentos e trinta anos o povo de Israel foi escravo no Egito. Ali não se realizavam cultos ao Senhor. Quando os israelitas foram libertos, então houve uma festa no meio do povo; Moisés cantou um hino ao Senhor. Miriã e outras mulheres também cantaram, dançaram e tocaram tamborins. O povo de Deus estava livre de Faraó. Quando somos libertos pelo Senhor, o nosso coração se enche de alegria, de tal maneira que transborda em forma de louvor e adoração ao nosso Deus. O tempo passou e Israel se tornou cativo novamente; foi levado para a Babilônia. Sobre esse período, o salmista escreveu: "Junto aos rios de Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que havia no meio dela penduramos as nossas harpas, porquanto aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram que nos alegrássemos, dizendo: Cantai-nos um dos cânticos de Sião. Mas, como entoaremos o cântico do Senhor em terra estranha?" (Salmo 137.1-4). O louvor foi interrompido mais uma vez. Quem está cativo, preso nas mãos do Diabo, não louva ao Senhor. Quando pensamos isso, logo nos lembramos dos ímpios, daqueles que não crêem em Deus, mas o texto acima não está se referindo a eles, senão aos próprios servos do Senhor, que caíram nas garras do inimigo novamente. Isso nos leva a refletir sobre a vigilância que devemos ter para que não sejamos levados para prisões espirituais. Satanás está querendo nos atrair para o seu território. Ele quer nos ter novamente como escravos. Ele nos mostra os "rios da Babilônia", com suas margens bonitas, os salgueiros com seus ramos balançando ao vento. Pode ser uma paisagem muito atraente. O mundo está cheio de atrativos, mas tudo isso são iscas para apanhar os servos de Deus. De que adianta estar às margens de um rio maravilhoso, mas ter o coração cheio de angústia e um rio de lágrimas no rosto? O objetivo do inimigo é nos aprisionar, e ele não desiste. Portanto, precisamos vigiar e orar. O Senhor já te libertou uma vez. Não te deixes escravizar novamente. Aquele que se deixa levar para o cativeiro, não tem prazer de entoar cânticos ao Senhor. Então, passa a cantar músicas que expressam suas decepções, suas dores de cotovelo, suas melancolias, etc. Não é esse tipo de música que muita gente canta hoje em dia e faz sucesso nas paradas? Quem está cativo não louva nem adora ao Senhor. Não seria esse o caso daquelas pessoas que, enquanto as outras estão louvando, apenas olham? Enquanto os libertos batem palmas, os cativos colocam as mãos nos bolsos. Enquanto os adoradores levantam as mãos, os cativos se assentam indiferentes. Não serão sintomas de vidas oprimidas, cativas, mesmo dentro das igrejas? Se isto estiver acontecendo conosco, supliquemos ao Senhor que nos livre de todo embaraço, de todo pecado, para que possamos ser livres na presença de Deus, livres para louvar. Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 11:29 0 comentários
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
LIÇÃO 02/ DAVI ENFRENTA E VENCE O GIGANTE/ SUBSÍDIOS

Texto Áureo: I Sm. 17.45 - Leitura Bíblica em Classe: I Sm. 17.43-49
Objetivo: Mostrar que o desafio de Davi a Golias, o gigante filisteu, pode representar a luta espiritual que o crente trava com o mundo, a carne e o diabo.
INTRODUÇÃO
Numa cultura dominada pela guerra, o povo de Israel teve que lidar com seus inimigos. Enfrentá-los nem sempre foi tarefa fácil, principalmente quando preferiu confiar em seus próprios meios ao invés de depender de Deus. Na aula de hoje veremos que um gigante filisteu – Golias – afrontou o povo de Deus. Veremos que quando Israel estava acuado pelo inimigo, apareceu o jovem Davi para enfrentar e vencer o gigante. Ao final da lição destacaremos o papel da confiança e fé de Davi enquanto exemplo para todos os crentes no enfrentamento dos inimigos espirituais.
1. A AFRONTA DO GIGANTE
Golias era um “campeão” nas batalhas contra os inimigos dos filisteus. Por esse motivo, como era costume da época, era escolhido para representar seu povo em combates. Destacava-se pela grande estatura, aproximadamente 2,70 m, talvez apenas Saul se aproximasse dele em altura (I Sm. 10.23). Mesmo assim esse não se atreveu a responder a afronta daquele gigante, confiante em sua força e no seu equipamento (I Sm. 17.8-11). As tropas de Israel ficaram amedrontadas quando se aproximaram de Golias (I Sm. 17.24). O jovem Davi, ao contrário dos seus compatriotas, ficou indignado ao ver a ousadia do gigante, afrontando o exército de Israel. Ele se refere àquele que é considerado um herói para o inimigo como um “incircunciso filisteu” – associa-o aos adoradores de deuses falsos, feitos pelos homens, e desconhecedor do Deus Vivo e Verdadeiro (I Sm. 17.24-27). Eliabe, o irmão de Davi, ao invés de apóiá-lo, demonstra ressentimento. O receio de seu irmão é o de perder espaço para aquele seu irmão mais jovem. Esse costuma ser um medo com o qual aqueles que se encontram em posição de poder precisam conviver (I Sm. 17.28-30). Mesmo com a insatisfação de Eliabe, Davi é levado a Saul que é informado da disposição de Davi para enfrentar o gigante. A atitude resoluta de Davi partiu da sua certeza que a afronta de Golias não era apenas contra o povo de Israel, mas contra o Deus Todo Poderoso, o Senhor dos Exércitos (I Sm. 17.31-40).
2. A VITÓRIA DE DAVI
Diante do pequeno Davi estava um Gigante, vestido com toda sua armadura (I Sm. 17.5-7). Ao ver a escolha representativa dos israelitas, Golias tomou tal opção como um insulto. Mas o filisteu não teve tempo sequer para tocar em Davi, pois fora abatido por uma pedra certeira, atirada da funda do jovem pastor (I Sm.17.49,50) Se assemelharmos essa batalha com uma luta de boxe, diríamos que ela não passou do primeiro assalto. Com o gigante prostrado por terra, Davi, seguindo os princípios de guerra, deveria concluir o trabalho, decapitando-o (I Sm. 17.50-24). As armas de Golias foram postas na tenda de Davi, como um troféu de guerra. Após a vitória, Davi recebeu de Saul o cumprimento da promessa, a filha como esposa. Davi passa a fazer parte da família real, fazendo uma aliança mais aproximada com Jonâtas, o príncipe herdeiro. Jônatas, desde cedo, reconheceu em Davi um homem vocacionado por Deus. Por isso, não mediu esforços para ajudá-lo, mesmo indo de encontro aos interesses egoístas de seu pai. Algumas lições podem ser extraídas desse episódio: 1) enfrentar gigantes é uma experiência intimidadora – lemos com entusiasmo o relato bíblico sobre a vitória de Davi, mas, no dia-a-dia, lutar contra os gigantes não é uma tarefa fácil; 2) pelejar é uma experiência solitária – ninguém mais pode assumir o posto para o qual fomos chamados, cada um de nós precisa enfrentar os “golias” que se apresentam contra nós; 3) confiar em Deus é uma necessidade – a menos que depositemos nossa fé em Deus, não conseguiremos ir muito longe, ficaremos aterrorizados pelo tamanho dos “gigantes”; e 4) vencer traz conseqüências memoráveis – as vitórias do passado devem nos impulsionar para olhar com maior bravura para o futuro.
3. A LUTA ESPIRITUAL DO CRENTE
O crente também tem seus gigantes com os quais precisa lutar e vencer. Na verdade, cada um de nós, existencialmente, enfrenta seus próprios gigantes. De modo geral, podemos destacar três gigantes: o mundo, a carne e o diabo (Ef. 2.1-3). Para tanto, é preciso estar preparado, munido não com a armadura de Saul, mas com aquela provida por Deus (Ef. 6.10,11): 1) o mundo - a palavra “mundo”, no grego, é kosmos e no Novo Testamento se refere: a) ao planeta terra (At.17:24); b) a raça humana separada de Deus (Jo.14:17); c) as coisas terrenas, como bens, riquezas e prazeres (I Jo.2:15,16); d) o sistema de valores alienado de Deus, que orienta o pensamento dos homens em oposição a Ele (II Pe.2:20). É importante entendermos que o sistema deste mundo é resultado da influência da carne e do diabo sobre os corações dos homens; 2) a carne - é a velha nature¬za que herdamos de Adão, uma natureza que se opõe a Deus e que não é capaz de fazer qualquer coisa espiritual para agradar a Deus. A natureza humana, agora contaminada, tornou-se escrava do pecado e, portanto, incapaz de agradar a Deus (Rm.8:6-8; I Co.2:14). Após a conversão passamos a conviver com duas forças antagônicas que lutam constantemente entre si: o Espírito Santo e a carne (Rm.7:14-25; Gl.5:17). Só será vitorioso neste conflito interior aquele que negar a si mesmo (Mt.16:24) e aprender a depender do Espírito Santo para mortificar a sua carne (Rm.6:3-6; Rm.8:12,13); 3) o diabo – também é conhecido por Satanás, palavra hebraica que significa “adversário”. A oposição do inimigo de Deus tem como finalidade estabelecer o seu reino em detrimento do reino de Deus. Ele dispõe de um exército de anjos caídos, mais conhecidos como demônios, para esta finalidade (Ap.12:7; Ef.6:12).
CONCLUSÃO
O exército de Israel intimidou-se com o tamanho de Golias. A presença do gigante apavorou o povo de Deus. Mas entre eles um mostrou-se ter uma fé maior que o tamanho de Golias. Davi creu na providência de Deus e na Sua aliança com Israel. Como fez Davi, também precisamos aprender a confiar no Senhor. Para vencer o mundo, a carne e o diabo, o segredo viver no Espírito de Deus. Diante de todas as adversidades da vida, não devamos dizer que o gigante é grande, mas dizer ao gigante que Deus é Grande. Essa é a lição que aprendemos com Davi na aula de hoje.
BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOLL, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Fidelidade até a morte
Em Apocalipse 2.10 está escrito : "Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida." Ser fiel é manter o compromisso, fazendo o que se deve fazer e evitando o que se deve evitar. Ser fiel a Deus é procurar sempre viver de acordo com a sua vontade, praticando o bem e evitando o erro. Se, eventualmente, cometemos algum pecado, devemos suplicar o perdão e voltar ao procedimento cristão. Nesse caso, caímos no meio do caminho, mas nos levantamos e continuamos na direção certa. Entretanto, existem aqueles que abandonam a vida cristã, assumindo uma postura de infidelidade deliberada. Estes desistiram, desviaram-se do caminho da salvação. Será que nós, que hoje servimos ao Senhor, estaremos fora do seu caminho amanhã? Até onde você está disposto a ir com Cristo? Até quando você será fiel a ele? "Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida." O caminhar com Cristo nos leva a lugares diversos, a situações diversas. Pensemos, por exemplo, na caminhada dos discípulos com o Mestre. No início, tudo era agradável; Jesus transformou a água em vinho, multiplicou pães e peixes, curou enfermos, ressuscitou mortos, libertou os oprimidos, etc. Que maravilha! Como é bom andar com Jesus! Mas o tempo foi passando e as circunstâncias foram ficando difíceis. Muitas pessoas foram se levantando contra Jesus e contra os seus discípulos. Fariseus, saduceus, escribas, sacerdotes, líderes políticos, muitos passaram a perseguir o Senhor Jesus, e tudo isso culminou com a sua crucificação. Andar com Jesus é muito bom, pois esse é o caminho da salvação e da vida eterna, mas no meio dessa estrada existe uma cruz. Os discípulos não esperavam por isso, não contavam com esse lado da vida cristã. Por isso, quando Jesus foi preso, todos os discípulos fugiram. O cristianismo não se constitui apenas das bênçãos que recebemos de Deus. Existe uma cruz no meio do caminho. Cada um de nós tem a sua cruz. Isto significa toda situação difícil em que somos tentados a fazer prevalecer nossa vontade própria em detrimento dos princípios cristãos. Se escolhemos a vontade de Deus, mesmo em meio ao sofrimento, então crucificamos a nossa carne com suas paixões e concupiscências e permanecemos em nossa posição de fidelidade ao Senhor. Ser fiel a Deus no meio das bênçãos é muito fácil. Ele espera que sejamos fiéis também no momento da dificuldade. Nossa fidelidade deve ser incondicional. Se Deus nos abençoar seremos fiéis. Se ele não nos abençoar em determinada situação, devemos continuar sendo fiéis. Se Deus nos curar ou não curar; se ele atender nossa oração ou não atender; de qualquer maneira nossa fidelidade deve continuar a mesma. Essa foi a determinação de Mesaque, Sadraque e Abedenego. Se Deus os livrasse da fornalha ou não livrasse, de qualquer modo eles não adorariam à imagem construída por Nabucodonozor. Permaneceriam fiéis a Deus. Vejamos algumas situações em que nossa fidelidade é colocada em prova: 1- Fraquezas e desejos pessoais. Muitas pessoas abandonam a vida cristã sem nem mesmo terem sido tentadas pelo Diabo. Caíram sozinhas. Foi sua própria inclinação carnal que as conduziu à queda. É o caso daqueles que usam qualquer motivo para abandonar o evangelho. 2 - Tribulações, tentações, provações e perseguições. Todos esses elementos podem ser reunidos na seguinte frase: momentos em que fica difícil ser cristão. As pessoas estão contra nós, ou as oportunidades nos sugerem que tudo ficaria mais fácil se negássemos nossa fé e renunciássemos ao nosso compromisso com Deus. Nessa hora, o Diabo pode estar agindo para que desistamos da nossa fidelidade. E Deus espera que fiquemos firmes na vida cristã. Por um tempo determinado, Deus não interfere na situação. Ele deixa que nós decidamos por conta própria se vamos continuar a servi-lo ou não. Observe que quando a serpente tentou Eva ou quando o Diabo tentou a Cristo, Deus não interferiu. Quando o Diabo nos tenta, ele se apresenta como um "amigo". Parece que ele quer nos ajudar. É o caso, por exemplo, quando um crente desempregado, recebe uma proposta para ganhar dinheiro com algo ilícito ou que contraria os princípios bíblicos. Nessas horas, ele nos oferece justamente o que estamos querendo ou precisando, mas, em troca, ele estará conseguindo seu objetivo: o fim da nossa fidelidade a Deus. Quando o Diabo nos persegue, ele se mostra como realmente é: nosso inimigo. Nesse momento, vem a perseguição e novamente nossa fidelidade a Deus é colocada em prova. Vamos resistir a todos esses desafios? Até quando seremos fiéis a Deus? Cada um deve fazer essa pergunta a si mesmo. Como podemos ter essa fidelidade para com o Senhor? Precisamos ter, antes de mais nada, um propósito firme de sermos fiéis a Deus. Essa é a determinação que devemos ter. Ao invés de ficarmos determinando o que Deus deve fazer, devemos determinar é que seremos obedientes e fiéis a ele. Além disso, devemos adquirir uma base espiritual bem sólida através do conhecimento da Palavra de Deus, a Bíblia. "Escondi a tua Palavra no meu coração para não pecar contra ti." (Salmo 119.11). É através do conhecimento bíblico que seremos capazes de identificar as sugestões do Diabo em nossas vidas, e, assim, poderemos rechaçá-lo dizendo: "Está escrito..." Precisamos também buscar ao Senhor por meio de jejum e oração afim de termos experiências com Deus. Assim, não ficaremos apenas no nível do "cristianismo teórico ou filosófico". Vamos reforçar nosso fundamento espiritual para que sejamos como a casa construída sobre a rocha, a qual resiste aos ventos, aos rios, à chuva e a todas as tribulações. E toda a nossa fidelidade será recompensada pelo Senhor porque ele disse: "Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida." Vamos recusar as ofertas do Diabo. Sejamos fiéis ao Senhor, e a coroa da vida estará garantida na eternidade. Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
A Água Viva
Em seu diálogo com a mulher samaritana, Jesus lhe disse: “Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água viva” (João 4.10). A água é um dos elementos mais importantes para o homem. Afinal, a maior parte do seu corpo é constituída por água, cerca de 70%. Podemos passar um mês inteiro sem comida, mas uma semana sem água pode ser fatal. Essa é a bebida mais saudável que existe. É diet e light. A água tem inúmeras utilidades e traz muitos benefícios para nós. Vejamos alguns deles: A água mantém a vida. Só isso já seria o suficiente, mas ela também refresca, limpa, hidrata cada partícula do corpo, desde o cabelo em nossa cabeça até as unhas dos pés, favorecendo o funcionamento saudável de cada órgão, chegando a beneficiar até mesmo nossa aparência e nossa voz. Ela sacia a nossa sede, nos satisfaz. Qual seria a “água viva” oferecida por Jesus? Trata-se de um símbolo cujo significado precisamos conhecer. O Novo Testamento utiliza a água para representar a palavra de Deus e o Espírito Santo (Ef.5.26; João 7.37-39). Normalmente, um não opera sem o outro. A água é “viva” porque tem o Espírito. “A palavra de Deus é viva e eficaz” (Heb.4.12), e pela ação do Espírito Santo, produz e mantém a nossa vida espiritual. Ela nos limpa (João 15.3), refrigera a nossa alma (Sl.23.2-3), e favorece o funcionamento dos mais diversos aspectos da nossa vida, anulando a sequidão causada pelo pecado. Um problema grave é a falta d’água. É o caso dos desertos e regiões áridas como o nordeste brasileiro, onde as chuvas são escassas. Quantas pessoas vivem num deserto espiritual! Sua sede de Deus se manifesta como um vazio interior (Sl.42.2). Este sentimento produz a religiosidade presente em todas as civilizações conhecidas. Muitos se consomem numa busca contínua por algo que possa satisfazer suas almas. Imaginam que sua necessidade suprema seja por dinheiro, carro, casa, emprego, casamento, etc. Tais coisas são necessárias, mas não satisfazem o espírito. Por isso, cada conquista pode ser acompanhada por uma decepção que lança o indivíduo a uma nova busca. A mulher samaritana, por exemplo, já estava no sexto relacionamento sentimental e não se sentia realizada. Sua situação mudou completamente quando encontrou o Senhor Jesus e lhe pediu: “Senhor, dá-me dessa água” (João 4.15). Jesus tem a “água viva” para todos, mas ele não obriga ninguém a recebê-la. Você precisa orar e dizer: “Senhor, dá-me dessa água. Muda a minha vida. Satisfaz a sede do meu coração”. Então, sua vida será transformada. Alguns não têm a água viva; outros têm, mas não a bebem. É o caso daqueles que já se converteram, têm a palavra de Deus, a bíblia, mas não a lêem, não a conhecem. Talvez até saibam o que vai acontecer no próximo capítulo da novela, mas não sabem o que a palavra de Deus diz para suas vidas. Quando nos abstemos de beber água, muitos males proliferam dentro de nós. As toxinas se multiplicam no nosso corpo e nos contaminam. Quando evitamos a palavra de Deus, as raízes do pecado começam a crescer sem que percebamos. Devemos beber a Palavra sem economia. Afinal, Jesus já pagou a conta. Recebamos a sua palavra todos os dias. Devemos ler, estudar, conhecer a bíblia. Seus benefícios em nossa vida serão muito superiores ao que esperamos ou possamos imaginar. A palavra de Deus deve nos encher até transbordar. Assim, ela vai se manifestar no que sentimos, no que pensamos, no falamos e fazemos. Da mesma forma, devemos ser cheios do Espírito Santo, que transbordará em nós através de hinos, salmos, cânticos espirituais, amor, alegria, paz e todo o fruto do Espírito (Ef.5.18-20; Gl.5.22). O mundo nos oferece poços artificiais e corremos o risco de cair dentro deles. O Senhor nos oferece um manancial que trará refrigério para as nossas almas. Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 13:45 0 comentários
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A LAVOURA E O TEMPO
“Porventura lavra continuamente o lavrador, para semear? ou está sempre abrindo e desterroando a sua terra? Não é antes assim: quando já tem nivelado a sua superfície, não espalha a ervilhaça, não semeia o cominho, não lança nela o melhor trigo, ou cevada no lugar determinado, ou o centeio na margem? Pois o seu Deus o instrui devidamente e o ensina” (Is.28.24-26). Durante todo o período correspondente às narrativas bíblicas, a agricultura foi uma das principais atividades econômicas. Nela se ocupava grande parte da população ativa. Por esta causa, a figura do lavrador e o seu trabalho aparecem com freqüência nas Sagradas Escrituras, servindo como ilustração para ensinos morais e espirituais diversos. O profeta Isaías estava perguntando: Será que lavrador lavra o tempo todo? Sabemos que não. Pois este é apenas o início do seu trabalho, que inclui muitas outras tarefas. A lida no campo pode ser resumida nas seguintes etapas: 1 – Lavrar – Depois de escolher uma boa terra, deve-se prepará-la, tirando pedras e ervas daninhas, nivelando e revolvendo o solo para que se torne receptivo e adequado para a semente. Nessa parte entra o trabalho com o arado, geralmente puxado por uma junta de bois, unidos pelo jugo. “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lc.9.61). “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” (Mt.11.29). 2 - Semear – Além de preparar o solo, o homem do campo precisa selecionar a semente, conforme sua espécie, quantidade e qualidade, e lançá-la à terra. A semeadura parece um desperdício, uma perda. É como se a semente fosse jogada fora. Por isso muitos não semeiam. Preferem comer toda a semente, pois sua visão está apenas no aqui e no agora. O semeador vê o futuro e por isso renuncia sua semente no presente. “Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão; pois tu não sabes qual das duas prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão, igualmente boas” (Ec.11.6). “Semeai para vós em justiça, colhei segundo a misericórdia; lavrai o campo da lavoura; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que venha e chova a justiça sobre vós” (Os.10.12). 3 – Esperar a chuva – Por mais que o homem do campo trabalhe, ele também depende de Deus. Quanto maior a lavoura, maior é essa dependência. O lavrador sabe que nem tudo está em suas mãos. Sua parte já foi feita, com muito esforço. Agora é preciso ter fé e paciência. “Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, e regozijai-vos no Senhor vosso Deus; porque ele vos dá em justa medida a chuva temporã, e faz descer abundante chuva, a temporã e a serôdia, como dantes” (Joel 2.23). 4 – Germinação – em contato com a água, a semente germina, lançando seus renovos. É vida que nasce da morte. A semente estava sepultada. Aquele parecia seu fim, mas Deus realiza o milagre do renascimento. A palavra que sai da boca de Deus é como a chuva. Ela cai em nossos corações e nos renova, vivifica e nos faz crescer. “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (João 12.24). “Porque, assim como a chuva e a neve descem dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir e brotar, para que dê semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Is.55.10-11). 5 – Cuidar da lavoura – O agricultor precisa zelar pela plantação. Enquanto as plantas são pequenas, é necessário evitar que sejam pisadas. Em todo o tempo, é importante cuidar para que ninguém as arranque. É necessário também vigiar por causa das pragas, insetos, aves e animais. “Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas; pois as nossas vinhas estão em flor” (Ct.2.15). 6 – Esperar pelo fruto – O lavrador precisa ser paciente, enquanto cuida da lavoura e aguarda a produção. Antes do fruto, muitas ervas e árvores produzem flores. É o maravilhoso anúncio do resultado final que se aproxima. Depois do surgimento dos frutos ainda é preciso esperar que amadureçam. Enquanto isso, os cuidados aumentam. “Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se estão abertas as suas flores, e se as romanzeiras já estão em flor” (Ct.7.12a). “Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e as últimas chuvas” (Tg.5.7). 7 – Colher os frutos – Enfim, chega a época da colheita, como recompensa por todo o labor e espera do lavrador. “Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos” (Salmo 126.6). Um dos principais elementos que regem a vida do agricultor é o tempo. Ele precisa conhecer as estações do ano e agir de acordo com cada uma delas, plantando, cuidando, esperando e colhendo. Ele não pode inverter a ordem. Não é possível colher sem ter plantado, a não ser que se queira roubar na propriedade alheia. As tarefas agrícolas não podem ser realizadas com muita antecipação nem com atraso. Na época da chuva não é possível preparar o solo nem lançar a semente. O resultado seria um grande lamaçal, com a enxurrada carregando os grãos. Quando chega a época da ceifa, é possível que o lavrador já esteja muito cansado, mas ele não pode relaxar. Adiar a colheita pode significar perda total. “Abundância de mantimento há na lavoura do pobre; mas se perde por falta de juízo” (Pv.13.23). O ciclo da agricultura é comparável à vida de cada um de nós, com muito trabalho, fé em Deus, paciência e produtividade. Salomão comparou a juventude à primavera (Ec.11.10). Nossa existência é dividida em estações, com tempos adequados para cada propósito. Não podemos ignorar tal coisa. Não devemos ser precipitados em nossas realizações, adiantando demais os fatos, nem ser omissos, negligentes ou preguiçosos, deixando de fazer aquilo que deve ser feito no tempo certo. “O que ajunta no verão é filho prudente; mas o que dorme na sega é filho que envergonha” (Pv.10.5). Vejamos alguns exemplos de inversão na ordem natural da vida: Há muitas crianças trabalhando, quando deveriam estudar e brincar. Por outro lado, muitos jovens só querem se divertir, quando deveriam também estudar e trabalhar. Outros antecipam as relações sexuais, a gravidez e a constituição da família, sem que tenham se preparado para isso. Algumas vezes, encontramos pessoas bastante idosas que estão ingressando na faculdade, porque não o fizeram na juventude. Todo tempo é propício à aquisição do conhecimento, mas se isso acontecer muito tarde, o indivíduo não colherá o que está plantando. “Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou” (Ec.3.1-2). Muitos fatos ocorrem por força das circunstâncias, causando desordem na vida. Compreendemos isso. Entretanto, há quem perca seu tempo por outros motivos: preguiça ou negligência. É imprescindível que cada um se conscientize do momento em que está vivendo. Qual é a estação atual? Para muitos de nós, ainda é tempo de semear, tempo de plantar. Não percamos a oportunidade. Quando chega o tempo de colher, e não existe fruto aprazível, o indivíduo começa a murmurar. Acusa Deus, o governo, os pais e a família. Culpa o destino, revolta-se e se desespera. Entretanto, não se recorda de sua negligência na época da semeadura. Existem também aqueles que vivem praticando o mal sem saber que seus atos são sementes. O que fazem hoje lhes será feito amanhã de modo multiplicado. “Falam palavras vãs; juram falsamente, fazendo pactos; por isso brota o juízo como erva peçonhenta nos sulcos dos campos” (Os.10.4). “Lavrastes a impiedade, segastes a iniqüidade, e comestes o fruto da mentira” (Os.10.13). “O que semear a perversidade segará males” (Pv.22.8). “Pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gal.6.7). Além dos estudos e do trabalho, seja natural ou espiritual, semeamos em cada ato, palavra ou gesto para com o próximo. Cada semente, boa ou má, se multiplicará e retornará para nós no tempo da ceifa. Cabe, portanto, a cada um de nós, escolher bem as sementes para que a nossa colheita seja excelente. Façamos hoje o deve ser feito, pois amanhã pode ser muito tarde. “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gal.6.9). Queremos colher muito, mas semeamos pouco. Somos econômicos na semeadura e ambiciosos na colheita. Fizemos algo para Deus ou para o próximo e achamos que foi suficiente. Não se acomode. Trabalhe mais. Semeie mais. “Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará” (IICo.9.6). “Eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” (João 15.16). Anísio Renato de Andrade
Bacharel em Teologia
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sábado, 3 de outubro de 2009
Contaminação e Santificação
O apóstolo Paulo se referiu à condição pecaminosa do homem nos seguintes termos: “Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; a sua boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Nos seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante dos seus olhos” (Rm.3.12-18). Esta é a situação natural do ímpio. Mencionando várias partes do corpo, Paulo demonstra a venenosa contaminação do pecado. Trata-se de uma sujeira profundamente impregnada no ser humano. O pecado é maligno e perigoso, mas assume aspectos atraentes como as belas cores de uma víbora. Quando aceitamos a Cristo, ele nos tira do lamaçal e nos lava. Somos perdoados completamente. Entretanto, o pecado é como um câncer extraído. Suas raízes continuam existindo e precisam ser “vigiadas” ininterruptamente para que não cresçam. Por isso, Jesus disse: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação; O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt.26.41). No momento da conversão, embora perdoados, mantemos ainda uma mentalidade inclinada para o mal, um modo pecaminoso de pensar. É a natureza pecaminosa que continua existindo. Por esta causa, precisamos da ação da Palavra de Deus e do Espírito Santo em nós, num processo chamado santificação (Rm.6.19,22), que inclui a renovação da nossa mente (Rm.12.1-2), de modo que venhamos a ter a mente de Cristo (ICo.2.16), pensando como ele pensa. Isto não acontece da noite para o dia, mas é o que se espera de uma vida cristã normal. Com o passar do tempo, o cristão deve se tornar cada vez mais parecido com Cristo. Aquela mentalidade pecaminosa precisa ir desaparecendo. A partir da conversão, vivemos numa batalha entre a carne e o espírito, a velha vida e a nova, o pecado e a justiça. No quadro a seguir, listamos alguns termos bíblicos para uma compreensão integrada do que o Novo Testamento mostra sobre este assunto:Parte do ser humano O que contém De onde vem tal natureza O que produz Carne (corpo e mente) Natureza pecaminosa
(que é “o pecado” mencionado por Paulo – Rm.7.17).De Adão Obras da carne (pecados – Gálatas 5.19-21) Espírito humano Natureza divina (a justiça) De Cristo Fruto do Espírito
(atitudes e atos de justiça - Gálatas 5.22)
Precisamos combater, e combatemos com eficiência, pecados notórios como a prostituição, o adultério, o homicídio, o roubo, etc.. Estas são transgressões visíveis, de fácil identificação. Contudo, existe uma “categoria” de pecados mais tolerados, até mesmo por alguns cristãos: a mentira, a maledicência, a murmuração, o rancor, a cobiça, a incredulidade, etc.. Evitamos os pecados práticos, mas, algumas vezes, conservamos pecados verbais e mentais.
É como se destruíssemos os frutos de uma árvore, mas conservássemos as raízes. De vez em quando sai um brotinho aqui, outro ali e, de repente, o fruto maligno está de volta. O autor da carta aos hebreus adverte: “Tendo cuidado para ninguém se prive da graça de Deus e que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Heb.12). Este processo degenerativo na vida de um convertido ocorre com mais facilidade se ele negligenciar a leitura bíblica, o estudo bíblico e a comunhão com os irmãos.
Se continuarmos a receber a Palavra de Deus com fé, o Espírito Santo agirá em nós de maneira cada vez mais profunda para que as raízes do pecado sejam extraídas gradativamente. Assim, nosso espírito vencerá a carne. Esse processo só terminará quando formos para a glória celestial, mas isto não pode ser motivo de acomodação da nossa parte pois, se a raiz não é combatida, a planta maldita crescerá.
A “raiz de amargura” é o rancor que se guarda no coração. Esta é uma das mais perigosas formas que o pecado assume, pois pode parecer justo que eu guarde ira e ressentimento por uma ofensa ou dívida. O perdão é o método divino para aplacar um processo pecaminoso em andamento. Perdoar é uma decisão. Não devemos depender dos sentimentos para realizá-lo.
O propósito de Deus é cortar o pecado, arrancá-lo e desarraigá-lo de nós, mas isto não é tudo. O cristianismo não se caracteriza apenas pelo que deixamos de fazer, mas pelo passamos a fazer. Quando nos convertemos, um novo plantio é feito em nosso coração.
A palavra de Deus é comparada à semente. A natureza divina é plantada em nossos corações quando recebemos a palavra com fé pela primeira vez. A partir de então, a semente deve ser cultivada. O caráter de Cristo crescerá em nós e dominará a natureza de Adão que insiste em sobreviver. Jesus desceu da sua glória e se tornou semelhante a nós, para que nos tornássemos semelhantes a ele e entrássemos na sua glória.
Na medida em que a natureza divina vai crescendo em nós, ela frutifica. Os frutos da justiça devem ser abundantes na nossa vida. Da mesma forma como o pecado nos dominava, a justiça, a retidão, precisa nos dominar para que pensemos a palavra de Deus, falemos a palavra de Deus e vivamos de acordo com seu grandioso propósito.
Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Liberdade espiritual
"Estai pois firmes na liberdade com que Cristo vos libertou e não tornai a meter-vos debaixo do jugo da servidão." (Gálatas 5.1). O apóstolo Paulo fez essa advertência aos cristãos da Galácia. Se fomos libertos por Cristo, se ele nos libertou das mãos de Satanás, se ele nos livrou de tantos males, a Palavra de Deus nos alerta para que não nos escravizemos novamente. Precisamos manter nossa liberdade espiritual. Algumas vezes temos a tristeza de saber que algumas pessoas abandonaram a fé, retornando a uma vida de pecado. Tornaram-se novamente escravas do diabo. Isso pode parecer incrível, mas o próprio Jesus disse que os demônios que dominavam alguém podem voltar trazendo outros com eles (Lucas 11.24-26). O último estado dessas pessoas torna-se pior do que o primeiro. Na história do povo de Israel, notamos períodos de cativeiro que se revezavam com atos divinos de libertação. Observe o que diz o Salmo 126, versículos 1 e 4: "Quando o Senhor trouxe do cativeiro os que voltavam a Sião, estávamos como os que sonham... Torna a trazer-nos do cativeiro, Senhor..." O povo já havia sido liberto, mas caiu novamente nas mãos do inimigo. Façamos uma retrospectiva bíblica da história de Israel: O povo esteve cativo no Egito durante 430 anos. Deus o libertou. Chegando em Canaã, os países vizinhos se revezaram para explorar e abater os israelitas. O livro dos Juízes nos mostra uma sucessão de opressões e libertações. Mais tarde, a Assíria levou uma parte dos israelitas para o cativeiro. Depois, a Babilônia escravizou as tribos restantes. Passados os 70 anos de cativeiro babilônico, Deus libertou o seu povo novamente. Vemos que Israel viveu entre cativeiros e libertações. Esta, porém, não era a vontade do Senhor para eles, e também não é para nós. Deus não quer que os que hoje são libertos por ele voltem amanhã dizendo: "liberta-nos de novo!" Por quê essas derrotas aconteciam? Devido ao pecado dos israelitas, principalmente por causa da idolatria (Salmo 106.34-45). Como podemos manter nossa liberdade espiritual e não cair nas mãos do inimigo? Em primeiro lugar, é preciso compromisso com Deus. Qualquer pessoa pode ser liberta ou receber uma benção. Entretanto, se essa pessoa não assume um compromisso de ser um cristão, os demônios voltarão a dominá-la. É por isso que muitas pessoas caem endemoninhadas todas as vezes que comparecem a um culto. Em segundo lugar, é preciso vigilância. Para nos escravizar, o diabo nos oferece alguma coisa. Vejamos alguns exemplos: Depois de conseguir a libertação para o seu povo, Gideão foi derrotado pela tentação das riquezas materiais (Juízes 8.24-27). Sansão, por sua vez, foi derrotado pela prostituição com Dalila que, depois de descobrir seu segredo, cortou-lhe os cabelos (Juízes 16.1,19). Podemos ver que Satanás usa a estratégia de acordo com a fraqueza de cada pessoa. Precisamos ficar vigilantes e recusar as propostas que nos chegam de todos os lados buscando nossa queda. Depois que Sansão foi derrotado, tornou-se motivo de zombaria no templo dos filisteus. O desejo do inimigo é nos ver caindo e sendo motivo de escarnecimento. O desejo de Deus, entretanto, é que nos mantenhamos livres, vencedores e assim possamos ajudar na libertação de outras pessoas.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
LIÇÃO 01/DAVI E SUA VOCAÇÃO/ SUBSÍDIOS
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Texto Áureo: I Sm. 13.14 - Leitura Bíblica em Classe: I Sm. 16.1,310-13
Objetivo: Entender as razões e o propósito de Deus da vocação de Davi a fim de cumprir seus objetivos imediatos e futuros.
INTRODUÇÃO
Ao longo dos próximos três meses estudaremos a biografia de Davi. Teremos a oportunidade, durante as aulas, de refletir a respeito da vida desse que é conhecido como um “homem segundo o coração de Deus”. Aprenderemos a respeito de suas vitórias e derrotas, e, à luz do evangelho de Cristo, poderemos extrair ensinamentos a fim de que, como Davi, estejamos também no centro do coração do Senhor. Na aula de hoje trataremos a respeito da sua vocação, contextualizaremos o tempo no qual viveu, e ao final, veremos qual o propósito de Deus em sua vocação e algumas aplicações para a nossas vidas.
1. DAVI, NO TEMPO DE DEUS
O tempo no qual Davi viveu é marcado pelo fim de uma era, a dos juizes, personalizado na figura de Samuel. O livro de Juizes termina destacando que “não havia rei em Israel” (Jz. 18.1; 19.1; 21.25). Até que o povo de Israel reclama para si, seguindo o modelo das nações vizinhas, um rei, isto é, o estabelecimento da monarquia. Ainda que a contragosto (I Sm. I Sm. 8.7,9), Samuel, debaixo da orientação divina, e em resposta à petição dos israelitas, escolheu Saul para reinar (I Sm. 9.1-10.16). Mesmo sancionando essa opção, o Senhor antecipara Israel a respeito do preço que iria pagar por tal opção (I Sm. 8.10-18). A unção de Saul, o primeiro rei de Israel, se deu através de uma cerimônia secreta (I Sm. 9.1-10.16). Posteriormente ele foi reconhecido pelo povo e aclamado como rei (I Sm. 10.17-27). Com a monarquia estabelecida, Samuel se retira de cena, e restringe-se ao ministério profético (I Sm. 12.1-5). Saul, após assumir o reinado de Israel, não se conduziu em conformidade com a Palavra de Deus, precipitou-se em seus votos (I Sm. 14.24-46) e até mesmo confrontou ao profeta de Deus (I Sm. 15.1-35) por esse motivo, fora rejeitado pelo mesmo Deus que o fez rei (I Sm. 15.10-12). Samuel, em seu embate com o rei Saul, diz que a obediência é melhor que o sacrifício, já que Saul desobedeceu intencionalmente a Deus, sob a justificativa que ofereceria sacrifícios (I Sm. 15.22-23).
2. A VOCAÇÃO DE DAVI
A escolha de Davi, para ser o rei de Israel, sucessor de Saul, está registrada em I Sm. 13.13-14. Nessa passagem lemos que o Senhor rejeitou Saul e separou um novo rei conforme o seu agrado. A razão de tal opção é que Saul, o primeiro rei de Israel, havia procedido nesciamente, pois não atentou para a Palavra do Senhor proferida através de Samuel (I Sm. 12.14). Por esse motivo o profeta do Senhor é dirigido à casa de Jessé, o belemita, que era neto de Rute e Boaz (Rt. 4.17,22) para ungir o rei que Deus havia escolhido. Seguindo o procedimento para a unção do rei, Samuel devia apanhar seu chifre de óleo sagrado para a cerimônia de unção. Mesmo que o profeta tenha se impressionado com Eliabe, o filho mais velho de Jessé, é a Davi, o mais novo que Deus havia vocacionado, pois Deus não vê como vê o homem (I Sm. 16.6-10; I Cr. 28.9). Davi se encontrava no exercício da sua responsabilidade, pastoreando as ovelhas de seu pai, talvez esquecido pelos familiares, mesmo assim o Senhor não se esqueceu dele o separou para a obra (I Sm. 16.11-13) Posteriormente, no Sl. 22.9,10, Davi testemunharia que Deus o havia escolhido desde o ventre da sua mãe. Ele é um exemplo do homem ou da mulher de Deus que tem consciência de seu chamado e de que Deus cumprirá os desígnios que estabeleceu.
3. O PROPÓSITO DA VOCAÇÃO
A vocação de Davi por Deus tinha propósitos imediatos, para a sua época, bem como para um futuro distante. Naqueles tempos, o povo de Israel se encontrava numa situação de crise. Samuel, já envelhecido, constituiu a seus filhos por juizes em Israel, esses, porém, não andaram pelos caminhos do Senhor (I Sm. 8.1-3). Por esse motivo, os filhos de Israel, imitando as nações vizinhas, pediram um rei (I Sm. 8.7,9), mas esse, ainda que escolhido por Deus, procedeu nesciamente e fora substituído pelo Senhor (I Sm. 13.13-14). A vocação de Davi tinha também uma promessa, a de que no futuro viria um Rei que estabeleceria seu trono definitivo sobre Israel: Jesus, profecia se cumprirá totalmente no milênio (Lc. 22.20; Jr. 23.5,6; Ap. 19,20). Através do processo de escolha de Davi para reinar o Senhor nos instrui a respeito de determinados aspectos na vocação de um líder: 1) a espiritualidade – alguém que seja segundo o coração de Deus, que seja sensível às coisas do Senhor (II Cr. 16.9), 2) a humildade – alguém que mesmo desprezado, reconheça sua posição diante de Deus (I Sm. 16.1; Sl. 78.70; 89.20), que privilegie menos a promoção pessoal e dê maior valor à construção do caráter; e 3) a integridade – que vive em sinceridade de coração, que não depende exclusivamente das aparências (Sl. 78.71,72).
CONCLUSÃO
Davi foi um homem vocacionado a fim de desempenhar uma tarefa. Na construção dessa liderança, o Senhor trabalhou no caráter de Davi. Primeiramente através dos momentos de solidão, enquanto esse se encontrava no campo, cuidando das ovelhas do seu pai Jessé. Depois por meio da obscuridade, houve momentos que ninguém conhecia a Davi, ninguém para aplaudi-lo, ele não passava de um desconhecido na multidão. Através dos momentos de monotonia o Senhor também trabalhou o caráter daquele que seria o rei de Israel, quando esse estava fazendo as mesmas coisas, tidas por alguns como irrisórias ou de pouca utilidade. Que o Senhor nos dê sabedoria para discernir o tempo e o propósito para o Seu chamado para as nossas vidas.
BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. I e II Samuel: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.
SWINDOW, C. R. Davi. São Paulo: Mundo Cristão, 2009.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
A Fé e os Extremos
Geralmente, consideramos a fé como algo positivo e importante. Sempre somos estimulados a crer, sabendo que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Heb.11.6). Jesus disse que “quem não crer já está condenado” (Mc.16.16). Várias passagens bíblicas nos permitem concluir que a incredulidade é um pecado (João 16.8-9), uma ofensa diante de Deus (Sal.78.19-20). Contudo, há grande risco no exercício de uma fé sem limites e sem parâmetros. É o outro extremo da questão. Não podemos crer em tudo, em todos e em qualquer coisa. Não adianta deixar de ser ateu para se tornar politeísta ou panteísta. Nossa fé precisa ser orientada corretamente. João Batista proclamou: “Crede no evangelho” (Mc.1.15). Jesus disse “Tende fé em Deus” (Mc.11.22). “Credes em Deus. Crede também em mim” (João 14.1). A fé cristã possui alvo certo. “Porque eu sei em quem tenho crido, e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (IITm.1.12). Algumas pessoas têm tanta fé que vão à igreja e ao centro espírita, consultam o horóscopo e fazem simpatias, crêem em Deus, nos santos, nos guias e nos duendes. Tentam servir a dois senhores (ou mais), como se isso fosse possível (Mt.6.24). Acreditam em tudo (ou não crêem o suficiente em coisa alguma). São holísticos e ecumênicos. Consideram boas todas as religiões e querem aproveitar o melhor de cada uma delas. Esse tipo de fé pulverizada não agrada a Deus. Ele quer exclusividade no que diz respeito à fé que se traduz em adoração. A Palavra de Deus exige posicionamento, definição: “Escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js.24.15). “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas se Baal é Deus, segui-o” (IRs.18.21). Alguns não crêem na existência dos anjos (At.23.8). Outros crêem tanto que chegam a fazer orações e culto a eles (Col.2.18). É importante crer que eles existem, mas são apenas servos de Deus a favor dos homens (Heb.1.14). Alguns não acreditam em líderes eclesiásticos e esta atitude os mantém distantes da igreja e perto de influências negativas diversas. Outros crêem tanto que são enganados por qualquer um. Está escrito: “Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e sereis bem sucedidos” (IICr.20.20). Entretanto, a bíblia não manda acreditar cegamente em qualquer líder religioso, pois muitos falsos pastores (João 10.12-13), falsos mestres (IIPd.2.1), falsos profetas (IJo.4.1) e falsos apóstolos (IICo.11.13) estão espalhados por aí. O líder verdadeiro também pode incorrer em erro, causando destruição (Jr.23.1-2). A liderança é necessária, mas não podemos ser seguidores ignorantes, que não compreendem o que fazem nem sabem para onde estão sendo guiados. Muitos liderados incautos perdem sua individualidade, sua liberdade, seus bens e suas vidas, levados por condutores cegos e mal intencionados (Mt.23.16). Esse tipo de crença ingênua possibilita e fomenta o surgimento ilimitado de religiões e seitas. No âmbito do cristianismo, uma série de suposições, hipóteses, invenções e mentiras têm sido adotadas por muitos como dignas de fé e prática. São verdadeiras superstições disfarçadas de doutrinas e dogmas. Nesse rol estão alguns conceitos errôneos sobre prosperidade material, batalha espiritual e maldições hereditárias. Além de estimular a fé, a bíblia contém advertências a esse respeito. Em alguns casos, é proibido crer: “Não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus” (IJo.4.1). Maldito o homem que deixa de crer em Deus para crer no seu semelhante (Jr.17.10). Jesus alertou seus discípulos: “Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis; Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis” (Mt.24.23,26). A crença nem sempre é virtuosa. Nesse caso, é melhor uma dúvida certa do que uma certeza errada. Nos primeiros anos da igreja cristã, muitas heresias surgiram e foram aceitas de boa fé por diversas comunidades. Os gálatas acreditaram naqueles que queriam impor costumes judaicos no ambiente cristão (Gál.5). O mesmo tem acontecido hoje. Os colossenses receberam com fé influências gnósticas, filosóficas e judaizantes (Col.2). Crer nem sempre é certo. Não podemos ser ingênuos, aceitando todo ensinamento. Satanás se aproveita da incredulidade, e também da fé mal direcionada. Na tentação de Cristo, o inimigo procurou se aproveitar da fé em todos os momentos (Mt.4). A fé legítima traz coragem e libertação. A fé errada cria medo, através de ameaças infundadas. Daí surgem o fanatismo, a loucura e a apostasia. Não acreditar na existência do Diabo é algo perigoso. Por outro lado, crer que ele esteja agindo em tudo e em todos e em todo lugar, conduz a um tipo de insanidade religiosa. É necessário discernimento sem neurose. Alguns cristãos têm tanta fé que chegam a criar doutrinas baseadas em afirmações de demônios, como se fossem bíblicos os nomes que declaram ou os feitos que proclamam através de seus médiuns. Cuidado com os dogmas sem fundamento bíblico (IITm.4.1) ou criados a partir da distorção daquilo que Deus falou (Mt.4.6). O prejuízo que tais crenças pode trazer é muito grande, começando por escravizar o crente em práticas desnecessárias e temores infundados. Além disso, ocorrem decepções por não se produzirem os resultados esperados por aquele que crê indevidamente. Quantos estão esperando riqueza material como conseqüência da conversão porque colocaram sua fé em interpretações bíblicas erradas! O pior efeito de tudo isso pode ser a perdição eterna, no caso da fé desviar-se da verdadeira confiança em Cristo como Salvador. Aquele que crê na necessidade de complementos para a salvação, através de obras, da guarda do sábado, etc, corre o risco de não ser salvo, pelo fato de ter duvidado da eficácia e plena suficiência do sacrifício de Cristo no Calvário (Gál.5.2-4). Não podemos acreditar em tudo o que ouvimos (Ec.7.21). É do ensinamento que vem a fé, boa (Rm.10.17) ou má (Gál.5.8). Sendo assim, como escaparemos do erro que tenazmente nos assedia? Paulo deixou claro que as igrejas não deviam ser guiadas apenas por pregações, mas que tudo devia ser conferido com as Escrituras. Todas as profecias e ensinamentos, mesmo os de Paulo, ou até mensagens de anjos, deviam ser julgados mediante o exame da Palavra de Deus (ICo.14.29; ITss.5.20-21; At.17.11; Gal.1.6-9). A bíblia é a bússola da nossa fé. Fundamentados nela, evitaremos os extremos da incredulidade e das crendices inócuas que vão além ou ficam aquém do que está escrito (ICo.4.6). Sabendo, porém, que muitas heresias são acompanhadas por citações bíblicas, é imprescindível que cada cristão conheça bem as Sagradas Escrituras para conferir os ensinamentos recebidos. O conhecimento do contexto geral da bíblia será útil no combate às falsas doutrinas construídas sobre textos isolados (Mt.4.7). Visto que tal propósito demanda muito tempo, tornam-se úteis as opiniões de autoridades sobre os assuntos doutrinários que estejam sob análise, da mesma forma que se deseja confirmação de um diagnóstico médico importante. Tal conferência é essencial quando se tratar de “doutrinas novas”, “revelações inéditas”, e qualquer prática litúrgica ou cotidiana que cause surpresa ou estranheza ao servo de Deus. A consciência e o discernimento espiritual ajudam a avaliar aquilo que nos é oferecido como objeto de fé. Ainda que não sejamos doutores em nutrição, desconfiamos de um alimento que tem cheiro desagradável ou sabor alterado. Aquele que é sincero diante de Deus desconfia do ensinamento falso (João 7.17). Em todas as questões supra mencionadas, a Palavra de Deus contém a orientação segura. Não vamos crer de modo irresponsável ou infantil, sendo levados por qualquer vento de doutrina (Ef.4.14). A fé, a esperança e o amor são virtudes e valores espirituais inefáveis, e não podem ser usados levianamente, mas de acordo com a orientação de Deus e para a sua glória. Anísio Renato de Andrade
Bacharel em Teologia
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