Que o Senhor Jesus seja o comandante do nosso barco. Os navios estão entre os meios de transporte mais antigos e importantes da história. Sua primeira citação bíblica encontra-se em Gênesis 49.13. Sua utilidade, já em tempos remotos, incluía o comércio (Pv.31.14), a guerra (Nm.24.24) e a condução de passageiros (Jn.1.3). As viagens marítimas, com as características que lhes são peculiares, tornam-se boas ilustrações para diversos ensinamentos. A vida humana pode ser comparada a uma viagem. A vida cristã, da mesma forma. Podemos pensar ainda na viagem, como um conjunto de providências, esforços e aplicação de recursos com vistas a determinados objetivos, sejam pessoais, ministeriais, familiares ou profissionais. Como viajantes que somos, precisamos ter um rumo definido, uma direção, um destino escolhido. Não podemos viver à deriva. É importante que estabeleçamos alvos na vida, não apenas materiais, mas espirituais e eternos. A CONSTRUÇÃO DO NAVIO “No coração dos mares estão os teus termos; os que te edificaram aperfeiçoaram a tua formosura. De ciprestes de Senir fizeram todas as tuas tábuas; trouxeram cedros do Líbano para fazerem um mastro para ti. Fizeram os teus remos de carvalhos de Basã; os teus bancos fizeram-nos de marfim engastado em buxo das ilhas de Quitim. Linho fino bordado do Egito era a tua vela” (Ez.27.4-7). Para todos os nossos empreendimentos, precisamos passar pela etapa de preparação. Não sejamos negligentes. É preciso que seja feito o melhor investimento possível. No citado texto, notamos a alta qualidade como elemento prioritário. O preço seria igualmente elevado. Economizar nesse momento pode ser medida imprudente. A infância, por exemplo, é um período precioso, quando os pais estão preparando os filhos para a vida. Em seguida, vem a adolescência e a juventude, ocasiões propícias para que se prepare, no que for possível, para a vida profissional, o casamento e a constituição familiar. Quando estes propósitos são realizados prematuramente, sem o devido preparo, é como se o barco fosse colocado na água antes da hora. Tendo sido, porém, terminada e bem feita, a embarcação estará apta para enfrentar os embates de sua missão oceânica. O INÍCIO DA VIAGEM Depois de pronto, o navio precisa sair do cais. Ele não pode ficar eternamente ancorado, evitando os desafios do mar aberto. O propósito de sua existência não é o eterno estacionamento. Barco que não navega cria lodo, mofa, enferruja e apodrece. Tais são os efeitos da omissão. Todo ser humano precisa crescer, sair do seu lugar de conforto e estabilidade para alcançar outros locais e novas experiências (Gn.12.1). Contudo, nada disso pode ser feito com irresponsabilidade. Apesar da possível resistência inicial, sair do cais ainda é a parte mais fácil da viagem. Nesse começo, geralmente, tudo parece tranquilo e promissor. As águas litorâneas costumam ser relativamente calmas e, em caso de agitação, o porto está ao alcance do marinheiro. Os viajantes partem cheios de boas expectativas, principalmente aqueles que fazem a primeira viagem. A infância é uma época de fantasias coloridas para a maioria das crianças. O futuro parece um lugar agradável aonde se deseja chegar rapidamente. Ser adulto, aos olhos infantis, parece sinônimo de independência e liberdade, uma idade em que, supostamente, será possível obter e fazer tudo o que se deseja. O princípio da vida cristã também pode ser uma experiência tão maravilhosa que o mundo parece ter ficado mais belo. Muitos problemas ficaram para trás e experiências gloriosas se aproximam. Da mesma forma, o início de um negócio ou de um relacionamento, pode ser excelente. Contudo, quando se chega em alto mar, algo pode mudar. Muitas surpresas podem ocorrer. QUEM AVANÇA RENUNCIA Quando o navio se afasta do porto, muitas coisas ficam para trás. Não é possível alcançar novas terras sem que algo seja abandonado e perdido. O viajante não pode levar sua casa com todos os seus pertences. Todo crescimento tem essa característica: a perda. O adolescente perde sua vida infantil, seus brinquedos, roupas e regalias. O adulto renuncia a casa dos pais e os costumes juvenis. Quem se casa perde prerrogativas da vida de solteiro em troca da constituição familiar. Assim também, quem decide seguir a Cristo, deve abrir mão dos prazeres do mundo e das artimanhas do velho homem. É o preço a ser pago. Contudo, o ganho é muito maior do que a renúncia. O apego excessivo pode impedir o desenvolvimento. “Esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo...” (Fp.3.13-14). O MEIO DA JORNADA “Os teus remadores te conduziram sobre grandes águas; o vento oriental te quebrantou no meio dos mares” (Ez.27.26). Estar no meio do mar pode ser assustador. A grandeza do oceano faz com que nos sintamos insignificantes. Tal é o nosso sentimento diante dos grandes empreendimentos, desafios e problemas da vida. Por isso, precisamos de Deus. Os navios antigos, por não terem motores, dependiam dos remos, mas principalmente do vento. Sua falta seria um problema. A calmaria nos paralisa. É um tempo quando nada acontece. Precisamos esperar. É hora propícia para o descanso, embora a ansiedade nos assedie. Em outros momentos, os ventos são contrários (At.27.4). As circunstâncias nos impelem em sentido oposto ao que desejamos. Precisamos resistir, recolher as velas e remar. Durante grande parte da viagem, os navegantes não veem a terra, nem a origem nem o destino. Nesse momento não se pode viver por vista, mas pela fé. A determinação em prosseguir deve ser obstinada. A insegurança e o medo nos ameaçam, mas a fé os sobrepuja e vence. Quantas vezes nos sentimos assim? Não vemos coisa alguma. Nosso passado está perdido e o futuro parece inatingível. Porém, nossa confiança está em Deus, que não nos deixará perecer. Os navios antigos não possuíam bússola. A orientação era determinada pela posição do sol e das estrelas (At.27.20). Logo, o navegador deveria olhar para cima quando precisasse se orientar. Nós também não podemos viver apenas por referências terrenas, pois estas são incertas. “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl.3.2). Os perigos marítimos são muitos, principalmente naquelas viagens dos tempos bíblicos, quando as naus não eram tão fortes e equipadas como as atuais. Os recursos de navegação eram rudimentares. Em todos os tempos, porém, alguns riscos são comuns: as rochas submersas (Jd.12), os icebergs, os piratas e, principalmente, as tempestades. Os icebergs são traiçoeiros, pois a parte submersa pode ser muito maior do que a que se vê na superfície. Não podemos subestimá-los, considerando-nos, por arrogância, capazes de enfrentá-los. Por esta causa, pereceu o Titanic, em 1912. Algumas situações que parecem ruins podem tornar-se péssimas. Alguns indivíduos que não parecem confiáveis, podem ser muito perigosos. Devemos ser prudentes, evitando lugares e pessoas que possam representar riscos desnecessários (Tt.3.10; IITm.2.16). As colisões do percurso podem causar avarias ao casco. Um pequeno furo pode ser suficiente para que entre muita água, capaz de levar a pique uma grande embarcação. Portanto, não podemos considerar de pequena importância os pecados que tenazmente nos perseguem, por mais inofensivos que possam parecer. Quando se está no meio de um trajeto, o risco de continuar é semelhante ao risco de retroceder. Então, prossigamos para o alvo. A jornada é longa e o deslocamento é quase sempre lento. Sejamos pacientes e perseverantes. Não vale a pena voltar. Não façamos como os israelitas que desejaram retornar ao Egito (Num.14.3). “O justo viverá da fé e se ele retroceder, a minha alma não tem prazer nele” (Heb.10.38). A TEMPESTADE “Mas o Senhor lançou sobre o mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, de modo que o navio estava a ponto de se despedaçar” (Jn.1.4). Algumas vezes, a embarcação é atingida pela forte chuva, sacudida pelo vento e açoitada pelas grandes ondas. Suas estruturas são provadas com rigor. É assim também conosco. Somos atingidos por muitas tribulações que parecem destruidoras. As tempestades são previsíveis. Não sabemos quando virão, mas sua vinda é certa. Erram gravemente aqueles que se iludem, pensando que a vida seja fácil, imaginando que não haja ataques nem reveses. Aquele que se converte ao evangelho de Cristo deve esperar tribulações e lutas, pois elas fazem parte do nosso processo de aperfeiçoamento (Jo.16.33; IPd.1.7; Rm.5.3-5). As dificuldades são necessárias, úteis e importantes para o nosso crescimento. Sabemos que a chuva, seja garoa ou tempestade, vem sobre os maus e os bons (MT.5.45). O apóstolo Paulo enfrentou grande temporal enquanto navegava para Roma (At.27.18). O próprio Jesus, com os discípulos, conheceu a agitação no mar da Galiléia (Mt.8.24). Não é apenas o ímpio que enfrenta problemas sérios na vida. Em alguns momentos, ocorre até o contrário do que se espera: o justo está sendo atribulado, enquanto os incrédulos se encontram em aparente tranquilidade (Sl.73). A tempestade pode ocorrer como ato do juízo divino, mostrando que erramos o rumo (Jn.1.4), ou simplesmente como tribulações naturais que vêm para provar a nossa fé (Mt.8.24). Existem algumas regiões dos mares onde a navegação é desaconselhável. São lugares perigosos, onde as borrascas são constantes ou a profundidade é insuficiente. As estações do ano também ajudam a prever um tempo tranquilo ou hostil. Assim, se o viajante, mesmo alertado, quiser se aventurar, estará assumindo a responsabilidade pelos possíveis danos. Na vida, existem situações que geralmente conduzem ao prejuízo e à morte. Se tantas pessoas pereceram naquele trajeto, por quê haveremos de segui-lo? Se Deus nos tem avisado, por quê seremos insistentes na prática do mal? Não poderemos reclamar quando estivermos encalhados ou submersos. Não há como dizer que todas as viagens serão bem sucedidas. Quando estimulamos as pessas a buscarem seus sonhos, não podemos generalizar a possibilidade de êxito, pois alguns projetos são errados e Deus não os abençoará. O cruzeiro de Jonas fracassou (Jn.1.15). Os navios de Tiro foram destruídos, ainda que tenham sido bem preparados (Ez.27.27). O mesmo aconteceu com os de Josafá (IRs.22.48). Precisamos examinar nossos propósitos, sob a luz da palavra de Deus, antes de colocá-los em prática. CARGAS AO MAR No meio do mar bravio, o barco precisa manter sua flutuabilidade. Para tanto, todo peso que não seja indispensável deve ser lançado fora (Jn.1.4). Muitos viajantes levam bagagem excessiva. São hábitos do passado, ídolos, culpas, ressentimentos, coisas que precisam ser abandonadas. Com elas não poderemos prosseguir. O apego pode ser fatal. “Como fôssemos violentamente açoitados pela tempestade, no dia seguinte começaram a lançar a carga ao mar” (At.27.18). A renúncia precisa ser completa em se tratando daquilo que não pode ser levado para o nosso destino pelo fato de ser incompatível, prejudicial ou inútil. Precisamos nos dedicar ao principal, eliminando o que rouba nosso tempo, energia, dinheiro e outros recursos. Aquele que se recusa a entregar o que precisa ser eliminado corre o risco de naufragar, levando consigo outras pessoas. Em se tratando da vida cristã, o pecado é a carga mais pesada que pode existir (Heb.12.1-2). Alguns, por não renunciarem à iniquidade, naufragaram na fé (ITm.1.19-20). Naufrágio é fracasso, podendo ser mortal ou não, transitório ou definitivo. CLAME AO SENHOR Algumas vezes, enfrentamos situações que são verdadeiras tormentas. Parece que estamos perdendo o controle da vida. Devemos buscar ao Senhor para que nos proteja, de modo que não sejamos tragados pelas ondas. “O mestre do navio, pois, chegou-se a ele, e disse-lhe: Que estás fazendo, ó tu que dormes? Levanta-te, clama ao teu Deus; talvez assim ele se lembre de nós, para que não pereçamos” (Jn.1.6). Aqueles que receberam Jesus Cristo como salvador contam com sua divina presença dentro do barco e podem clamar a ele sempre que for necessário. Todavia, além de estar presente, é importante que ele seja o comandante. Nossas vidas precisam seguir a sua direção. Além de Salvador, precisamos reconhecê-lo como Senhor. Cristo é aquele a quem o vento e o mar obedecem (Mt.8.27). Contudo, é preciso perguntar: Será que nós o obedecemos? A ÂNCORA Este é um dos mais importantes instrumentos das grandes embarcações. É utilizada para prender o navio, de modo que ele não seja levado pelas águas. A âncora é lançada para alcançar algo que está próximo, mas ainda não pode ser tocado com as mãos, seja uma rocha ou o próprio porto. “Ora, temendo irmos dar em rochedos, lançaram da popa quatro âncoras” (At.27.29). “Tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta; a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu...” (Heb.6.18-19). A CHEGADA Se a nossa viagem é feita de acordo com os propósitos do Senhor e se ele comanda o nosso barco, chegaremos salvos ao nosso destino. Que o Senhor nos fortaleça enquanto navegamos nas águas turbulentas deste mundo. Que alcancemos portos seguros, que representam o bom resultado do nosso trabalho com a bênção de Deus. E, ao terminar esta vida, chegaremos à pátria celestial, nosso último porto.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
Pelos Mares da Vida
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
LIÇÃO4/ JESUS, O REDENTOR E PERDOADOR/ SUBSÍDIOS

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quarta-feira, 22 de julho de 2009
Davi e Bateseba
“Pecados em série e suas conseqüências desastrosas”
A bíblia não se cala sobre os erros de seus personagens, mesmo daqueles considerados de grande importância. Esta é uma forte evidência a favor de sua veracidade.
Davi, no dia da batalha, preferiu ficar em casa descansando (ISm.11.1). Aquele que se mostrara tão audacioso no confronto com Golias, agora deixa que outros enfrentem o inimigo. Estaria acomodado após a conquista do trono? Seria uma questão de preguiça, negligência, omissão? Talvez. Sendo rei, podia fazer ou deixar de fazer o que quisesse. Contudo, a soberania sem limites criou oportunidade para o pecado. Houve mau uso de sua liberdade.
Estando no terraço, ocioso, talvez com a mente vazia, viu uma mulher tomando banho. O homem é muito influenciado pelo que vê. Davi não era diferente. Bate-seba, por sua vez, foi imprudente ou mal-intencionada, ao desnudar-se sem os devidos cuidados. Imediatamente, Davi mandou que a buscassem para si. Quem poderia resistir à ordem do rei? Entretanto, verificou-se ali o abuso de autoridade, a serviço da cobiça e do egoísmo. A concupiscência tomou o lugar do amor ao próximo. Todo líder precisa ser vigilante no uso das prerrogativas de sua posição, reconhecendo os limites de sua autoridade. A função de liderança não significa permissão para o pecado nem isenção de responsabilidade. O súdito ou subordinado não deve ser usado como objeto de exploração ou manipulação.
Davi cometeu adultério com Bate-seba e não imaginou que pudesse ser descoberto. Afinal, não houve testemunhas daquele crime (IISm.12.12). Se a mulher dissesse alguma coisa, ninguém acreditaria e ela ainda poderia sofrer punições por acusar o rei.
Quando Bate-seba voltou para casa, o problema parecia encerrado. Contudo, era apenas o início de um longo pesadelo. Muitos cometem atos ilícitos e pensam que tudo se encerrará ao amanhecer, mas caem em laços que os prendem pelo resto da vida.
O ato pecaminoso deu início a uma série de fatos descontrolados, numa seqüência cada vez mais complicada, irreversível e com desfecho trágico.
Na busca pelo prazer irresponsável, ocorreu o efeito colateral: uma gravidez indesejada. Daí em diante, o desejo de esconder o erro crescia junto com as evidências. Foi assim, desde o Éden (Gn.3.7-10).
Davi passou a se comportar como alguém que tenta, desesperadamente, conter um vazamento perigoso. Todavia, cada medida piorava ainda mais a situação. Seu primeiro plano inteligente para encobrir o pecado foi trazer para casa o marido, Urias, que estava no campo de batalha. Assim, todos pensariam que o filho era dele, ainda que alguns traços reais em seu rosto pudessem desmentir a opinião pública. Depois, o que seria daquele menino? Um pequeno príncipe, filho do rei, sem honra, sem palácio e sem herança.
A idéia de transferência da paternidade não funcionou. O soldado recusou-se a dormir no aconchego do seu lar, enquanto seus correlegionários estavam na guerra. Vemos ali um exemplo de solidariedade e renúncia.
Veio então o "plano B": providenciar a morte do marido. E assim foi feito. Urias foi devolvido ao comandante, levando, por meio de uma carta, sua própria sentença de morte. A maldade do rei adquiriu requintes de crueldade. O pecado traz muitas conseqüências, inclusive novos pecados, talvez até mais graves, para encobrir o primeiro. "Um abismo chama outro abismo" (Salmo 42.7). O adultério traz consigo as mentiras, as farsas, o esforço pelo sigilo e, naquele caso, produziu um homicídio. Entretanto, aquela morte foi muito bem arquitetada. Novamente, a inteligência do rei elaborou um plano astuto. Quem poderia dizer que Davi matou Urias? Afinal de contas, ele morreu em combate. Somente o general tinha conhecimento da ordem para que o soldado fosse colocado na linha de frente.
A pedra lançada num lago provoca uma turbulência na superfície que se propaga em forma de ondas em todas as direções. Assim acontece com o pecado cometido. Ele traz muitas conseqüências, algumas imprevisíveis, com efeitos negativos diversos, afetando o pecador e os que estão à sua volta, principalmente a própria família. O Antigo Testamento traz exemplos de famílias destruídas por causa do pecado de um de seus membros, geralmente do pai (Js.7.24-26; Num.16.31-32). No caso de Davi, sua família sofreu graves danos (IISm.12.10-12; 16.22). Também foi destruído o lar de Urias. Além disso, o filho do adultério morreu poucos dias depois do seu nascimento (IISm.12.18).
Notemos, portanto, a seqüência de fatos: adultério, gravidez indesejada, homicídio, morte do filho. Além disso, o mau testemunho de Davi foi motivo de blasfêmias por parte dos inimigos do Senhor (IISm.12.14), motivo pelo qual o castigo precisava ser de conhecimento público. Não permita que isto aconteça em sua vida. Não entre por esse caminho maligno.
O pecado tem algumas repercuções imediatas e outras a prazo. Seus efeitos afetam o passado, o presente e o futuro. Como pode afetar o que passou? Desvalorizando os êxitos anteriores, derrubando o que foi construído, destruindo lares e reputações, corrompendo os conceitos que já estavam consolidados. Quanto ao futuro, as portas se fecham, as expectativas se desfazem ou ficam bastante prejudicadas. O castigo passa a ser aguardado com temor. O pecado abre feridas e deixa cicatrizes. As gerações futuras também podem ser influenciadas negativamente, através de conseqüências naturais e espirituais. No mínimo, receberão o mau exemplo. Na pior das hipóteses, serão exterminadas, como aconteceu com muitos descendentes de Cão.
Depois da morte de Urias, Davi imaginou que seu pecado estivesse seguramente encoberto. Por fim, casou-se com Bate-seba que, nesse tempo, já estava viúva. Aí então, o rei deve ter pensado que tudo estivesse regularizado. Entretanto, o casamento, por si só, não apaga o adultério nem purifica pecados. É preciso arrependimento, conversão e perdão. Davi tomou muitas providências para controlar o caos que ele mesmo provocou, mas foi em vão. As soluções humanas não são suficientes para resolver problemas espirituais causados pelo pecado. A vida de Davi parecia continuar dentro da normalidade, quando o profeta Natã veio lhe fazer uma visita. Deus vê todas as coisas. Ele é testemunha e também juiz. Não existe pecado secreto.
"Esta coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do Senhor" (IISm.11.27).
O profeta recebe de Deus a dura incumbência de repreender o rei. O ministério profético, semelhante ao trabalho do oficial de justiça, é difícil, pois pode envolver grandes desafios e grandes riscos. O porta-voz de Deus não pode ser covarde nem medroso. Naquele tempo, sua missão de cobrar o cumprimento da lei fazia com que ele fosse rejeitado e perseguido (Mt.5.12). Sua companhia nem sempre era desejável. Contudo, seu galardão seria grande.
O profeta não é superior ao rei, mas a palavra de Deus, que é o Rei dos reis, está acima de qualquer autoridade humana. Natã foi até o palácio mostrar ao rei que a autoridade divina não pode ser desconsiderada pelo líder humano. O rei não está acima da lei divina. Chegou o momento da prestação de contas. O profeta veio trazer a acusação e a notificação da sentença, embora com oportunidade para que o réu se manifestasse. A abordagem precisava ser feita com sabedoria. Para tanto, uma parábola foi proposta. Davi, sendo músico e poeta, gostava de parábolas, principalmente sobre ovelhas. Contudo, esta não lhe seria agradável.
Ouvindo a respeito do erro do personagem fictício, o rei se apressou em pronunciar a condenação sobre ele (IISm.12.5). Somos rápidos para julgar os pecados alheios, e lentos para o reconhecimento dos nossos. Então, Natã revelou que o personagem pecador representava o próprio rei. Quando ouvimos a palavra de Deus, precisamos olhar para nós mesmos e não ficar tentando enquadrar as outras pessoas.
Ainda hoje, Deus envia sua palavra para mostrar o pecado, avisar sobre as conseqüências e oferecer misericórdia. Cabe ao pecador responder à voz de Deus e aproveitar sua oportunidade.
Davi poderia mandar matar Natã, dando seqüência à série de pecados que vinham sendo cometidos. Entretanto, ele escolheu aceitar a repreensão e se arrepender. Naquele momento, o rei muda a direção de sua vida. Isto é arrependimento. Naqueles dias, Davi compôs o Salmo 51, expressando todo o seu pesar e transformação.
Se não houvesse mudança, Davi morreria (IISm.12.13). Esta seria a próxima etapa em sua trajetória de transgressões. Afinal, o salário do pecado é a morte (Rm.6.23). Contudo, o rei tomou a decisão correta, escolheu o perdão e a vida. Davi foi perdoado (IISm.12.13).
A todos os pecadores, Deus chama ao arrependimento (At.17.30). Os danos causados pelo pecado podem ser muitos, mas o Senhor deseja livrar nossas almas do inferno, que é a última estação para os que insistem em andar longe dos caminhos do Senhor.
Deus perdoa, mas muitas conseqüências permanecem. Portanto, a prevenção é o melhor remédio. O filho daquela união morreu. Um inocente sofreu a conseqüência do pecado de seu pai. Devemos ser cuidadosos para que os nossos filhos não sejam vítimas de nossas iniqüidades. Sejamos sábios e não loucos. Sábio é aquele que escolhe a justiça e a retidão.
O relato nos ensina sobre o caráter humano e o caráter divino. O amor e a misericórdia de Deus se destacam através do perdão concedido àquele que cometeu pecados tão graves. Talvez não sejamos capazes de perdoar erros de tal magnitude (IISm.12.5).
Por outro lado, a misericórdia de Deus não deve ser utilizada como desculpa para a prática do pecado, pois as conseqüências deste podem ser tão devastadoras a ponto de exterminar o pecador antes do arrependimento e do perdão.
Aprendamos com a história de Davi. Aquele grande servo de Deus cometeu graves pecados, mas não permaneceu neles. Que Deus nos ajude, para que nossas vidas sejam conduzidas dentro da sua vontade, de acordo com a sua palavra, produzindo motivos de glória para o seu nome.
Anísio Renato de AndradeBacharel em Teologia
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Viajando juntos
Administração das diferenças em prol dos objetivos comuns Sob a liderança de Moisés, Israel saiu do Egito, iniciando uma longa jornada em direção à terra prometida. Eram seiscentos mil homens, sem contar as mulheres e crianças (Êx.12.37). Fazendo uma estimativa por baixo, podemos considerar que o povo ultrapassava o número de um milhão e oitocentas mil pessoas. A viagem pelo deserto é uma das mais difíceis que alguém possa realizar. Tal empreitada só foi levada a cabo por causa da intervenção divina. Muitas dificuldades e desafios surgiram no meio do caminho. Um deles era a questão da convivência entre as pessoas. Se em qualquer situação ou lugar ocorrem desentendimentos, o deserto, então, devia aquecer os ânimos e acender as contendas. Quando duas pessoas se unem, as diferenças logo se manifestam e o contraste se torna evidente. O que dizer então de milhares de pessoas viajando juntas? Houve no meio daquele povo grande quantidade de conflitos e problemas de relacionamento. Pouco depois da saída do Egito, Moisés já exercia a função de juiz, procurando resolver as divergências que se multiplicavam. (Êx.18.13-26). A providência imediata para minimizar os atritos foi a promulgação da lei, a partir de Êxodo 20. Observando os estatutos do Senhor, Israel viajaria com mais tranqüilidade. Um conflito digno de nota foi o ocorrido quando Aarão e Miriã se rebelaram contra Moisés (Núm.12). Tal insubordinação podia ter sido o fim da convivência entre os três irmãos. Entretanto, o pecado de Aarão e Miriã foi perdoado e, no capítulo seguinte, continuavam ao lado de Moisés, seguindo na mesma direção. As diferenças entre os israelitas eram inúmeras, mas eles continuavam juntos porque eram unidos por fortes laços e possuíam um objetivo em comum: a terra de Canaã. Não podiam se separar, pois faziam parte do mesmo projeto divino. Precisavam ser perseverantes, apesar das dificuldades. Podemos comparar Israel com a igreja de Jesus. Aquela viagem em direção a Canaã se assemelha à execução dos nossos projetos, envolvendo várias pessoas, em grandes ou pequenos grupos, inclusive na família. Aqueles que nos dão o prazer de sua companhia, também podem nos trazer algumas contrariedades, assim como fazemos a eles. Isto não se dá, necessariamente, por uma questão de erro ou pecado, mas, simplesmente, em função das diferenças individuais. Somos muito diferentes uns dos outros, mas temos também muita coisa em comum, como Paulo escreveu aos efésios: “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos e por todos e em todos vós” (Ef.4.1-6). Estamos viajando juntos. O desejo do Inimigo é que nos separemos. Ele quer ver os irmãos brigando, os casais se separando, os amigos se afastando e as igrejas se desintegrando. Entretanto, o propósito de Deus é que aprendamos a sua palavra e a vivamos, de maneira que os conflitos sejam menos freqüentes. Se, porém, eles ocorrerem, existe um remédio: o perdão. Deus sempre tem nos perdoado. Caso contrário, ele já não andaria mais conosco. Nós, porém, algumas vezes manifestamos dificuldades para perdoar o próximo, o irmão, o líder ou o cônjuge. Em nossa vida, também atravessamos desertos. São fases difíceis, onde tudo parece complexo, as necessidades são muitas e os recursos são poucos. O ambiente torna-se então propício às discórdias, acusações e inimizades. Contudo, precisamos vencer tudo isso, sendo perseverantes em nossa caminhada. Sem perdão, compreensão, paciência e longanimidade, não chegaremos juntos a lugar algum. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt.5.7), mas aquele que não perdoa, não será perdoado (Mt.6.14-15). Enfim, não poderá ficar em igreja alguma, em grupo algum. Acabará isolado por causa da dureza do seu coração e, sozinho, deixará de alcançar muitos objetivos na vida. No trato com as outras pessoas, cada um de nós sempre deve se lembrar de sua própria imperfeição. Assim, estaremos mais aptos a suportar as imperfeições alheias, perdoando e amando. Concluída a travessia do deserto, Israel entrou em Canaã. Também hoje, na igreja, no trabalho, nos grupos e no lar, o amor preservará a unidade. Assim, cumpriremos nossa missão e alcançaremos os objetivos para os quais o Senhor nos escolheu, nos chamou e nos uniu. Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil
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sábado, 18 de julho de 2009
Carta à Igreja de Laodicéia
“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca. Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. (Apocalipse 3.14-22). Laodicéia era uma cidade rica da Ásia Menor. Localizada junto à principal estrada da província, sua posição era estratégica para o comércio. A igreja local gozava de boa situação financeira, o que acabou se tornando motivo de orgulho e de uma injustificável satisfação, como se aprosperidade material fosse mais importante que a condição espiritual. Certamente, aquela congregação tinha algum poder econômico, mas era fraca na fé. Quando se estabelecia algum propósito de ordem financeira, havia recurso abundante para sua realização. Apesar de tudo isso, Deus não estava satisfeito com a igreja. Os valores materiais tomaram o lugar dos espirituais. Quem coloca o dinheiro em primeiro plano, acaba buscando a Deus apenas pelo dinheiro ou tenta fazer negócios com Deus através de dízimos e ofertas. Por outro lado, se o dinheiro é abundante, corre-se o risco de imaginar que ele seja a principal solução para os problemas da vida. Assim, a oração, o jejum e a busca ao Senhor podem acabar em último lugar ou até ficar sem lugar. É possível que estas questões estejam diretamente ligadas à mornidão daquela igreja. Morno é aquele que está no meio do caminho, indeciso, vacilante, indefinido. É a condição de quem não desiste do evangelho nem está disposto a investir sua vida na causa de Cristo. É o caso daquele que acredita no Espírito Santo, mas não o deixa agir; não abandona Jesus nem se dedica a servi-lo. Contudo, a igreja estava contente consigo mesma. Aqueles irmãos tinham uma auto-imagem bastante positiva. Diziam: “somos ricos e de nada temos falta” (Ap.3.17). Sua auto-avaliação era fundamentada em conceitos terrenos e mundanos. Veio, porém, a palavra do Senhor, trazendo o conceito divino sobre a realidade espiritual dos laodicenses. Eles eram espiritualmente miseráveis, pobres e nús, mas não sabiam disso porque estavam cegos. A condição material daquela igreja disfarçava sua lástima espiritual. Da mesma forma, nos nossos dias, muitas pessoas vivem iludidas pelo materialismo e deixam de buscar a realização da alma e do espírito. Outros, até mesmo convertidos, esperam que o evangelho lhes garanta riqueza neste mundo. Não lhes interessa a volta de Cristo ou o reino celestial. Precisamos retornar à palavra de Deus, a bíblia, pois só ela pode curar nossa cegueira ou corrigir a visão distorcida que temos sobre nós mesmos. Assim, saberemos o que nos falta: valores espirituais que só podem ser conseguidos do próprio Deus e não por dinheiro. A teologia de algumas igrejas encontra-se contaminada pelo capitalismo. Arrecadação, lucro, riqueza e luxo têm se tornado objetivos primordiais para muitos cristãos. O normal seria que todo servo do Senhor estivesse em busca de um caráter irrepreensível, formado por virtudes espirituais. Ser rico ou pobre, materialmente, é questão de importância secundária. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm.14.17). “O fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio”. (Gálatas 5.22). Bens materiais são necessários para a vida terrena. Contudo, não podemos colocá-los em primeiro lugar. Nossa relação com Deus não deve ser construída sobre aspirações materialistas. O Senhor exibiu um trágico retrato da igreja de Laodicéia, mas ofereceu também a solução: “Aconselho-te que, de mim, compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.” (Ap.3.18). A igreja precisava se aproximar de Deus em busca de valores espirituais, sendo o principal deles a pureza das vestes, ou seja, uma vida de santificação. Na carta à igreja de Laodicéia não existe nenhuma palavra de elogio. Contudo, temos uma declaração do amor de Deus por aquele povo decadente (3.19). Deus declarou seu amor tanto pelos irmãos de Filadélfia quanto pelos de Laodicéia (3.9). Isto vem apenas confirmar que somos amados, não por nosso merecimento, mas pela vontade soberana de Deus na manifestação de sua própria natureza. Todavia, o texto traz uma advertência velada: Embora o amor de Deus seja um fato (3.19), isto não impedirá que ele vomite os mornos (3.16). Não devemos nos iludir, pois, tão real quanto o seu amor é a sua justiça. Deus aconselha (3.18), repreende e castiga (3.19). Contudo, ele não obriga seus filhos a mudarem. Isso fica bem ilustrado no versículo 20. O Senhor está à porta e bate. Ele não arromba, não força. Ele espera que atendamos à sua voz e abramos a porta. Na carta à igreja de Filadélfia, Deus abriu uma porta (Ap.3.8). No caso de Laodicéia, é a igreja que deve abrir a porta para Deus (Ap.3.20). Quantas portas o Senhor abriu para nós? Quantas bênçãos ele nos deu? Em outros momentos, ele espera que nós lhe abramos a porta, dando ouvidos à sua voz, assumindo uma postura de aceitação, compromisso e intimidade com ele, permitindo que ele entre e domine todas as áreas da nossa vida. Quem abrir a porta, recebendo o senhorio de Jesus, será também por ele recebido na glória celestial, conforme se lê no versículo 21: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono”. “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap.3.22).
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Carta à Igreja de Filadélfia
O livro de Apocalipse começa com a visão do Cristo glorificado. Em seguida, vêm as sete cartas e, em cada uma delas, é mencionada uma característica do Senhor Jesus, conforme o que João estava vendo: seus pés, sua boca, seus olhos, etc. O detalhe enfatizado tem, geralmente, uma relação com o teor da mensagem àquela congregação específica. Cada característica do Mestre vem suprir a necessidade de cadasituação. No caso da igreja de Filadélfia (Ap.3.7-13), vemos nova referência à chave, símbolo de autoridade, já citada em 1.18. Estamos habituados ao conceito de autoridade relativa, de acordo com posições hierárquicas. Ali, porém, notamos o aspecto da soberania de Cristo, pois ninguém pode fechar o que ele abriu ou abrir o que ele fechou (3.7). O nome do rei Davi é citado no texto por ser um tipo do governo messiânico. Toda esta supremacia do Senhor contrasta com a pequena força da igreja (3.8). Se olharmos para nós mesmos, talvez fiquemos desanimados diante da nossa limitação. Entretanto, é o Senhor que vai adiante de nós. Com nossas próprias forças e recursos não poderíamos abrir nenhuma porta, mas Deus abre as portas diante da igreja (3.8), pois ele tem as chaves (3.7). A autoridade divina supera toda força humana ou a sua falta. Sejamos, portanto, confiantes. A igreja vive sob ameaças, riscos e desafios, mas não precisa temer. O Senhor é a sua garantia. Ele é o verdadeiro (3.7) que vencerá os mentirosos (3.9). Não precisamos ser muito fortes, mas muito crentes. Assim venceremos. Em situações de dificuldade, necessidade e aperto, precisamos de uma porta. Talvez até consigamos vê-la, mas ela se encontra fechada. Nesse caso, oremos àquele que tem as chaves em suas mãos. Ele pode mudar situações e nos mostrar um caminho. Precisamos, porém, estar conscientes de que algumas portas não serão abertas porque foi o próprio Deus quem fechou. Talvez estejamos diante delas batendo, insistindo, empurrando e chorando para que se abram. Entretanto, Deus sabe o que está lá dentro e, se ele não abrir, estejamos certos de que o Senhor quer apenas o que for melhor para nós de acordo com os seus desígnios. Apesar de toda a ação divina a favor da igreja de Filadélfia, ainda lhe restavam algumas responsabilidades. O Senhor colocou diante daqueles irmãos uma porta aberta. Entretanto, entrar por ela ou não seria uma decisão deles. Queremos que Deus faça tudo sozinho? Ele não fará aquilo que é da nossa competência. Porta representa oportunidade, uma entrada, uma saída, um meio de acesso. Não sabemos qual era exatamente a porta que o Senhor abriu para aquele povo. Contudo, precisamos identificar as que ele tem aberto para nós. Não podemos ficar parados diante elas, esperando que ele nos carregue para dentro. Devemos levantar e andar. Precisamos tomar algumas decisões e iniciativas para não deperdiçarmos as bênçãos que o Senhor nos oferece. Não podemos fechar a porta que ele abriu, mas podemos negligenciá-la, sendo omissos, irresponsáveis ou preguiçosos. É o caso daquele que tem escola, mas não estuda; tem emprego mas não trabalha; tem ministério mas não exerce. De fato, cada dia de vida representa uma nova oportunidade que Deus nos dá, uma porta aberta para muitas realizações. O texto mostra ações de Deus e ações da igreja. O Senhor dá o que a igreja precisa, mas é nossa responsabilidade guardar o que recebemos (Observe o verbo “guardar” em 3.8,10,11). Guardamos aquilo que valorizamos. Temos a tendência de guardar costumes e tradições, mas precisamos verificar se estes são os verdadeiros valores do evangelho. O que a igreja de Filadélfia precisava guardar? Temos pelo menos dois tópicos fundamentais: o nome de Jesus (3.8) e a palavra de Deus (3.8,10). Este é o segredo de resistência do cristão contra o Inimigo. Se colocarmos o nosso nome, a nossa denominação, acima do nome de Jesus, corremos o risco de cair. Se negligenciarmos a palavra de Deus, cairemos de igual modo. Guardando a palavra, a igreja também seria guardada na hora da tentação. A carta à igreja de Filadélfia não traz nenhuma palavra de repreensão, mas de advertência. A igreja estava bem aos olhos de Deus. Porém, precisava manter sua posição de fidelidade e vigilância. Apesar de sua pequena força, seria vitoriosa sobre os emissários do inimigo (3.9), identificados como “sinagoga de Satanás”. Filadélfia significa “amor fraternal” e na carta a ela destinada o Senhor Jesus faz uma declaração: “Eu te amo” (3.9). O amor do Senhor por nós nunca deve ser esquecido ou colocado em dúvida por causa das tribulações. Naquele momento histórico, Jerusalém e o templo já tinham sido destruídos. Lembrando disso, vemos com mais propriedade a promessa de bênção no fim da carta, onde são citados um novo templo e uma nova cidade: “Ao que vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu do meu Deus, e também o meu novo nome. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Ap.3.12-13).
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Carta à Igreja de Sardes
As mensagens das cartas às sete igrejas da Ásia são aplicáveis sob o ponto de vista eclesiástico, ministerial ou pessoal. Eclesiástico por serem destinadas às igrejas, abordando suas características, seus erros e acertos; O aspecto ministerial está no fato de que cada carta é dirigida diretamente ao anjo da igreja, normalmente interpretado como sendo seu líder. Os problemas e desafios da congregação estão relacionados à maneira como seus líderes exercem suas funções. Líder e comunidade se confundem no conteúdo das cartas. A aplicação é também individual porque todo problema eclesiástico nasce de situações pessoais. A mensagem aos irmãos de Sardes começa com o confronto entre dois pontos de vista: o humano e o divino. Aos olhos do homem, a igreja era viva, ativa e eficiente. Aos olhos de Deus, era morta (3.1). Vida e morte são os temas centrais da carta (3.1,2,5). Está em questão o que parecemos diante dos homens e o que realmente somos diante de Deus e diante dos anjos (3.2,5). A bíblia na Nova Versão Internacional nos diz que aquela igreja tinha “fama de estar viva”. De que adianta sermos famosos neste mundo e desqualificados no céu? Aquela igreja agradava aos homens, mas entristecia o coração de Deus. A aparência estava ótima, mas a essência era a morte. O exterior funcionava bem, mas as questões interiores estavam mal resolvidas. A superfície estava em ordem, mas o Senhor sonda em profundidade. Como avaliamos nossas igrejas, nossos ministérios e nossas vidas? E como Deus avalia? Podemos estabelecer alvos materiais relacionados à construção de templos, à realização de eventos sociais, ao patrimônio, à conta corrente, etc. Talvez estejamos bastante satisfeitos pelos objetivos já alcançados nesses assuntos. Nada disso é ruim, e pode até ser ótimo. Entretanto, tais propósitos não constituem a razão de existir da igreja do Senhor Jesus. Olhando para a organização eclesiástica, talvez vejamos tudo funcionando muito bem: secretaria, tesouraria, departamento infantil, união de jovens, corpo diaconal e outros setores. A liturgia é seguida com rigor. Tudo acontece dentro do horário e nos padrões determinados. Mas, será que isto é vida espiritual? Talvez o defunto esteja muito bem vestido, mas lhe falte o principal: fôlego de vida. Como podemos perceber a vida de uma igreja? Verificando se ela está cumprindo sua missão e apresentando resultados pelo poder do Espírito Santo. O evangelho está sendo pregado? Vidas estão sendo salvas? Como estão as reuniões de oração? E os jejuns? Estes são alguns termômetros para verificação da vida espiritual. O crescimento da igreja pode ser um bom sinal, desde que não seja o único. Vejamos outros sinais: Os salvos estão se santificando? Enfermos têm sido curados? Endemoninhados têm sido libertos? Se nada disso está acontecendo, algo está errado, muito errado. Se o sobrenatural não acontece na igreja, pode ser que ela tenha perdido a conexão com o céu. A igreja universal do Senhor Jesus Cristo nunca morrerá, mas uma igreja local pode morrer. Como acontece a morte de uma igreja? Primeiro, descuida-se da sã doutrina (IITm.4.3); Em seguida, a igreja adoece pela prática do pecado. Depois, morre, “porque o salário do pecado é a morte.” (Rm.6.23a). O que resta então? Um clube, uma mera associação, com nome de igreja. A igreja de Sardes estava contaminada pelo pecado, à exceção de algumas pessoas, conforme se lê em Ap.3.4. Pode-se argumentar que em qualquer congregação ocorrerá, eventualmente, a prática pecaminosa em alguma escala. Pode ser, mas alguns pecados atingem a coletividade, contaminando-a e podendo levá-la à morte. Por exemplo, os pecados do líder, principalmente aqueles que produzem escândalo ou servem de exemplo para o povo; ou o pecado da congregação contra o líder, tal como a rebelião; ou ainda a heresia que se dissemina contaminando a fé e o culto. O que fazer? O melhor tratamento é a prevenção. Cuide da saúde doutrinária de sua igreja. Nossos corpos necessitam de boa e constante alimentação para que se mantenham saudáveis e ativos. Assim também, a igreja precisa se alimentar com a palavra de Deus (Mt.4.4), de modo constante e intenso. Precisamos tomar cuidado com muitas coisas que podem nos afastar da pregação e do estudo bíblico. Muitas atividades da igreja são boas, mas não podemos permitir que o estudo bíblico seja desprezado, deixando de ser ministrado ou freqüentado. Aquele cristão que participa de todas as reuniões de louvor e adoração, mas negligencia o estudo da Palavra está fadado à subnutrição espiritual. Na hora da tentação, da provação, ele não resistirá. Apesar da péssima condição da igreja de Sardes, ainda havia esperança enquanto Cristo não voltasse – 3.3. A carta foi um ultimato. Tal é a situação de muitas igrejas atualmente. Em que consistia a esperança daquele povo? O Senhor lhe exortou, dizendo: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora virei a ti.” (Ap.3.3). Se igreja tinha “recebido” algo, é porque o Senhor muito lhe havia dado. Se ela podia “ouvir” é porque a palavra de Deus lhe fora falada. Agora cabia àqueles irmãos: lembrar, guardar, arrepender e vigiar. O Senhor já fez muito por nós, mas muitas vezes deixamos de lado o que seria da nossa responsabilidade. O que fazer agora? É necessário um retorno urgente à bíblia. Ela é o remédio que pode ressuscitar os mortos e curar os que se aproximam da cova. É da maior urgência a necessidade de retomarmos a leitura e o estudo profundo das Escrituras, pois elas produzirão a consciência do pecado e o arrependimento. De acordo com a Pequena Enciclopédia Bíblica, de Orlando Boyer, a igreja de Sardes se desviou e foi destruída. Infelizmente, aquela história não teve um final feliz. Entretanto, podemos agir de modo diferente, pois o Senhor tem enviado a sua palavra para nos despertar. Clamemos ao Senhor por misericórdia para que ele nos desperte e nos vivifique pelo seu Espírito Santo. Não permitamos que a morte reine em nosso meio, porque o desejo de Jesus é que tenhamos “vida e vida em abundância” (João 10.10). Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil
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LIÇÃO 03/ JESUS, A LUZ DO CRENTE/ SUBSÍDIO

Objetivo: Mostrar que somente iluminados por Cristo poderemos refletir a sua glória e ser luz para o mundo.
INTRODUÇÃO
A relação entre luz e trevas é recorrente nos escritos de João. O que Deus nos revela, nas palavras desse Apóstolo? A esse respeito estudaremos na lição de hoje, mostrando que Jesus é a luz que dissipa as trevas. Ao final, veremos que os cristãos, como filhos da luz, devem resplandecer a luz de Cristo.
1. TREVAS E LUZ NOS ESCRITOS DE JOÃO
Nas Escrituras em geral, intelectualmente, luz é verdade, e trevas é ignorância e erro. Moralmente, luz é pureza e trevas é mal. A revelação de Deus através da mensagem profética é descrita na Bíblia como luz (Pv. 6.23; Sl. 119.105,130; II Pe. 1.19). Em Is. 42.6 e 49.6, Deus diz que faria Seu servo – Jesus - “luz para os gentios”. Paulo também escreveu aos crentes de Corinto sobre a “iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (II Co. 4.4,6). No Evangelho segundo João, existem várias passagens que tratam a respeito do simbolismo da luz. Três delas dão ênfase à luz como revelação da verdade (Jô. 9.4,5; 12.35, 36, 46; 11.9,10). Nesse evangelho, a luz tem um efeito moral, já que os homens são chamados a andar na luz. Em Jo. 3.19-21 há uma relação entre luz e pureza, trevas e mal. Por isso, os homens não apenas devem conhecer a verdade – intelectualmente – devem também praticá-la – moralmente. Não podem apenas ver a luz precisam também andar nela. Em I Jo. 2.8-11 encontramos uma alusão direta à luz em sua implicação moral. Qualquer pessoa que diz estar na luz (v. 9) precisa mostrar que está andando em amor (v. 10,11).
2. JESUS, A LUZ QUE ILUMINA AS TREVAS
Em Jo. 8.1-20, Jesus afirma ser a luz do mundo. Com essas palavras o Senhor declara que o mundo se encontra em trevas. Isso tem sido assim desde a queda do homem no pecado. Por andarem nas trevas os homens não compreendem a verdade de Deus. Mesmo com todo o avanço científico, as “trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos” (Is. 60.2). Jesus chama as pessoas a seguirem-NO para que deixem de andar em trevas e passe a ter a luz da vida. Esse ato deve ser integral, sem reservas, pois aqueles que seguem a Cristo precisam se entregar totalmente a Ele, seguindo o Cordeiro onde quer que Ele vá (Ap. 14.4). Deixar de seguir a Cristo é uma atitude de ignorância espiritual. Não existe outro modo de se aproximar de Deus, de sair das trevas, a não ser a aproximação do Pai através de Cristo (Jo. 14.6). A falta de conhecimento de Cristo é proporcional à ausência de conhecimento de Deus. Esse desconhecimento não é apenas de ordem intelectual, trata-se de uma falta de compromisso com o discipulado cristão. O Senhor disse que quem quiser ir após Ele deve negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Mt. 16.24).
3. OS CRISTÃOS, FILHOS DA LUZ
No Sermão do Monte, em Mt. 5.14-17, Jesus afirma que os cristãos também são “a luz do mundo”, assim como Ele mesmo é a luz (Jo. 8.12; 9.5; 1.4,9; 3.19; 12.35,36). Os discípulos de Cristo devem resplandecer a Sua luz sobre o mundo, como luzeiros (Fp. 2.15), seguindo o exemplo também deixado por João Batista, a respeito do qual é dito que era uma lâmpada para os seus dias (Jo. 5.35). A luz deve ser colocada no velador – um sustentáculo de pedra fixado na parede no qual a lâmpada era posta – não debaixo de um alqueire – um recipiente utilizado para medir grãos. O objetivo da luz de Cristo sobre os crentes é para que os descrentes vejam “as boas obras” e glorifiquem ao Pai que está nos Céus.
CONCLUSÃO
Os crentes em Cristo devam andar na luz (I Jo. 1.7), isto é, ter uma vida santificada perante o Senhor e as pessoas crentes e descrentes (Ef. 5.8). Como diz o hino 96 da Harpa Crista: “Se na luz estamos, que divina luz! Se nos limpa sempre o sangue de Jesus, temos claridade em nosso coração, e vivemos nós na luz”.
BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
STOTT, J. R. W. I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Carta à Igreja de Tiatira
Identificação do remetente Dirigindo-se aos irmãos de Tiatira, o Senhor Jesus se apresenta como aquele que tem os olhos semelhantes à chama de fogo (2.18), que brilha, ilumina, aquece, queima e consome. Ele vê a igreja, sondando-lhe profundamente “os rins e o coração” (2.23). Apresentação do destinatário Aquela congregação tinha muito crédito diante de Deus. Foi elogiada por seu trabalho, paciência, fé e amor (2.19). Suas qualidades eram exteriores e interiores. Suas obras eram cada vez mais numerosas. Lendo apenas o versículo 19, poderíamos considerá-la uma igreja completa, exemplar. Entretanto, sua falha estava no excesso de tolerância. Em sua disposição de amar, talvez tenha se confundido um pouco, chegando a aceitar o inaceitável. “Tenho contra ti que toleras Jezabel...” (2.20). Amar não significa tudo aceitar. Ainda hoje, o amor tem sido usado como escudo para esconder o mal e permitir o pecado. Quantos casais caem no erro em nome do amor? Quantos falsos profetas e falsos mestres são tolerados em nome do amor? A falsa profetiza O nome Jezabel, com intenção aparentemente simbólica, nos lembra a rainha de Israel, mulher do rei Acabe (IRs.16.31), que ficou marcada na história como cruel, manipuladora, sedutora e idólatra (IRs.19.1-2). Para se insinuar, usava enfeites na cabeça e pintura em torno dos olhos (IIRs.9.30). Tentando enganar o povo de Deus, apelava para atos religiosos, como o jejum (IRs.21.9). A Jezabel do Apocalipse carrega esse caráter, acrescentando ainda as profecias e o ensino. Tal referência parece indicar alguém na igreja de Tiatira que profetizava, ensinava, tinha aparência agradável e propósitos malignos. É uma pessoa em posição de liderança, parece ter dons espirituais, exerce o ministério do ensino (2.20), mas vive no pecado da idolatria (2.20), da prostituição (2.20) e do adultério (2.22). Precisamos ficar atentos para esse tipo de pessoa dentro das igrejas. Não podemos nos iludir com aparência ou eloqüência, nem ficar impressionados com profecias, mas devemos observar seu modo de vida, pois seu exemplo pode influenciar muitos servos de Deus (2.20), levando-os ao pecado. Aquela mulher parecia ser usada pelo Espírito Santo, com dons, profecias, capacidade para ensinar. Entretanto, havia outro espírito agindo nela. Tinha aparência de espiritualidade, mas vivia na carnalidade. Suas palavras podiam ser agradáveis, mas suas obras eram malignas (2.20-22). Deus fala através de profecias, mas nem toda profecia vem de Deus. As mensagens proféticas devem ser julgadas à luz da bíblia (ICo.14.29). Precisamos rejeitar toda palavra que não esteja de acordo com as Sagradas Escrituras, principalmente aquela que nos induz ao pecado. É provável que essa “Jezabel” tenha profetizado na igreja, defendendo veladamente os alimentos sacrificados aos ídolos e a prostituição, mas o Senhor, zeloso por seus servos, levantou João, o verdadeiro profeta, para desmascarar aquele engano. Conseqüências do pecado Durante algum tempo, a falsa profetiza esteve confortável na igreja de Tiatira, até que veio sobre ela o juízo de Deus e a conseqüência do seu pecado. O texto diz que ela seria “colocada sobre uma cama” (2.22). A Nova Versão Internacional diz que ela ficaria doente. Na seqüência vem “grande tribulação” (2.22) sobre seus amantes. A idolatria, a prostituição e o adultério não ficarão impunes, a não ser que haja arrependimento. Como não houve (2.22), o castigo se agravou no versículo seguinte, trazendo morte sobre os filhos de Jezabel. O pecado dos pais traz danos terríveis para os filhos, mormente sobre os que nascem das relações sexuais ilícitas. O tempo da misericórdia O Senhor disse: “dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição, e não se arrependeu” (2.21). Tempo é oportunidade. Em todas as cartas temos a marca do amor de Cristo pela igreja e até pelos falsos. Até Jezabel teve sua oportunidade de arrependimento. Porém, não quis aproveitá-la. Enquanto o juízo não vem, pode-se pensar que Deus seja tolerante com o pecado, mas não é isso. Trata-se do tempo da misericórdia que antecede o julgamento e a sentença. Purificação da igreja Poderíamos perguntar: por quê Deus permite a presença de pessoas assim na igreja? Entretanto, o Senhor está perguntando por quê nós permitimos. Ele disse ao anjo, ao líder da igreja: “Tenho contra ti que toleras Jezabel...”. Era responsabilidade do líder extirpar aquele mal do meio da congregação. Cabe ao líder zelar pela saúde doutrinária de sua comunidade eclesiástica e não confundir amor com omissão. Os crentes fracos devem ser ajudados, mas os que ensinam falsas doutrinas devem ser afastados do grupo. Não se pode tolerar a presença do lobo dentro do aprisco. Perseverança dos salvos Daqueles que não se contaminaram com os referidos pecados, o Senhor esperava perseverança (2.24-25). De nada adianta ser um cristão temporário, que se desvia diante da primeira tribulação. Precisamos ser perseverantes até a vinda do Senhor. O advérbio “até” nos dá idéia de continuidade, insistência, e fidelidade, a despeito das circunstâncias. Os que assim viverem, praticando a vontade do Pai, serão por ele recompensados. O vencedor terá autoridade sobre as nações (2.26). O texto parece se referir ao reino milenar (Ap.20), quando, juntamente com Cristo, a igreja reinará sobre a terra. Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Carta à Igreja de Pérgamo
“ Ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes: Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Entretanto, algumas poucas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem. Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas. Arrepende-te, pois; ou se não, virei a ti em breve, e contra eles batalharei com a espada da minha boca. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe ”. (Apocalipse 2.12-17). A guerra implícita Todas as cartas às sete igrejas da Ásia incluem uma promessa “ao vencedor” (2.7, 11, 17, 26; 3.5, 12, 21). Se é possível vencer ou ser derrotado, significa que existe uma guerra em andamento. Isto fica evidente na carta à igreja de Pérgamo pelo destaque que se dá à espada (2.12,16) e pelo uso do verbo “batalhar” (2.16). Aquelas igrejas estavam em constante combate, não entre si, mas contra Satanás (2.9, 10, 13, 24; 3.9), que se fazia representar de várias formas e com diversas estratégias. Tal realidade não é diferente da nossa. Também somos igrejas do Senhor e estamos na frente de batalha. Os soldados de cada lado Assim como Deus usa homens para realizar muitos de seus propósitos, o inimigo também usa. Por quem ser usado é uma questão da escolha que cada pessoa faz. Pelo lado do bem, o texto nos apresenta o exemplo de Antipas, fiel testemunha do Senhor (2.13). Pelo lado mau, temos os nomes simbólicos de Balaão e Balaque (2.14), representando o poder religioso e político respectivamente. O versículo 15 contém a presença discreta de um tal Nicolau, outro líder religioso. O diabo sempre tenta utilizar todo tipo de influência para nos atacar ou perseguir. Se ele puder usar líderes religiosos ou governantes, ele o fará com proveito. Não podemos cometer o erro da generalização, condenando todos os religiosos ou políticos, mas sabemos que através de heresias, falsas doutrinas, leis injustas e decisões arbitrárias, o povo de Deus tem sido prejudicado e perseguido durante a história. O campo de batalha Aquela igreja estava no território do inimigo. Satanás habitava naquele lugar e ali estava o seu trono (2.13). Deus não mandou a igreja se mudar dali, pois ele precisava de fiéis testemunhas naquela cidade. Aquele local era desconfortável. A perseguição era intensa, mas a igreja não podia ir embora. Muitos servos de Deus, ainda hoje, estão em lugares difíceis, mas devem ser luz no meio das trevas. Vitória sobre os ataques diretos (2.13) O objetivo do maligno é destruir as nossas almas. Para isso, ele tenta nos fazer desviar do caminho do Senhor. Esta é a ênfase de Ap.2.13. A igreja foi tentada a negar a fé e renunciar ao nome de Jesus. Entretanto, foi vitoriosa, pois manteve sua posição. A guerra, porém, ainda não havia terminado. Derrota diante das influências sutis (2.14-15). Se Satanás não consegue nos tirar do caminho, ele colocará tropeços à nossa frente, conforme se vê no versículo 14. Se ele não consegue nos tirar a fé, tentará fazer acréscimos à nossa doutrina, inserindo seu veneno de forma sutil. Se você resolve não abandonar a igreja, ele tentará armar seus laços lá dentro mesmo. Se ele não nos vence pelo mundanismo, tentará nos conduzir a um tipo de religiosidade vazia, infrutífera e inútil. Mesmo não negando o nome de Jesus, ainda corremos o risco de sermos apenas cristãos nominais. A experiência de Israel (Num.22 a 25) é lembrada no versículo 14 como alerta para a igreja de Pérgamo. Os moabitas, súditos de Balaque, não tinham poder militar para enfrentar os israelitas. Balaão, por sua vez, não podia amaldiçoar o povo de Deus. Então, usaram outra estratégia: uma aparência de amizade. Ofereceram comida, carinho e afeto aos filhos de Israel. Assim, eles comeram alimentos sacrificados aos ídolos e se prostituíram. Tal estratagema teve alto nível de eficácia, pois levou ao pecado e à morte milhares de pessoas do povo de Deus. A participação dos israelitas em cerimônias idólatras pode ser comparada ao ecumenismo tão difundido atualmente. Devemos amar e respeitar todas as pessoas, mas misturar o culto a Deus com a idolatria não é aceitável. Observamos que, passados tantos séculos entre a experiência de Israel e o Apocalipse, a estratégia do inimigo continua a mesma. Eis uma das razões pelas quais o Antigo Testamento continua útil. Aqueles cristãos de Pérgamo tinham apresentado grande resistência aos ataques diretos (2.13), mas alguns sucumbiram diante das influências sutis (2.14-15). Continuaram dentro da igreja, mas seguiam uma doutrina estranha. Foram vitoriosos em um momento (2.13) e derrotados em outro (2.14-15), quando permitiram que “poucas coisas” (2.14) fossem semeadas pelo inimigo. Não é preciso muito fermento para levedar a massa. Muitos cristãos hoje não negam sua fé (2.13), mas caem na prostituição, no adultério ou em outras relações ilícitas (2.14). Estão sendo vencidos pelo Diabo do mesmo jeito. Nova oportunidade Apesar das derrotas sofridas, ainda havia esperança para aquele povo. O Senhor disse à igreja: “Arrepende-te” (2.16). Queres vencer Satanás? Arrepende-te do pecado. O arrependimento é acompanhado pelo perdão. Esta é a única forma de reverter a situação. Outras batalhas virão e precisam ser vencidas. Pior do que cair é desistir de caminhar. Se caíste, levanta-te e prossegue no caminho do Senhor. Só o arrependimento, a mudança de atitude, o abandono do pecado, nos coloca de volta à posição de vitória. A recompensa final Em Ap.2.17 vemos o fim triunfal para os vencedores. Aqueles que renunciaram à comida dos ídolos (2.14), comerão do maná escondido (2.17). O maná é a provisão divina para as necessidades humanas. É o alimento celestial que traz sustento e satisfação para as nossas almas, algo que o mundo não pode oferecer. “ As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para aqueles que o amam ” (ICo.2.9) Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Esse texto fala de experiências pessoais e intransferíveis. Embora a batalha seja da igreja, a recompensa é individual. Por isso está no singular: “Ao vencedor...”. O último versículo da carta se refere a experiências sobrenaturais com Deus, reservadas para aqueles que resistiram às ofertas do maligno ou se arrependeram de tê-las recebido. Existe um tom de mistério no texto. O maná está “escondido” e o novo nome só será conhecido por aquele que o receber. Temos aí o aspecto de segredo que sempre envolve o galardão reservado para os justos.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil
Postado por Assembléia de Deus 5 dejulho às 11:00 0 comentários








