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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O crente e o discípulo

"Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou... Ditas estas coisas, muitos creram nele. Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos." (João 8.28,30,31).

O episódio narrado por João nos apresenta o encontro de alguns judeus com Jesus. Aqueles homens eram religiosos. Professavam uma religião voltada para o verdadeiro Deus. Contudo, precisavam de Jesus. Todos precisam dele, até mesmo os religiosos. Nenhuma religião é suficiente para nos levar a Deus, pois Cristo é o único caminho para se chegar ao Pai (João 14.6).

Jesus estava ensinando a respeito de sua missão. Como conseqüência, muitos creram nele. A palavra de Deus produz a fé (Rm.10.17). Tendo crido nele, aqueles judeus se tornaram crentes. Muitos poderiam considerar que isso já seria o bastante. Contudo, Tiago escreveu que os demônios também crêem em Deus (Tg.2.19). No versículo 31 de João 8, Jesus expôs o seu propósito para aqueles hoAnísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.mens: "Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos." Ser crente é fundamental, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hb.11.6). Contudo, este não é o fim do caminho. É apenas o início. Não basta sermos crentes. Precisamos ser discípulos de Jesus.

Qual é a diferença entre o crente e o discípulo? O crente crê e busca os benefícios que sua fé possa lhe trazer.

O discípulo também crê e recebe benefícios, mas o que se destaca entre suas características é o seu compromisso com o Mestre.

Muitas pessoas criam em Jesus mas não queriam se comprometer com ele, ou não queriam assumir publicamente esse compromisso. Afinal, ter ligações com Cristo era algo arriscado, pois algumas autoridades o consideravam um subversivo e queriam matá-lo. Por exemplo, Nicodemos creu em Cristo, mas não assumiu nenhum compromisso com ele. Foi procurá-lo durante a noite para não ser visto. Aquele homem era um fariseu, doutor da lei, mestre em Israel, tinha um nome e uma reputação a zelar. Não quis se comprometer com o humilde carpinteiro de Nazaré. É isso que impede muitas pessoas de aceitarem o evangelho. São muitos compromissos sociais, religiosos e até mesmo pecaminosos que precisam ser renunciados para que se tenha um compromisso com Jesus.

O discípulo tem compromisso com o Mestre. Este compromisso se desdobra em várias características, atitudes e ações.

O discípulo segue o Mestre. As multidões ouviam os ensinamentos de Jesus, eram curadas e iam embora. Os discípulos continuavam com Jesus o tempo todo. Quando estamos nas reuniões da igreja, estamos com Jesus no meio da multidão. E quando termina a reunião, continuamos com Jesus? Se estamos seguindo o Mestre, estamos com ele em todo tempo. Se estamos seguindo o Mestre, procuramos viver de acordo com sua vontade. Se estamos seguindo a Cristo, só vamos a lugares onde ele possa entrar conosco. Aquele que segue não escolhe o caminho. Se estamos seguindo a Cristo, é ele quem escolhe o rumo, a direção das nossas vidas.

O discípulo aprende com o Mestre. Nesse ponto, o discípulo é um aluno. Precisamos aprender com Jesus, e isso se dá principalmente através da Bíblia. Precisamos lê-la, estudá-la, conhecê-la profundamente para que possamos assim conhecer mais sobre o nosso Mestre e sua vontade para nós.

O discípulo obedece o Mestre. Nesse ponto, o discípulo é mais que um aluno. Ele não apenas aprende, mas pratica o que aprendeu.

O discípulo imita o Mestre. Seu objetivo é ser igual ao Mestre. Aliás, este é o objetivo de Deus para cada um de nós: que sejamos semelhantes a Cristo, que reflitamos em nós a sua imagem (Rm.8.29). O conhecimento e a prática da Palavra de Deus vai moldando o nosso caráter para que sejamos cada vez mais semelhantes a Jesus.

O discípulo é disciplinado. Sem disciplina não existe discipulado. Seguir, aprender e obedecer não devem ser atitudes casuais, mas práticas constantes, persistentes. Se você não conhece bem a bíblia, faça um planejamento para conhecê-la e cumpra-o com disciplina. O mesmo deve ser feito em relação à oração, ao jejum, ao compromisso na igreja e no ministério.

Observe como é disciplinado o homem do campo. Tem hora para levantar, para cuidar dos animais, para trabalhar na lavoura. Tem época certa para lançar sua semente. Tem uma série de cuidados que devem ser metodicamente executados para que sua plantação e seu rebanho sejam livres de qualquer praga ou prejuízo. Acrescentando-se a isso a bênção de Deus, o resultado é o fruto, é uma abundante colheita. Assim acontece na vida do discípulo. Cumprindo com disciplina os requisitos do seu compromisso com Jesus, sua vida será plena de frutos para a glória do Mestre.

Que o Senhor nos abençoe e nos ajude a sermos discípulos pois esta é a única classe de pessoas que ele deseja ter em sua igreja.


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

LIÇÃO 06/ O SISTEMA DE VIVER DO MUNDO/ SUBSÍDIOS

O SISTEMA DE VIVER DO MUNDO
Texto Áureo: Rm. 12.2 - Leitura Bíblica em Classe: I Jo. 2.15-19 Jo. 15.18,19

Objetivo: Mostrar que todo crente fiel a Cristo precisa conhecer os nocivos padrões dos procedimentos deste mundo a fim de que possamos rejeitá-los e firmarmo-nos cada vez mais nos santos preceitos da Palavra de Deus.

INTRODUÇÃO
Não ameis o mundo nem o que no mundo há, diz o apóstolo João em sua I Carta. Mas o que significa “mundo” no Novo Testamento? Essa é a pergunta que responderemos na primeira parte da lição de hoje. Depois, trataremos a respeito dos elementos do mundo anticristão. Ao final, destacaremos que, definitivamente, o cristão não pode amar o mundo e muito menos o nele há.

1. MUNDO E MUNDANISMO, DEFININDO OS TERMOS
A palavra mundo – kosmos no grego do Novo Testamento - tem sentidos diversos. Inicialmente essa palavra tem a idéia de ordem e adorno e a partir dessa desenvolveu a noção de cosmos ou universo. No Novo Testamento apenas em I Pe. 3.3 essa palavra se afasta do significado comum de “mundo” e é usada para denotar o sentido inicial de “adorno”. Em At. 17.24 esse termo indica o universo criado, ainda que em outras passagens, como Mt. 4.8; Mc. 8.36; Jô. 3.19, II Co. 5.19, apontem para a esfera da vida humana como um todo. Para Paulo e João o mundo é o lugar para o qual Deus veio a fim de redimir e transformar a humanidade. Nesse contexto, kosmos tem um significado negativo, denotando a era má, que se opõe a Deus (I Co. 3.18,19; Ef. 2.2; Rm. 12.2). Parte fundamental da obra de Cristo na cruz foi derrotar os elementos desse kosmos (Cl. 2.8-20). Para João o kosmos resiste à obra de Deus e ao Seu filho (Jo. 1.9-11; 7.7, consequentemente, este mundo é governado por Mal (Jo. 12.31; 16.11). Por isso, enquanto estiverem neste kosmos os cristãos precisam estar atentos para não serem cooptados por esse sistema maligno (Jo. 17.15-17; I Jo. 2.15; Fp.2.15; Tg. 1.27; 4.4). Ainda que esse sistema anticristão se oponha a Deus, Ele demonstrou amou pela humanidade – kosmos - de uma forma extraordinária e o provou ao enviar Seu Filho para redimi-la dos seus pecados (Jo. 3.16).

2. OS ELEMENTOS DO MUNDO ANTICRISTÃO
Em sua Carta João descreve os elementos do mundo: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (I Jo. 2.16). A concupiscência da carne diz respeito aos desejos desenfreados expressos nos vícios e prazeres sexuais ilícitos. Os cristãos precisam estar em constante vigilância para se deixarem levar pela impureza (I Co. 6.18). O crente é templo do Espírito Santo (I Co. 3.16; 6.19), por isso, seu corpo deve ser apresentado a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor (Rm. 12.1,2). Aqueles que se deixam levar pela concupiscência da carne estão produzindo obras que se opõem ao Espírito de Deus (Gl. 5.21,22; Ef. 5.3-5). A concupiscência dos olhos está associada à visão. O pecado, conforme lemos em Gn. 3.6, teve princípio no ver, bem como o pecado de Acã (Js. 7.20-26). Davi pecou contra o Senhor quando criou uma situação para satisfazer a concupiscência dos olhos (II Sm. 11.2). A soberba da vida é o desejo humano de ser igual a Deus, como quiseram Adão e Eva no princípio (Gn. 3.5). Esse pecado resulta na ostentação, na ânsia desenfreada pela fama e poder. Satanás também quis ser igual a Deus e em seu orgulho precipitou-se da posição na qual o Senhor o havia colocado (Is. 14.14). Na igreja, alguns líderes despreparados, sob a justificativa de autoridade espiritual, exercer práticas autoritárias e abusam espiritualmente dos fieis a fim de tirar proveito próprio e sustentar a vaidade pessoal (Jr. 2.8; Ez. 34.2,8,9)

3. NÃO AMEIS O MUNDO, NEM O QUE NO MUNDO HÁ
A partir de I Jo. 2.15 entendemos que o cristão não pode amar o mundo e muito menos o que nele há. Essa, conforme apontamos anteriormente, é uma proibição recorrente nos escritos joaninos (Jo. 1.10; 17.4; I Jo. 5.19). “Se” alguém ama o mundo, diz João, o amor do Pai não está nele. O tempo verbo no grego dá idéia de continuidade, ou seja, “se alguém continua amando o mundo”. O amor a Deus e ao mundo, nessa perspectiva, se encontra em posições antagônicas. Não é possível que o cristão ame ao mesmo tempo a um e ao outro. Esse – kosmos – que o crente deve aborrecer não é a humanidade, já que o próprio Deus a amou (Jo. 3.16). Trata-se do sistema satânico, anticristão que se opõe à verdade de Deus cujo líder é Satanás (II Co. 4.4). A expressão do mundanismo está nos desejos desenfreados da carne – as obras da carne (Gl. 5.21), na supervalorização das coisas visíveis, esquecendo-se da fé nas coisas que se esperam, mas que ainda não se vê (Hb. 11.1) e na vaidade humana alicerçada na ânsia pela fama e pelo poder satânico (Mt. 4.8-11). Na proporção em que o amor ao mundo aumenta, o amor a Deus diminui. Se alguém quiser saber o quanta ama a Deus, basta avaliar seu nível de amor ao mundo.

CONCLUSÃO
Não ameis o mundo, esse é o ensinamento bíblico. Para vencermos o mundo, com suas artimanhas, meditemos, a guisa de conclusão, nas seguintes passagens: 1 Jo. 4.5; 5.4; 5.5; 5.10; Jo. 15.19; Rm. 12.2; Gl. 1.10; Ef. 2.2; Cl. 3.1,2; I Tm. 6.10. Esses textos são auto-explicativos e suficientes para entendermos e buscar destruir os elementos da concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Que Deus em Cristo nos abençoe e continue produzindo o fruto do Seu Espírito em nós (Gl. 5.22).

BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M.
As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
STOTT, J. R. W.
I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Água Viva

Em seu diálogo com a mulher samaritana, Jesus lhe disse: “Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água viva” (João 4.10).

A água é um dos elementos mais importantes para o homem. Afinal, a maior parte do seu corpo é constituída por água, cerca de 70%. Podemos passar um mês inteiro sem comida, mas uma semana sem água pode ser fatal.

Essa é a bebida mais saudável que existe. É diet e light.

A água tem inúmeras utilidades e traz muitos benefícios para nós. Vejamos alguns deles:

A água mantém a vida. Só isso já seria o suficiente, mas ela também refresca, limpa, hidrata cada partícula do corpo, desde o cabelo em nossa cabeça até as unhas dos pés, favorecendo o funcionamento saudável de cada órgão, chegando a beneficiar até mesmo nossa aparência e nossa voz. Ela sacia a nossa sede, nos satisfaz.

Qual seria a “água viva” oferecida por Jesus? Trata-se de um símbolo cujo significado precisamos conhecer. O Novo Testamento utiliza a água para representar a palavra de Deus e o Espírito Santo (Ef.5.26; João 7.37-39). Normalmente, um não opera sem o outro. A água é “viva” porque tem o Espírito.

“A palavra de Deus é viva e eficaz” (Heb.4.12), e pela ação do Espírito Santo, produz e mantém a nossa vida espiritual. Ela nos limpa (João 15.3), refrigera a nossa alma (Sl.23.2-3), e favorece o funcionamento dos mais diversos aspectos da nossa vida, anulando a sequidão causada pelo pecado.

Um problema grave é a falta d’água. É o caso dos desertos e regiões áridas como o nordeste brasileiro, onde as chuvas são escassas.

Quantas pessoas vivem num deserto espiritual! Sua sede de Deus se manifesta como um vazio interior (Sl.42.2). Este sentimento produz a religiosidade presente em todas as civilizações conhecidas.

Muitos se consomem numa busca contínua por algo que possa satisfazer suas almas. Imaginam que sua necessidade suprema seja por dinheiro, carro, casa, emprego, casamento, etc. Tais coisas são necessárias, mas não satisfazem o espírito. Por isso, cada conquista pode ser acompanhada por uma decepção que lança o indivíduo a uma nova busca. A mulher samaritana, por exemplo, já estava no sexto relacionamento sentimental e não se sentia realizada.

Sua situação mudou completamente quando encontrou o Senhor Jesus e lhe pediu: “Senhor, dá-me dessa água” (João 4.15).

Jesus tem a “água viva” para todos, mas ele não obriga ninguém a recebê-la. Você precisa orar e dizer: “Senhor, dá-me dessa água. Muda a minha vida. Satisfaz a sede do meu coração”. Então, sua vida será transformada.

Alguns não têm a água viva; outros têm, mas não a bebem. É o caso daqueles que já se converteram, têm a palavra de Deus, a bíblia, mas não a lêem, não a conhecem. Talvez até saibam o que vai acontecer no próximo capítulo da novela, mas não sabem o que a palavra de Deus diz para suas vidas.

Quando nos abstemos de beber água, muitos males proliferam dentro de nós. As toxinas se multiplicam no nosso corpo e nos contaminam. Quando evitamos a palavra de Deus, as raízes do pecado começam a crescer sem que percebamos.

Devemos beber a Palavra sem economia. Afinal, Jesus já pagou a conta. Recebamos a sua palavra todos os dias. Devemos ler, estudar, conhecer a bíblia. Seus benefícios em nossa vida serão muito superiores ao que esperamos ou possamos imaginar.

A palavra de Deus deve nos encher até transbordar. Assim, ela vai se manifestar no que sentimos, no que pensamos, no falamos e fazemos. Da mesma forma, devemos ser cheios do Espírito Santo, que transbordará em nós através de hinos, salmos, cânticos espirituais, amor, alegria, paz e todo o fruto do Espírito (Ef.5.18-20; Gl.5.22).

O mundo nos oferece poços artificiais e corremos o risco de cair dentro deles. O Senhor nos oferece um manancial que trará refrigério para as nossas almas.


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A crise das dúvidas

"E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos a dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou havemos de esperar outro? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho." (Mateus 11.2-5).

João Batista foi o maior dentre os nascidos de mulher. Quem fez essa declaração foi o próprio Jesus. Contudo, o grande João duvidou de Cristo. Isso aconteceu quando ele estava preso, aguardando sua execução. Imagine-se no lugar de João Batista. Ele havia anunciado publicamente que Jesus era o Salvador. Agora, estava preso, condenado à morte, e Jesus não tomou nenhuma providência para libertá-lo. Daí surgiu a dúvida. Será que esse Jesus é mesmo o Messias prometido? Por quê então ele não me tira desta prisão?

Quando estamos passando por problemas graves e não somos atendidos pelo Senhor, muitas vezes começamos a duvidar da sua palavra ou do seu amor para conosco. De acordo com o nosso pequeno entendimento, achamos que Deus deveria agir em nosso favor desta ou daquela maneira. Porém, ele tem os seus propósitos e, na maioria dos situações, nem chegamos a conhecê-los ou entendê-los.

Talvez você esteja questionando como Gideão: "Se o Senhor é conosco, por quê tudo isso nos sobreveio?" (Juízes 6.13). Se o Senhor me ama, por quê ele não me deu isso ou aquilo? Se o Senhor está comigo, por quê ele não me livrou desse ou daquele problema? Algumas perguntas nunca terão respostas. Observe que Jesus não respondeu à pergunta de João Batista, assim como o Anjo do Senhor não respondeu à pergunta de Gideão.

O recado que Jesus mandou para João era que muitos milagres estavam acontecendo. Jesus não libertou João, mas estava curando enfermos, ressuscitando mortos e anunciando o evangelho. Saiba o seguinte: o propósito de Deus está sendo executado. Isso é o que importa. Que seja feita a vontade dele e não a nossa. Ele é o Senhor. Nós somos apenas servos. Deus tem um plano soberano e esse plano está em plena execução. Ele não está a serviço dos nossos interesses individuais, embora possa fazer todas as coisas.

Podemos clamar para que o Senhor nos livre e nos dê o que precisamos. Entretanto, devemos continuar a servi-lo ainda que ele não nos livre. (Daniel 3.17-18). Se ele não nos atender em alguma situação, é porque tem um propósito nisso. Já pensou se Deus atendesse todas as nossas orações? Não seríamos mais tentados. Não seríamos mais provados. Não teríamos nenhum tipo de problema na vida. Aliás, não precisaríamos nem ir para o céu, porque aqui já seria um lugar celestial, com direito a coral de anjos e tudo mais. Por outro lado, não teríamos o crescimento espiritual nem a maturidade que as tribulações produzem.

As dúvidas surgem quando nossas expectativas em relação ao cristianismo não se concretizam. Porém, muitas vezes essas expectativas estão erradas. É o caso de quem espera que o evangelho venha lhes trazer muito dinheiro, muita prosperidade material e a satisfação de todos os seus desejos pessoais. O propósito do evangelho é a salvação das almas. Se Deus nos dá mais alguma coisa, é "brinde".

Chegará o dia quando nossos problemas terminarão. Por enquanto, convém lembrar o que Jesus disse: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." Sabemos, porém, que muitas vezes o Senhor nos atende, nos livra e nos proporciona momentos de refrigério para as nossas almas.


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

domingo, 2 de agosto de 2009

A videira verdadeira


Disse Jesus aos seus discípulos: "Eu sou a videira verdadeira, e meu
Pai é o agricultor" (João 15.1). O Mestre utilizava figuras
relacionadas ao cotidiano para falar de fatos espirituais. Aquela
alegoria faz parte do discurso de encerramento do ministério terreno
de Cristo.
Grande parte da sua obra pessoal na terra já estava concluída. Era
chegada a hora de passar mais responsabilidades aos discípulos.
Dentro de poucos dias, Cristo subiria ao céu. Portanto, caberia aos
seus seguidores a tarefa de frutificar, dando continuidade ao que
ele mesmo vinha fazendo. A videira frutifica através de seus ramos.
Hoje, Cristo age na terra por meio da sua igreja.
Cristo é "a" videira e não "uma" videira. Ele é a única opção para
quem quiser vida espiritual. Quem não estiver em Cristo, secará e
será lançado ao fogo (João 15.6).

A figura da videira nos traz uma série de lições:

Fica evidente a unidade entre Cristo e seus discípulos.

Se alguém nos fere, ele também sente. A relação entre Cristo e os
discípulos acompanha o modelo da relação existente entre Cristo e o
Pai (15.9,10,15).

O discípulo é dependente de Cristo.

Os ramos dependem da árvore para terem vida, sustento, crescimento,
produção de folhas, flores e frutos. Tudo isso é possível por causa
da seiva que percorre o interior da planta a partir das raízes.
Nenhum cristão pode se julgar independente de Jesus ou dos irmãos.
Um ramo depende também do outro. A comunhão é fundamental.
Desligamento e isolamento trazem a morte. Se todos os ramos forem
cortados, o tronco sobrevive e lança renovos. Entretanto, nenhum
ramo sobrevive sem a árvore. Não podemos abandonar o evangelho e
afastar da igreja. Não podemos viver sem Cristo.

Os ramos tem a natureza na árvore. Se estamos ligados a Jesus, temos
a sua natureza em nós (IIPd.1.4). Na medida em que a natureza de
Adão vai sendo superada, passamos a nos parecer cada vez mais com
Jesus.

Permanência

No texto de João 15, Jesus enfatiza o estar e o permanecer (15.4, 5,
6, 7, 9, 10, 11, 16). Não basta estar ligado a Cristo por algum
tempo. Nosso compromisso deve ser contínuo e irrevogável. A
perseverança é imprescindível para que possamos produzir fruto, pois
este depende de tempo, o período necessário para o crescimento e
maturidade do ramo. Nenhuma árvore produz imediatamente. Queremos
tanto de Deus. Desejamos tantos resultados da nossa fé e das nossas
orações. Entretanto, é preciso permanecer ligado a Cristo para que
tudo o que Deus tem para nós possa acontecer na ocasião oportuna
(15.7,16).
Nessa relação entre o discípulo e Cristo, a Palavra de Deus tem
papel fundamental. Observe o destaque dos termos "mandamento"
e "palavra" (15.3, 7, 10,12, 20, 25). É através dela que o ramo é
limpo. Quem despreza as Sagradas Escrituras acaba cultivando pragas
pecaminosas em sua vida. Essa mesma Palavra deve permanecer no
coração do discípulo, sendo sempre guardada (15.10), lembrada
(15.20), obedecida (15.14) e anunciada (15.20, 27), para que o fruto
seja produzido (15.3, 7). Se alguém quiser estar em Cristo sem a
palavra, não frutificará, e será cortado e lançado ao fogo. O
corte é uma possibilidade concreta que deve ser considerada com
temor (João 15.2; Rm.11.20-22).
Jesus disse que o Pai limpa os ramos produtivos para que produzam
mais. Nota-se a necessidade de limpeza na vida do cristão (15.2, 3),
tratando com seus erros, imperfeições e pecados. A limpeza se dá
por meio da poda, que consiste num processo de retirada de tudo
aquilo que está desviando a seiva, a energia, a vitalidade da
planta, sejam folhas secas, amareladas, murchas, frutos mirrados ou
podres. A poda implica em perda, renúncia, para que o fruto novo e
sadio possa surgir sem impedimento. Algumas coisas, atividades ou
compromissos, ainda que não sejam pecaminosos, podem gastar todo o
nosso tempo e energia, de modo que não consigamos nos dedicar a
Deus. Isto precisa ser podado.
Embora possua beleza, a videira não é planta ornamental. Além disso,
sua madeira não serve para construir casas ou fabricar móveis.
Portanto, sua utilidade está em produzir frutos. O cristão só será
útil para Deus e para a humanidade se produzir fruto. Não estamos
neste mundo como enfeite. Aquele que não produz ocupa inutilmente a
terra (Lc.13.7). Aquele que faz o mal, além de inútil, é
prejudicial.

Qual é o significado do fruto citado por Jesus?

O fruto do cristão não pode consistir apenas da renúncia ao pecado.
Isto é o mínimo que o evangelho pode realizar em nós. Frutificar
significa produzir algo positivo. Jesus marcou a história não
apenas pelo fato de ter evitado o pecado, mas pela demonstração do
amor do Pai pela humanidade através das suas obras.
A produção da videira é sempre plural. O ramo não produz uma uva,
mas um cacho ou mais. Da mesma forma, o cristão não pode produzir
apenas um traço do caráter de Cristo. Não seria suficiente. O fruto
da videira representa tudo o que Jesus espera de nós. O que ele
queria dos discípulos? De acordo com o texto, o Mestre esperava que
eles guardassem os mandamento, fossem obedientes, se amassem, e
permanecessem assim até o fim. Em outras palavras, Jesus queria que
seus seguidores tivessem um tipo de vida semelhante à dele, pois
este é o propósito do discipulado: que o discípulo seja semelhante
ao Mestre, começando por virtudes morais e espirituais. Em segundo
lugar, o fruto pode também incluir o resultado do trabalho
ministerial. Observe-se a presença do "ide" relacionado ao fruto em
João 15.16, bem como o testemunho dos discípulos em 15.27.
Na seqüência das palavras de Jesus, ele enfatiza o amor, que é o
primeiro aspecto do fruto do Espírito, sendo a causa de todos os
outros (Gál.5.22). Cristo deixou bem clara sua intenção e seu maior
desejo em relação aos discípulos: "O meu mandamento é este: que vos
ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (Jo.15.12). Se não
houver amor entre os irmãos na igreja, como amaremos os que estão lá
fora? O amor não deve ser considerado apenas um sentimento, mas uma
atitude, resultado de uma decisão, com efeitos práticos. Jesus
disse que o maior amor faz com que se dê a vida pelo amado (15.13).
Ele mesmo daria a sua vida dentro de algumas horas. Os discípulos
também precisavam ter tal disposição, pois quase todos eles dariam
suas vidas pelo evangelho alguns anos mais tarde. Amar é dar a
vida, ainda que não seja preciso morrer.
O fruto pode ser compreendido como a manifestação do caráter de
Cristo em nós, vivendo como ele viveu. Essa relação de semelhança
está contida no texto através das expressões: "meus discípulos"
(15.8) e "do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu
Pai e permaneço no seu amor" (15.10) e "assim como eu vos amei"
(15.12); "se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se
guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa" (15.20).
Frutificar é agir como Jesus agiu, ainda que possamos sofrer por
isso.
Os frutos pertencem ao agricultor, que é Deus, e serão úteis para
muitas pessoas. O fruto não é para o ramo. É para os outros. O
propósito de Jesus é que produzamos algo para o benefício do próximo
e não apenas para nós mesmos. Frutificar é dar, e não receber. O
egoísmo não faz parte da natureza da videira verdadeira. O mais
importante na vida de um homem não é o que ele fez por si mesmo, mas
o que realizou pelos outros. É fácil contatar isso ao lembrarmos de
personagens importantes da história geral. Aqueles que só fizeram
por si mesmos foram totalmente esquecidos.
Deus espera uma produção abundante. Jesus fala em "fruto"
(15.2), "mais fruto" (15.2) e "muito fruto" (15.5, 8). Não podemos
ficar satisfeitos com o que já fizemos para Deus. Ele espera mais.
Prova disso é o fato de ainda estarmos neste mundo. Temos o
potencial de Cristo em nós para produzir mais. Não podemos parar.
Deus quer quantidade e qualidade: "Muito fruto" (15.8) e "fruto que
permanece" (15.16).
"Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre
abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão
no Senhor" (ICo.15.58).
O agricultor é o dono da videira. Ele é o Senhor. Aqueles que
trabalham na igreja nunca devem se esquecer de quem é o
proprietário, pois a ele hão de prestar contas. O Pai cuida da sua
vinha, protege, rega, supre as necessidades, elimina as pragas,
limpa, poda. Seu investimento é grande, mas um dia ele virá procurar
o resultado.
O agricultor espera o fruto da sua vinha (Tg.5.7). Deus tem
expectativas a nosso respeito. Será que colocamos as nossas
expectativas em primeiro lugar? Talvez tenhamos uma lista do que
queremos do Senhor, mas já procuramos conhecer e cumprir a sua
vontade para nós?
O texto mostra que a comunicação e o vínculo entre os discípulos e o
Pai passam pelo Filho. Ele é o mediador (15.9, 10, 15, 16, 26).
Jesus estava ali representando o Pai. Ele mostra que do Pai vem o
amor (15.9), os mandamentos (15.10), o ensinamento (15.15), a
resposta das orações (15.16) e o dom do Espírito Santo (15.26).
Entretanto, atingindo aos discípulos e também a Cristo, chega ao Pai
o ódio do mundo em forma de perseguição (15.18-24). Portanto, o
capítulo 15 de João fala sobre as relações existentes entre o Pai, o
Filho, os discípulos e o mundo. O amor flui de cima para baixo, mas
o contrário nem sempre acontece. O pai ama o Filho (15.9), que ama
os discípulos, que devem se amar (15.12, 17) e levar este amor a
todas as pessoas do mundo. Entretanto, o mundo os odeia e persegue,
pois odiou o Filho e também ao Pai (15.23). Jesus deixou bem claro
que a vida dos discípulos não seria um paraíso na terra. A vida
cristã provoca o ódio e a perseguição (João 16.1-3). Se vivermos
como Cristo viveu, o mundo nos tratará como tratou a Cristo e como
tratariam o Pai se pudessem vê-lo.
Se os discípulos frutificassem, Jesus ficaria alegre com eles
(15.11). E se ele estivesse alegre, eles também se alegrariam porque
tudo o que acontece à videira alcança seus ramos. Os cristãos
experimentam a alegria de Cristo, apesar das circunstâncias e das
perseguições.
O maior propósito da videira, dos ramos e dos frutos é a glória de
Deus (15.8). O evangelho e a vida cristã não devem ser usados para a
glória humana. "Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto;
e assim sereis meus discípulos" (João 15.8).


Anísio Renato de Andrade

sábado, 1 de agosto de 2009

Isaque e Rebeca

Refletindo sobre o valor do matrimônio e os riscos do namoro.

Assim como os pássaros precisam de um ninho, todo ser humano precisa de um lar. Por isso, o casamento se reveste de fundamental importância, suprindo necessidades afetivas e propiciando a condição para que a sexualidade seja vivida com responsabilidade e compromisso, de modo que os filhos sejam gerados e formados em um ambiente de amor e segurança.

Algo que nos chama a atenção na experiência de Isaque e Rebeca é que eles não namoraram antes do casamento (Gn.24). Esse detalhe está diretamente ligado à cultura daquele povo naquela época, e não é nosso propósito copiar seus costumes.

Alguém diria: “Isaque usava lamparina, mas nós temos lâmpadas elétricas”. Sem dúvida, eu também sou moderno e usufruo os benefícios da eletricidade, mas morrer eletrocutado já é modernidade demais.

Vivemos em outra era e não vamos voltar ao passado. Entretanto, precisamos tomar cuidado com a nossa cultura, que se torna cada vez mais permissiva e destrutiva. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio através da sabedoria que a palavra de Deus nos ensina.

RELAÇÕES MODERNAS

O namoro inventado pelo mundo ocidental tem seus aspectos positivos, permitindo que os pretendentes se conheçam e confirmem suas afinidades e propósitos. Entretanto, esse tipo de relacionamento também pode trazer uma série de transtornos. O namoro é uma relação muito mais flexível do que o casamento, um compromisso mais fraco, sem a regulamentação rígida das leis. Tais características facilitam a relação, mas podem também banalizá-la. Fato é que muitos namoros incluem o relacionamento sexual, ou seja, na prática, trazem alguns benefícios do casamento sem as respectivas responsabilidades. É como se, pelo fato de estarem namorando, as pessoas adquirissem direitos mútuos sobre seus corpos. Esse aspecto da cultura moderna oficializa a prática pecaminosa, fazendo com que muitos vivam numa espécie de prostituição gratuita.

“Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância e a mansidão” (ITm.6.11).

O verdadeiro cristão deve tomar cuidado para que sua vida não seja destruída por uma situação desse tipo, que pode se tornar a brecha que o Diabo procura para causar uma grande desolação. O que parece uma oportunidade pode ser uma cilada.

Os que entraram por esse caminho têm a opção de se casarem, regularizando seu estado diante de Deus e dos homens. Todavia, algumas pessoas não pretendem se comprometer, estando apenas à procura do seu próprio prazer imediato, em detrimento, talvez, de uma das partes, geralmente da mulher, que deseja constituir um lar. Situações assim podem culminar em gravidez indesejada, aborto, separação, mágoa, e dificuldades nos relacionamentos futuros.

Sabemos que casamentos errados também podem trazer muitos danos, mas o namoro é iniciado com muito mais facilidade. Portanto, é preciso que os jovens fiquem atentos aos riscos que estão correndo. De origem mais recente é o relacionamento identificado pelo verbo “ficar”. Trata-se de uma relação ainda mais irresponsável e igualmente perigosa.

O TEMPO

Isaque tinha 40 anos quando se uniu a Rebeca. Para ele era o tempo certo. É compreensível que as pessoas se casem em idade bem inferior à de Isaque, porque a perspectiva de vida é bem menor hoje. Contudo, o que se observa não é tanto a realização de casamentos, mas pessoas namorando cada vez mais cedo, ainda na adolescência. Não podemos nem queremos definir regras e idades, mas apenas chamar a atenção para o bom senso, principalmente dos pais, que permitem que seus filhos sejam levados pela onda do mundo, sem que tenham idade suficiente para medirem as consequências de seus relacionamentos. O cristão não deve namorar para se divertir, distrair ou para satisfazer seus instintos carnais. O namoro deve ter por objetivo o casamento, embora possa ser interrompido antes disso.

Namoros levianos, sem propósito, fora do tempo, podem prejudicar toda a vida dos envolvidos. É como colher um fruto verde, que poderá não ser útil depois. Além da motivação dos desejos físicos e das paixões juvenis, parece que o jovem se vê diante da obrigação de namorar, porque seus amigos estão namorando. E, quando namora, parece que tem a obrigação de praticar o sexo. Alguns dizem até que se trata de uma prova de amor. É mentira do Diabo. O sexo cria vínculos, obrigações e expectativas, chegando a alterar o rumo da vida, seja pela gravidez, pelas doenças venéreas ou por um casamento sem a preparação adequada.

Quando se permite o envolvimento físico, o aspecto racional das decisões seguintes pode ficar comprometido. Depois que se coloca o barco na correnteza, torna-se difícil o seu controle.

Existe uma época propícia para a dedicação aos estudos e à formação profissional. Um namoro com intimidade física, seguido de uma gravidez não programada ou um casamento precoce podem cancelar muitos planos ou dificultá-los consideravelmente.

“Prepara os teus trabalhos de fora, apronta bem o teu campo; e depois edifica a tua casa” (Pv.24.27).

De qualquer modo, cada pessoa é livre para tomar suas próprias decisões. Não será tão livre, porém, na hora de enfrentar as consequências. Cada um escolhe as sementes que deseja semear, mas, no dia da colheita, não poderá escolher os frutos.

“Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e anime-se o teu coração nos dias da tua juventude, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas Deus te trará a juízo” (Ec.11.9).


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Primeiro Milagre

A transformação da água em vinho

Jesus e seus discípulos foram convidados para uma festa de casamento e aceitaram o convite (João 2.1-2). Cristo não era alienado. Ele participava dos eventos sociais, procurando estar sempre com o povo. De outro modo, como poderia cumprir sua missão? Precisava estar perto das pessoas para abençoá-las e salvá-las. Os cristãos, da mesma forma, não podem constituir um grupo isolado. Somos diferentes do mundo, mas não distantes ou fora dele (Jo.17.11,15,16). Não podemos aceitar convites para a prática pecaminosa (Pv.1.10-15). Outros, porém, podem ser aceitos. É necessário, contudo, que o cristão, onde estiver, dê um bom testemunho, sendo sal e luz (Mt.5.13-14), agindo em benefício do próximo. Foi o que Cristo fez. Jesus foi convidado porque sua presença é agradável. Onde ele está, o ambiente é celestial.

A certa altura das bodas, acabou-se o vinho (2.3). Era comum que as festas de casamento durassem sete dias, mas, sem vinho, isso não seria possível. O que fazer? Talvez pudessem comprar mais. Entretanto, é possível que os convidados não estivessem dispostos a esperar. Fim do vinho significava fim da festa.

Como ficaria a reputação do noivo diante de seus amigos? Teria ele falhado na preparação das núpcias? Ficaria marcado como negligente perante a noiva e os familiares? Ainda que os convivas tivessem consumido além do esperado, ou mais rapidamente, o noivo deveria estar prevenido. Estava, portanto, estabelecida uma situação de vergonha e desgosto, podendo marcar, de forma negativa, o início da vida conjugal.

Maria, mãe de Jesus, também estava presente e percebeu que o vinho tinha acabado (2.3). Não tendo poder para resolver a situação, ela foi falar com seu filho. Ele parece não ter recebido bem a interferência da mãe (2.4). Afinal, ele já sabia do fato e talvez estivesse esperando o melhor momento para agir. A presença de Jesus não evita que determinados problemas ocorram. Aliás, eles podem ser necessários e úteis, desde que sejam bem conduzidos e devidamente solucionados. Uma necessidade torna-se oportunidade para o milagre. Não queremos problemas, mas Deus permite que tenhamos alguns para que também possamos ter experiências sobrenaturais.

Maria sabia que Jesus ia tomar alguma providência e deu, então, uma sábia orientação aos servos da casa: “Fazei tudo o que ele vos disser” (João 2.5). Se temos algo a aprender com as palavras de Maria é no sentido de voltarmos nossa atenção para Cristo, procurando realizar, não apenas parte, mas tudo o que ele nos mandar.

Ele podia fazer o milagre, até mesmo antes que a falta do vinho fosse notada, mas isso não atenderia aos seus propósitos. Ninguém saberia. Seu poder não seria reconhecido (2.11) e Deus não seria glorificado. É preciso que, por algum tempo, sintamos a necessidade, a fim de que a bênção seja desejada e valorizada.

Se Jesus quisesse, poderia dizer uma palavra e o vinho jorraria de todos os vasos e copos, mas ele deseja a participação dos servos na realização do milagre. Em muitos episódios dos evangelhos aconteceu assim: as pessoas esperavam uma bênção e recebiam uma ordem. É preciso obedecer para ser abençoado, e não o contrário. Deus quer a participação humana em suas obras. Ele pode fazer tudo sozinho, mas nos deu o privilégio e a oportunidade de participar, e isto significa trabalho. A nossa fé deve ser demonstrada através da obediência e do serviço, pois “a fé sem obras é morta” (Tg.2). Jesus faz o milagre, mas precisamos fazer a nossa parte.

Os servos tinham muito trabalho a fazer, mas isso lhes daria a chance de serem participantes e testemunhas do milagre. Os convidados estavam em posição mais cômoda. Ficavam apenas se divertindo, enquanto esperavam o garçom passar. Qual é a nossa postura no reino de Deus. Agimos como convidados ou como servos? Queremos apenas beber o vinho do milagre ou trabalhar na sua produção? Aquele que tem a iniciativa de servir, também tem oportunidades singulares. Os servos sabiam o que os convidados ignoravam (2.9).

Jesus mandou que os serventes enchessem de água seis talhas de pedra (2.7). Em cada uma delas cabia entre dois e três almudes, ou seja, entre 72 e 108 litros. Era muita água para ser carregada. O Senhor nos manda fazer coisas difíceis, mas, se fizermos, ficaremos satisfeitos com o resultado. Aquele ato de obediência exigia esforço. Jesus abençoa os que trabalham, mas os preguiçosos continuam passando necessidade.

As talhas foram cheias até a borda (2.7). A obediência foi imediata e completa. Quanto mais água, mais vinho. Não podemos fazer apenas o mínimo, a não ser que queiramos uma bênção pequena. Não podemos ser “econômicos” na oração, no jejum, na leitura bíblica e no serviço ao Senhor. Precisamos fazer mais, fazer muito e fazer bem feito.

Para fazer o milagre, Jesus usou o que estava à sua disposição: os servos, as talhas e a água. Estamos disponíveis para Cristo operar? Nossos bens, tempo e talentos estão entregues ao Senhor? Se o dono da casa escondesse os recipientes, talvez o milagre não tivesse acontecido, ou a quantidade seria menor.

Todos queriam vinho e Jesus manda encher os vasos com água. Queremos o produto final, pronto e servido. Entretando, a operação divina pode ocorrer em etapas, conforme seus soberanos propósitos. Aquela ordem parecia não fazer sentido, mas ninguém lhe fez perguntas. Devemos obedecer sem questionar. Nem sempre vamos saber o porquê das ordens ou dos atos divinos.

Então, o milagre aconteceu. Jesus transformou a água em vinho. O texto não traz explicações químicas ou biológicas a respeito do processo. Não podemos nem precisamos explicar cientificamente os atos de Jesus. Aqueles que dependem de explicações colocam obstáculos à sua própria fé. Nem sempre vamos saber como Deus opera. Precisamos crer em seu poder, mesmo sem compreender sua forma de agir.

Em seguida, os servos levaram o vinho para que o mestre-sala experimentasse. Ele era o responsável pelo controle de qualidade. Quando experimentou o vinho de Jesus, aquele homem ficou surpreso e maravilhado. Suponho que ele nunca houvera bebido um vinho tão bom. Jesus faz, e faz bem feito. O vinho de Jesus é superior. Experimente! Com Jesus, tudo fica melhor. Não aceitemos o que o inimigo oferece. Deus tem o melhor para nós. Não sejamos impacientes. Esperemos o tempo certo, quando ele suprirá a nossa necessidade de forma miraculosa e surpreendente.

O mestre-sala disse ao noivo: “Todo homem põe primeiro o vinho bom... mas tu guardaste até agora o bom vinho” (2.10). Quando Jesus opera em nós, saímos do limite dos costumes e das tradições para um nível de excelência. As pessoas esperavam que, com o passar do tempo da festa, o vinho fosse piorando, mas, se Jesus está presente, a tendência é melhorar, de fé em fé (Rm.1.17) e de glória em glória (IICo.3.18). As tribulações são grandes, mas as vitórias são maiores. A festa estava salva. A comemoração podia continuar, com alegria ainda maior. Aquele casamento sempre seria lembrado pela presença e pelo poder de Jesus. O problema foi transformado em bênção. Ali Jesus realizou seu primeiro milagre, marcando aquele casal e aquela cidade. Caná da Galiléia ficou definitivamente vinculada à maravilha da transformação da água em vinho.

O fato de Jesus ter escolhido uma festa de casamento para realizar seu primeiro sinal nos mostra como o matrimônio e a família são importantes para Deus. Além de atender à necessidade do momento, aquele ato de Jesus demonstrou seu poder transformador. Hoje, ele tem transformado muitas vidas. Assim como aconteceu naquelas bodas, pode chegar um momento na vida conjugal ou individual quando a alegria acaba. Tudo estava indo tão bem e, de repente, instala-se o caos. Isto pode ser resultado de algum acontecimento ruim, decisões equivocadas ou práticas pecaminosas. Nessas horas, Jesus é a nossa única esperança. Ele pode fazer o que não está ao nosso alcance, e faz muito melhor, dando aroma, cor e sabor à nossa existência.

Jesus é especialista na transformação de vidas. Ele atua naqueles que já foram descartados pela sociedade. Cristo recupera o marginal, transformando-o em cidadão de bem. Acima de tudo, ele nos transforma de tal maneira que possamos ser agradáveis a Deus (Rm.12.1-2).

Depois que a água foi transformada em vinho, a festa continuou, mas isso só foi possível porque os noivos convidaram Jesus para aquele casamento. Todos devem convidá-lo. Nossa vida sem ele é vazia e inútil. Só Cristo pode nos abençoar, nos dar uma nova motivação para viver. Com ele, temos um novo começo, pois seu poder age em nós, fazendo transbordar o nosso cálice.


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Propostas de comunhão

O inimigo quer nossa atenção de todas as formas

Comunhão significa convivência, relacionamento, comunicação, intimidade. No jardim do Éden, Deus se relacionava com o homem, ensinando-o como proceder. Foi assim até o dia em que Eva teve um diálogo com a serpente, que era o próprio Diabo. Essa conversa foi uma tentação fatal e daí veio o pecado humano. O que aconteceu? Eva teve um momento de comunhão com Satanás e perdeu a comunhão com Deus. Certamente, isto iria ocorrer porque “ninguém pode servir a dois senhores” (Mt. 6.24) e não se pode “participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1Cor. 10.21).

"Pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos"? (IICo.6.14-16).

Adão e Eva aceitaram o fruto do conhecimento oferecido por Satanás e perderam o direito de comer do fruto da árvore da vida. É interessante observarmos que a palavra “comunhão” muitas vezes se relaciona ao ato de comer. Tanto é assim que a tradição cristã usou esse termo para nomear a “ceia do Senhor”.

Cuidado! Ao aceitar a oferta do Diabo, você pode perder ou atrasar a bênção de Deus. Está escrito: “As más conversações corrompem os bons costumes.” (1Cor. 15.33.) O problema de Eva começou quando ela deu ouvidos ao Diabo. Será que isso não está acontecendo hoje? O inimigo está querendo nossa atenção de todas as formas. Ele usa músicas, filmes, novelas, horóscopos, adivinhações, previsões, falsas doutrinas, conselhos dos ímpios etc. Por isso, é bom que estejamos vigilantes. Não podemos dizer que o Diabo está em tudo, mas, certamente, suas mensagens e sinais estão em muitas coisas, muitos lugares e muitas pessoas. Somos atingidos diariamente por uma filosofia mundana, pecaminosa e diabólica que tenta moldar o nosso modo de vida. O mundo é um sistema dominado pelo inimigo com o único propósito de nos envolver, nos prender, e impedir que caminhemos com o Senhor. São armadilhas, astutas ciladas contra as nossas almas.

Precisamos ser cautelosos com aquilo que ouvimos, com os lugares que freqüentamos, e com os compromissos que assumimos. Logicamente, não vamos nos isolar, mas devemos evitar qualquer envolvimento ou comportamento que possa colocar em risco nossa comunhão com Deus.

É verdade que nem sempre conseguiremos ficar fora do alcance da voz do inimigo ou distantes da sua repugnante presença. Às vezes, o confronto pode ser inevitável, mas o mais importante será a resposta que daremos a ele. Eva aceitou a oferta da serpente e agiu de acordo com a mesma.

Como podemos impedir que isto aconteça? Fazendo como Jesus fez. Ele também foi tentado, escutou as propostas do Diabo, mas não se deixou levar (Mt. 4.1-11). Se ele chegasse a ponto de comer pedras transformadas em pães, os desígnios malignos teriam tido sucesso. A comunhão com o mal estaria selada. Contudo, as respostas de Cristo foram radicais, sempre resistindo às ofertas de Satanás. Jesus rejeitou as pedras porque estava alimentado pela “palavra que procede da boca de Deus”. Estando cheio da Palavra, esta fluía continuamente dos seus lábios, rechaçando toda a investida do tentador. Da mesma forma, precisamos conhecer a Bíblia, a Palavra de Deus, para que possamos filtrar o que ouvimos no dia-a-dia. Ao final do episódio, vieram os anjos e o serviram. Tendo rejeitado a “mesa dos demônios”, Jesus pôde participar da “mesa de Deus”.

O Diabo continua nos oferecendo pedras como se fossem pães. Não aceite. Não transforme o pecado em algo normal. Isso pode vir em forma de um relacionamento imoral ou inconveniente, um emprego que inclua práticas pecaminosas, um dinheiro sujo, uma atividade ilegal etc. O que o inimigo nos oferece tem a aparência de uma solução rápida e fácil para os nossos problemas imediatos. Resistamos, firmes na fé. Pois, passada a tentação, virá o suprimento do céu para as nossas necessidades.

Que o Senhor nos ajude na luta contra o mal. Assim, nossa comunhão com Deus será mantida e sua bênção sobre nós será constante.


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

LIÇÃO 05/A FORÇA DO AMOR CRISTÃO/ SUBSÍDIOS

A FORÇA DO AMOR CRISTÃO
Texto Áureo: Jo. 13.34 - Leitura Bíblica em Classe: I Jo. 2.7-11; 3.14-18

Objetivo: Mostrar que o amor cristão é o resultado da transformação espiritual experimentada no novo nascimento e a prática central do conteúdo da fé cristã.

INTRODUÇÃO
O amor cristão é um dos temas centrais da I Epístola de João. Não por acaso o autor dessa Carta é chamado de Discípulo Amado e o Apóstolo do Amor. Na aula de hoje veremos, a partir dos seus escritos, a força do amor cristão. No início mostraremos que esse é tanto um antigo quanto um novo mandamento. Em seguida ressaltaremos a sublimidade do amor cristão. Ao final trataremos a respeito da demonstração do amor cristão na igreja.

1. AMAR, UM ANTIGO E NOVO MANDAMENTO
O amor é o fundamento da ortodoxia cristã. Esse é, ao mesmo tempo, um antigo e novo mandamento. Para os leitores de I João, aquele não era um novo mandamento, pois eles já haviam aprendido a respeito disso antes (I Jo. 2.24; 3.11; II Jo. 6). A novidade desse mandamento estava respaldada na instrução de Jesus (Jo. 13.34). Cristo deu uma interpretação nova ao antigo mandamento que pode ser encontrado em Dt. 6.5; Lv. 19.18. O amor deveria ser levado até as últimas conseqüências, com altruísmo tal que poderia requerer a morte de quem ama. João refuta a heresia gnóstica não apenas pelas doutrinas ortodoxas, mas também pela ortopraxia, isto é, o modo de vida, que era pautado – na prática de vida dos gnósticos - não pelo amor, mas pelo ódio. Um verdadeiro cristão obedece a Deus e ama a seu irmão (I Jo. 2.9). Está em trevas significa exercitar o ódio, e por oposição, a prática do amor, significa estar na luz (Pv. 4.19). Somente pelas lentes do amor podemos ter uma visão graciosa do outro. Através delas os nossos julgamentos direcionados pela misericórdia, nossa conduta se harmoniza com o caráter de Cristo (Jo. 8.12; 11.9,10; 12.35).

2. A SUBLIMIDADE DO AMOR CRISTÃO
O amor cristão é produzido pelo Espírito, na medida em que esse, em nós e conosco, gera o Seu fruto (Gl. 5.22). Esse amor – ágape em grego – tem origem em Deus, pois Ele é amor (I Jo. 4.8). Ele amou o mundo de uma maneira tal que deu seu Filho Unigênito (Jo. 3.16). Do mesmo modo, devemos também entregar nossas vidas em amor pelos irmãos (I Jo. 3.16). Em I Co. 13, Paulo faz uma defesa contundente da sublimidade do amor cristão. A intenção do apóstolo é mostrar que a melhor linguagem do céu ou da terra, sem amor, é apenas barulho (v. 1). Por ser paciente, o amor tem uma capacidade inerente para suportar, ao invés de querer afirmar-se, o amor busca, prioritariamente, dar-se (v. 4). O amor não imputa o mal ao outro, sequer o leva em conta, não abriga ressentimentos pelas ofensas (v. 5). Alegra-se com a verdade, na verdade do evangelho (Jo. 5.56), que está em Jesus (v. 6).Tudo suporta, não fraqueja, não se deixa vencer em todas as dificuldades (v. 7). Os dons espirituais acabarão, no fim, quando Deus tiver cumprido o Seu plano (v. 9,10), mas não o amor. A fé é importante, bem como a esperança, mas nada supera o amor (v. 13).

3. A DEMONSTRAÇÃO DO AMOR CRISTÃO
O amor cristão não pode ser apenas em palavras, ele demanda ação. Não podemos esquecer que Deus deu Seu Filho Unigênito (Jo. 3.16). A igreja local precisa se acostumar ao exercício do amor. Existem várias maneiras de demonstrar o genuíno amor cristão. O fundamento basilar para a prática do amor é o sacrifício. Infelizmente poucos estão dispostos a tal, haja vista a tendência humana de sempre “tirar vantagem” do outro. Aqui cabe uma pergunta provocadora: o que posso fazer para tornar a vida do próximo melhor? Com certeza para responder a essa pergunta precisaremos “abrir mão de certas regalias”. A igreja de Jerusalém é um modelo nessa prática amorosa, os cristãos daquele tempo, já que viviam na esperança iminente da volta de Cristo, e em razão das perseguições, tinham tudo em comum. Não havia quem passasse necessidade entre eles, todos agiam para o bem do próximo (At. 2.41-46). Sejamos realistas, como toda igreja local, eles também tiveram problemas, por essa razão os diáconos foram estabelecidos para auxiliar os necessitados (At. 7). Podemos, então, ampliar a pergunta anterior e pensar: o que a igreja, como um todo, pode fazer para demonstrar amor cristão? Qualquer resposta, não apenas com palavras, mas em atitudes, será valiosa tanto aos olhos de Deus quanto daqueles que testemunham a nossa fé.

CONCLUSÃO
O amor cristão é forte, por isso a igreja deve buscar múltiplas formas de exercitá-lo (Cl. 3.12-17). Uma igreja que não pratica o amor está, como a de Corinto – estudada no trimestre passado – tomada pela carnalidade. Os partidarismos ficam evidenciados na busca egoísta pelo prazer a qualquer preço. Os cristãos pensam muito mais em si do que nos outros. Mesmo as questões teológicas se transformam em razão para discussões e contendas. Levemos em conta a máxima atribuída a Agostinho: Que o amor que nos une seja maior que as diferenças que nos separam.

BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
STOTT, J. R. W. I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Israel - sinal de Deus para o mundo

Deus escolheu a nação de Israel para que, através dela, todo o mundo conhecesse o Senhor. Por meio da descendência de Abraão, Isaque e Jacó, todos os povos tomariam conhecimento a respeito do verdadeiro Deus e seriam admoestados a abandonarem a idolatria e os falsos deuses. "As nações saberão que eu sou o Senhor." (Ez.37.28). De fato, foi através dos judeus que recebemos a bíblia e foi entre eles que nasceu Jesus, o Messias. Entretanto, o propósito de Deus não terminou. Ainda hoje, Israel é um sinal de Deus para toda a humanidade.

Um dos maiores acontecimentos da história recente daquele povo foi o seu retorno para a sua terra. Nós, os que nascemos na segunda metade do século XX, estamos acostumados a ver o território de Israel no mapa mundi. Vemos isso com naturalidade. Entretanto, esse fato é um milagre de Deus. Israel não estava no mapa em 1947. De fato, desde o ano 70 d.C, os judeus estiveram espalhados pelo mundo. Porém, havia diversas profecias divinas sobre aquele povo. Eles haveriam de retornar à terra prometida, conforme lemos na bíblia (Jr.31.10; Ez.36.24; Ez.37.21-22). Afinal, a promessa que Deus fez a Abraão determinava que a sua descendência teria a posse da terra chamada Canaã, também conhecida como Palestina, e de grande parte dos arredores, ou seja, seus limites iriam desde o mar Mediterrâneo, no lado ocidental, até o rio Eufrates, ao oriente, e desde a fronteira do Egito, ao sul, até os limites da Síria, ao norte (Gn.15.18; Js.15.12,47). É um território bem maior do que o que é ocupado por Israel hoje.

Como é possível que um povo fique disperso pelo mundo durante quase 2000 anos e não se misture e não perca a sua identidade étnica e cultural? É um milagre de Deus. Maior milagre é esse povo recuperar a sua terra, e isso aconteceu em 1948. Entretanto, os palestinos, que estiveram morando lá durante a ausência dos judeus, não se conformam em terem que devolver o território aos seus antigos donos. Este é o motivo dos conflitos constantes naquela região. Muitas são as tentativas de se realizarem acordos de paz. Entretanto, tudo isso é em vão. Ao mesmo tempo em que Israel é uma mensagem viva da existência de Deus, é também um incômodo para os seus vizinhos, que se julgam proprietários da Palestina e, principalmente, de Jerusalém.

No Apocalipse, João escreveu sobre Israel, relacionando-o aos fatos dos últimos dias (Apc.7.4-8; 11.2; 14.1; 16.16; 20.9). Era então necessário e certo que os judeus voltassem à sua terra, para estarem a postos para os acontecimentos apocalípticos. Antes que tais eventos ocorram, não haverá paz no oriente médio. Muitas nações estarão enfurecidas contra Israel, até que aconteça a batalha do Armagedom e outros combates escatológicos (Ez.38; Dn.11.40-45).

Israel voltou à sua terra e é hoje um país do primeiro mundo. Os judeus se destacam em diversas áreas do conhecimento humano. Um desses destaques é a sua avançada técnica de irrigação, pela qual, as regiões áridas estão produzindo flores em abundância. Mas isto não é surpresa para quem conhece a bíblia. Já estava profetizado há muitos séculos, que o deserto iria florescer (Is.41.18-20; Is.35.1-2; Ez.36.35).

A própria nação floresceu (Is.27.6; Os.14.5,7). Como disse Jesus, quando brota a figueira está próximo o verão. Israel é essa figueira que nas últimas décadas brotou, floresceu e frutificou. É um sinal de Deus para o mundo. Da mesma forma, os conflitos que ali acontecem são sinais dos últimos dias. Israel está no centro das guerras profetizadas para o fim (Mt.24.16). Alguém pode argumentar que foram os próprios judeus que escreveram todas essas profecias. De fato, foram, mas inspirados por Deus. É impossível que alguém possa escrever um livro com previsões fantásticas sobre seus descendentes que viverão dezenas de séculos mais tarde. Se alguém escreveu e acertou, só pode tê-lo feito mediante a inspiração divina.

O que o mundo pode esperar para o futuro? Progresso? Paz? Apenas por períodos transitórios (I Tss.5.3). A marcha dos fatos se dirige para o confronto. As guerras aumentarão e o mundo mergulhará em grande tribulação. Não podemos determinar os tempos e as épocas, mas conhecemos, pela bíblia, os sinais do fim. Os que crêem em Cristo como salvador não têm o que temer, pois ele disse: "Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima." (Lc.21.28).


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

 
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