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terça-feira, 16 de junho de 2009

As tentações de Cristo - 5


Quando andamos com Deus, passamos por lugares maravilhosos e também por locais perigosos e desagradáveis. Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo Diabo (Mt.4.1). Isto pode parecer muito estranho para nós, mas a tentação é necessária. Se não fosse assim, Adão e Eva também não seriam tentados. Deus permitiu a presença de Satanás no Éden para que a tentação acontecesse. Ele poderia ter colocado querubins cercando o jardim para que o inimigo não se aproximasse. Entretanto, era necessário que o homem tivesse oportunidade de pecar.

Se não houvesse tal possibilidade, o ser humano serviria a Deus como se fosse um robô programado para ser santo. Tendo chance de escolher entre dois frutos, o homem poderia ser um servo do Senhor por opção própria. Infelizmente, Adão e Eva fizeram a escolha errada e pecaram.

Da mesma forma, Jesus precisava ter oportunidade de pecar para que pudesse rejeitar o pecado. Assim, sua opção pessoal pela santidade seria demonstrada na prática. De fato, ele foi colocado em situação semelhante àquela do Éden. Por isso, foi chamado "o último Adão" (I Co.15.45).

Isto não significa que devamos criar oportunidades para pecar. De modo nenhum. Entretanto, o certo é que as oportunidades surgirão sem que as criemos. Muitas tentações são meramente humanas (Tg.1.13-15). São criadas pela própria pessoa, ou por outras, sem que haja alguma participação demoníaca. Os homens caem sozinhos com tanta facilidade que o Diabo nem sempre precisa comparecer.

A tentação ocorre, não para que Deus nos conheça através das nossas escolhas, mas para que nós nos conheçamos. De fato, não sabemos o quanto somos fortes ou fracos, a não ser que sejamos tentados. É um tipo de teste para a nossa fé, amor, compromisso e fidelidade. Certamente, Jesus já se conhecia de modo suficiente, mas ele precisava demonstrar na prática seu compromisso com o Pai, em obediência concreta. Em situações assim, o Diabo também passa a nos conhecer melhor. No livro de Jó aprendemos que o inimigo tem idéias erradas a respeito dos servos de Deus (Jó 1.9-11; 2.4). Quando vencemos a tentação, Satanás é derrotado e envergonhado.

A tentação de Cristo foi importante ainda por outro motivo: ele precisava passar por situações semelhantes às nossas. Se ele nunca fosse tentado, não seria nosso legítimo representante. "Pelo que convinha que em tudo fosse feito semelhante a seus irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, a fim de fazer propiciação pelos pecados do povo. Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados" (Heb.2.17-18).

O tentador e suas artimanhas

Satanás é persistente. No texto de Mateus 4, vemos três tentações consecutivas. O inimigo não desiste facilmente. Mesmo no final, ele se ausentou só por algum tempo, até que houvesse outro "momento oportuno" (Lc.4.13). Durante a vida de Jesus, outras tentações aconteceram, até mesmo quando estava na cruz (Mt.16.22-23; 27.40-44). Outros exemplos da insistência diabólica estão na história de Jó e na visão de Apocalipse 12.

O Diabo é ardiloso e utiliza estratégias diversificadas. Começa de forma discreta, com aparência de amizade e vai se mostrando cada vez mais ousado. As tentações são de vários tipos, começando das mais "fracas" até as mais "fortes", das mais simples até as mais absurdas. Não é assim que fazem também os homens sedutores na conquista de suas vítimas? O caçador também é uma figura oportuna. Começa alimentando as aves para conquistar confiança ou garantir a freqüência das mesmas ao local de captura. Depois, elas se tornam alimento para o predador. A primeira tentação de Cristo, no deserto, envolvia simplesmente uma questão de pedra e pão, coisas comuns deste mundo. A segunda já evoluiu para questões espirituais, envolvendo Deus e o anjos. Depois, Satanás deixou os rodeios e pediu para ser adorado. Quanta ousadia!

As tentações fazem parte de um processo bem planejado pelo maligno. Jesus não se deixou envolver por suas ciladas, mas nós muitas vezes nos deixamos levar. A primeira tentação é "menos tentadora". Rejeitar um "falso pão" pode ser relativamente fácil. A última, entretanto, oferecia todos os reinos do mundo e a glória deles. Satanás aumentou bastante sua oferta na tentativa de "comprar" a obediência de Cristo e sua adoração, ao mesmo tempo em que ganharia também as almas de todos os homens, pois a obra da salvação estaria comprometida.

Nas nossas tentações também, o inimigo vai aumentando suas ofertas e testando nossa resistência. Algo semelhante aconteceu com o profeta Balaão. Inicialmente, rejeitou "o preço dos encantamentos" (Num.22.7), recusando a proposta de Balaque para amaldiçoar Israel. Depois, diante da promessa de ser grandemente honrado no reino de Moabe, Balaão cedeu (Núm.22.17; Jd.11; IIPd.2.15). Satanás é um negociador habilidoso. É um comerciante de almas humanas, com as quais deseja povoar o inferno.

Portanto, não podemos relaxar depois de uma vitória, pois um novo ataque virá e pode ser mais forte. Gideão venceu os midianitas (Jz.7.23-25) e resistiu a tentação do poder (Jz.8.22-23). Depois, foi derrotado pelas riquezas, pela religiosidade equivocada e pela prostituição (Jz.8.24-27). Sansão venceu milhares de filisteus, mas foi derrotado por uma mulher (Jz.16.19).

As tentações de Cristo foram o teste inicial do seu ministério. Tendo vencido, sua autoridade foi legitimada. Ele poderia então falar abertamente contra o pecado, pois ele mesmo tinha sido tentado, mas não pecou. Nós também, embora tenhamos cometido muitos pecados, não estamos fadados a repeti-los. Está escrito que é possível vencer: "Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar" (I Co.10.13).

Sempre que vencemos uma tentação ficamos mais experientes. Se pecarmos, daremos exemplo para que outros pequem. Cada vez que conseguimos evitar o pecado nos tornamos mais úteis no sentido de ajudarmos outras pessoas a evitarem aquele erro.

Neste mundo, corremos o risco de cair em várias tentações. Entretanto, não podemos aceitar isso como algo natural e inevitável. Não podemos desistir da luta contra a iniqüidade. O pecado é muitas vezes expresso pela palavra "queda". Façamos, portanto, uma analogia: as crianças caem muito, mas o adultos, raramente. Paulo disse que os coríntios eram "meninos em Cristo", visto que ainda caíam nas invejas e contendas (ICo.3.1-3). Na medida em que crescemos espiritualmente, nos tornamos menos propensos às quedas, embora não estejamos impossibilitados de cair. Se cairmos, devemos nos levantar e prosseguir, sem jamais desistir de caminhar.


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil

segunda-feira, 15 de junho de 2009

As tentações de Cristo - 4




Lemos, no evangelho de Mateus, que Jesus teve fome (Mt.4.2). Esse registro serve como uma das provas da humanidade de Cristo. Embora fosse Deus, ele também era plenamente homem (I Tm.2.5), estando sujeito, voluntariamente, às mesmas limitações físicas que possuímos.

Naquela tentação, quando Satanás sugeriu que Jesus transformasse pedras em pães, a proposta era que ele usasse seu poder divino, abandonando a condição humana. Naquele processo, descrito no capítulo 4 de Mateus, o Mestre estava nos dando exemplo de resistência diante dos problemas e das tentações. A situação envolvia todas as dificuldades próprias do deserto. Além disso, destaca-se a fome como um desafio de grande significado.

Se Jesus transformasse pedras em pães, seu exemplo perderia a utilidade para nós, pois jamais poderíamos, como homens comuns, fazer o mesmo. Não podemos dizer que Jesus venceu as tentações pelo fato de ser Deus. Se fosse assim, estaríamos licenciados para a prática do pecado, uma vez que não temos poderes divinos. Jesus não usou suas prerrogativas divinas em nenhum momento de tentação. Ele resistiu como homem, obediente e comprometido com o Pai, agindo de um modo que nós também possamos agir.

A hora da tentação.

Quando Jesus teve fome, o tentador chegou (Mt.4.2). A hora da necessidade é bastante oportuna para a tentação. Diante de uma carência real ou imaginária, legítima ou não, afetiva, financeira ou de outro tipo, o inimigo sempre tem uma proposta tentadora, uma oferta, uma solução imediata. Ele só não diz o preço ou a conseqüência.

Esaú vendeu seu direito de primogenitura no momento da fome (Gn.25.29). Seu apetite era algo legítimo. Saciá-lo era um direito. Entretanto, o preço era muito alto. Ele poderia comer mais tarde, mas o prato da tentação já estava pronto, em mãos. Muitas pessoas, na busca do suprimento de suas necessidades legítimas, acabam aceitando ofertas malignas que envolvem transgressão, pecado ou até mesmo o crime. Existem opções melhores, mas exigem esforço pessoal e podem demorar. Queremos soluções fáceis e rápidas. Este é o tipo de mercadoria que o Diabo oferece.

Eva, diante da árvore do conhecimento do bem e do mal, não tinha uma necessidade real, mas apenas imaginária. Ela não precisava daquela árvore, do seu fruto, ou do conhecimento que ele produziria. Assim também, muitas vezes ficamos envolvidos com falsas necessidades que podem se tornar laços espirituais. Por exemplo, uma menina de 13 anos não precisa de um namorado, mas ela imagina que sim, e isto pode ser a causa de um problema para a vida toda.

Muitas propagandas comerciais tentam criar falsas necessidades em nossas vidas. De repente, achamos muito necessária ou até fundamental a aquisição de determinado produto, seja um veículo, uma viagem, etc. Quem não se controla nessa área, acaba se comprometendo financeiramente e adquirindo muitas dores de cabeça.

A especialidade do inimigo é trazer rapidamente aquilo que precisamos ou pensamos precisar. É a hora da tentação. Se temos fome, ele nos traz um "falso pão", uma pedra que não poderemos digerir.

Satanás chega sorrateiramente, sem alarde. Ele vem com aparência pacífica, embora suas palavras sejam armas camufladas. Sua aproximação é um ataque disfarçado. No primeiro momento, ele não parece ameaçador. Mostra-se até interessado no bem estar do homem, sugerindo um alimento para matar sua fome. O inimigo das nossas almas se disfarça de amigo, ou até mesmo de anjo de luz, com o objetivo de nos enganar e destruir (II Co.11.14). Ele também usa pessoas com essa estratégia. São aqueles que, dizendo-se nossos amigos, querem nos conduzir ao pecado (Pv.1.10-11).

Precisamos estar atentos. Palavras são armas. Jesus foi atacado por Satanás no deserto. Foi um ataque verbal. Aquilo que ouvimos pode mudar nossa vida, quando acreditamos e aplicamos, seja para o bem ou para o mal. O maior problema é quando o mal parece inofensivo. Que mal existe em transformar pedras em pães? O mal está em seguir um conselho de Satanás. O propósito do inimigo era que Jesus, sendo filho de Deus, agisse de modo independente do Pai. Esta era também a essência da tentação no Éden. O fruto proibido traria conhecimentos que, supostamente, tornariam o homem igual a Deus e, portanto, independente dele.

Na hora da necessidade precisamos vigiar e dizer "não" às ofertas malignas. Geralmente, nós sabemos identificá-las. Nossa consciência nos alerta. Deus nos fala. A bíblia nos ensina. Nossos pais ou líderes nos aconselham.

Vivemos na sociedade do prazer e do imediatismo. Muitas vozes nos dizem que devemos realizar nossos desejos e, quanto mais rápido, melhor. Assim, alguém vai receber logo o pagamento. Se não era o momento apropriado para nós, problema nosso. Precisamos aprender a esperar o tempo certo. A paciência é uma virtude preciosa.

Se Jesus estava com fome, é certo que ele iria comer. Entretanto, não seria na hora escolhida pelo Diabo. Também não seria aceito o cardápio do inimigo. Jesus sabia esperar o momento certo e o alimento certo.

Tendo vencido o adversário, Jesus foi servido pelos anjos (Mt.4.11). É possível que eles tenham trazido o alimento celestial que Cristo esperava. Não precisamos comer as pedras do deserto. Na hora certa, Deus nos dará o suprimento para as nossas necessidades.

Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil

sábado, 13 de junho de 2009

As tentações de Cristo - 3


Antes da sua manifestação pública, é provável que Jesus tenha trabalhado com José, na carpintaria. Chegou o dia, porém, quando ele abandonou tudo para fazer a obra do Pai celestial. Certamente, contrariou as expectativas da família e da sociedade.

Saiu para se encontrar com o primo, João Batista, às margens do rio Jordão, onde foi batizado (Mt.3). Depois, desapareceu por quarenta dias, durante os quais esteve no deserto se preparando para a tentação e para o ministério que se aproximava (Mt.4). Em seguida, deixou sua casa em Nazaré e mudou-se para Cafarnaum (Mt.4.13), onde começou a escolher seus discípulos.

Quando lemos a bíblia, inclusive a história de Cristo, não devemos imitar os fatos ali narrados, de modo literal e sem entendimento. Ninguém precisa largar o emprego e ir para o deserto. Precisamos, sim, seguindo as melhores práticas da hermenêutica, extrair princípios espirituais contidos no texto, aplicando-os à nossa vida, dentro do que for necessário e condizente com cada situação particular, dentro do nosso contexto histórico e cultural.

Nem todos vão abandonar o trabalho secular para se dedicarem ao ministério. Esta é uma questão que pode variar de pessoa para pessoa, dependendo da ordem de Deus para cada um. Por outro lado, o cristão não pode ser tão ocupado com as coisas materiais, sejam profissionais ou de outro tipo, que não tenha tempo para Deus e para a sua obra.

Jesus se afastou de tudo, durante quarenta dias, para se dedicar às questões espirituais. Precisamos fazer isso, de vez em quando. Todo o nosso tempo pertence a Deus, mas é bom que dediquemos uma parte dele, não necessariamente quarenta dias, de modo exclusivo para as práticas relacionadas à fé: seja a leitura, o estudo bíblico, o louvor, a adoração, a oração e o jejum. Naqueles dias, Jesus não fez nem o que consideramos "obra de Deus". Foi apenas um tempo de consagração total. Depois veio a obra (At.13.1-3).

Vejamos outros conceitos que podemos aprender do texto de Mateus 4 para aplicação na atualidade: Se Jesus foi tentado, nós também seremos (Heb.2.17-18). Não significa que passaremos por tentações idênticas às dele. Nunca seremos provocados a transformar pedras em pães ou a pular do pináculo do templo, ou a receber o controle sobre todos os reinos do mundo. Todavia, existem princípios espirituais em cada tipo de tentação e esses elementos estão presentes na nossa experiência, embora as tentações que enfrentamos sejam diferentes daquelas, numa escala menor. Também temos oportunidades para algumas "transformações" inadequadas, alguns "saltos" precipitados e muitas "ofertas" atraentes.

O inimigo que enfrentamos é o mesmo que o Mestre enfrentou. As estratégias e propósitos malignos ali detectados ainda se manifestam hoje.

Quando e como

As tentações de Cristo estão sempre relacionadas ao tempo e ao modo. Jesus haveria de comer pão (Mt.26.26), mas não naquela hora nem seguindo a "receita" no inimigo. Ele seria servido pelos anjos (Mt.4.11), mas não através de uma tentativa de suicídio. Ele teria o domínio sobre todos os reinos do mundo (Ap.11.15), mas não pelas mãos de Satanás. Tudo seria conquistado no tempo certo e da maneira correta. Jesus precisaria esperar, demonstrando paciência e perseverança, seguindo os trâmites normais, pagando o preço justo, dentro do itinerário previsto pelo Pai, sem atalhos ou caminhos alternativos.

Estes aspectos também permeiam as tentações que enfrentamos hoje. Muitas experiências da vida são necessárias e válidas, desde que aconteçam no tempo certo e do modo correto (Ec.8.5-6). Discernir o tempo e o modo é uma das maiores utilidades da sabedoria. A pressa e a precipitação fazem com que muitas pessoas antecipem fatos da vida, para os quais não estão preparadas. Por exemplo, podemos citar as relações sexuais precoces, fora do matrimônio, talvez seguidas pela gravidez indesejada que, em alguns casos, termina em aborto.

A hora e a maneira de se realizar algo serão fatores determinantes para que aquilo seja bom ou mau para nós (Ec.3.1-8).

Outra característica das tentações de Cristo é que todas estão relacionadas ao "eu". O inimigo sugere benefícios pessoais em cada situação, seja no caso dos pães, do socorro angelical ou do governo mundial. Aparentemente, o homem Jesus estaria usufruindo de tudo, como o centro das atenções. Entretanto, existe a vantagem de Satanás em cada fato, pois, em caso de realização daquelas ações, ele levaria o crédito. Dele seriam o planejamento e a direção. Teria, portanto, uma posição de autoridade sobre Cristo. No caso do controle sobre os reinos do mundo, Jesus seria o rei, mas Satanás seria ainda superior, em posição de "deus", pois haveria de ser adorado (Mt.4.9).

Portanto, em toda tentação ou pecado, por trás dos aparentes benefícios humanos, existe o ganho discreto, porém maior, de Satanás. Depois, o benefício acaba, mas o dano espiritual permanece. É o que acontece com alguns produtos que compramos. A mercadoria acaba, mas continuamos pagando as prestações. Cuidado! O sabor do pecado termina rapidamente, mas a culpa fica, as conseqüências permanecem e o castigo pode ser eterno, caso não haja arrependimento e conversão.

O inimigo utiliza coisas boas para tecer suas teias malignas. Nas três tentações observamos que ele procurou desviar o poder sobrenatural (Mt.4.3), a palavra de Deus (Mt.4.6) e a adoração (Mt.4.9) para alvos inadequados. Note-se a sutileza da tentação e o quanto devemos vigiar.

Pecam aqueles que usam o poder, mesmo dos dons espirituais, para obter vantagem pessoal.

Pecam aqueles que pregam a palavra de Deus com propósitos egoístas, com ganância e engano.

Pecam aqueles que tomam para si a adoração que é devida a Deus, usurpando a glória e a honra.

Pecam aqueles que adoram aos ídolos, porque está escrito: "Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele darás culto".

Vejamos outros aspectos importantes: O texto envolve o saber, o crer e o agir. A palavra de Deus era do conhecimento de Cristo, mas Satanás também a conhece de cor. A ignorância humana em relação às Escrituras já deixa o indivíduo em grande desvantagem diante do tentador. Quando ele diz "está escrito", precisamos ter uma resposta adequada.

Contudo, além de saber, é necessário crer. Jesus cria na bíblia, mas o Diabo também, assim como crê em Deus (Tg.2.19). Então a luta se trava em um nível mais alto. Satanás tenta se aproveitar da fé de Cristo, conduzindo-o a uma experiência sobrenatural ilegítima (Mt.4.6). Algumas pessoas, pelo fato de terem fé, querem mandar em Deus.

Depois, vem o campo das ações. Podemos saber e crer, mas isto de nada adiantará se falharmos na hora de realizar. Esse é o momento crucial do confronto com o mal. A palavra de Deus e a fé serão determinantes na nossa decisão de agir ou não.

Há tempo para esperar e há tempo para agir. A ação é muito estimulada na sociedade moderna, sendo, de fato, muito importante em diversos momentos. A preguiça e a inércia constante podem ser nocivas. Entretanto, precisamos tomar cuidado com o ativismo, pois muitos atos podem ser pecaminosos, ainda que pareçam positivos.

Cabe aqui uma reflexão sobre as obras mortas: agir sem conhecimento, agir sem fé ou fazer sem ser.

É bom notar que Jesus não agiu na hora em que o inimigo queria. Ele não transformou pedras em pães, não pulou do templo, não se prostrou para adorar, nem assumiu o governo mundial.

Em algumas situações, devemos nos abster da ação. Jesus se manteve impassível, quieto, esperando o tempo determinado pelo Pai para realizar as suas obras (João 2.4). Ele não foi precipitado nem um ativista inconseqüente.

Muitos servos de Deus erraram por não saberem esperar. Como exemplos notáveis de precipitação podemos citar: Abraão, quando gerou Ismael; Moisés, ao matar o egípcio; e Pedro, que cortou a orelha de Malco.

Na continuação do capítulo 4 de Mateus, lemos sobre o início do ministério de Jesus. Então, ele começou a cumprir uma "agenda" repleta de atividades voltadas para o evangelismo, a cura, a libertação e o discipulado. Chegou a hora de trabalhar.

O tempo da espera é uma época de tentações, quando o Diabo nos estimula à ação antecipada.

Cristo venceu Satanás. Sua vitória é o ápice do que podemos aprender daquele episódio, indicando que nós também podemos vencer. Não precisamos ser derrotados, porque "maior é o que está em nós do que aquele que está no mundo" (I João 4.4).

Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil

quinta-feira, 11 de junho de 2009

LIÇÃO 11 A RESSURREIÇÃO DE CRISTO/ SUBSIDIOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO
Texto Áureo: I Co. 15.20 - Leitura Bíblica em Classe: I Co. 15.1-10

Objetivo: Mostrar que sem a doutrina da ressurreição de Cristo, o cristianismo perde sua razão de ser.

INTRODUÇÃO
Os crentes de Corinto deturparam a doutrina da ressurreição de Cristo. A fim de dirimir algumas questões e solucionar os problemas, Paulo apresenta algumas recomendações em sua I Epístola. Com base em tais explicações, destacaremos, na lição de hoje: 1) a doutrina da ressurreição bíblica; 2) o ensinamento paulino em I Co. 15 sobre a ressurreição; e 3) a igreja e a ressurreição. Ao final da aula, esperamos que os alunos sejam motivados a defender e a viver com base nessa agradável verdade bíblica, cujas evidências se encontram na Bíblia.

1. A DOUTRINA BÍBLICA DA RESSURREIÇÃO
Não existe uma palavra hebraica para “ressurreição” no Antigo Testamento e há muito pouco que explicitamente a descreva de modo que possamos formular uma doutrina da ressurreição nessa parte da Bíblia. A passagem mais clara que trata a esse respeito se encontra em Dn. 12.2, onde Daniel profetiza a respeito do tempo no qual “muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno”. Devido a pouca quantidade de informações a respeito da ressurreição no Antigo Testamento, os Saduceus, no Novo Testamento, que acreditavam apenas no Pentateuco e que não aceitavam os livros proféticos, negavam essa doutrina (Mt. 22.23; At. 23.8). Em I Rs. 17.17-23; II Rs. 4.19-37; 13.21, Deus mostra o Seu grandioso poder para ressuscitar os mortos, o que é reforçado em Ez. 37.1-14. No Novo Testamento, esse ensinamento bíblico está mais amplamente explicitado. O substantivo “anastasis” ocorre 42 vezes e significa “ressurreição”. Ao longo do NT, essa palavra é repetidas vezes utilizada para explicitar o momento em que Cristo virá para ressuscitar os crentes (Jo. 11.24; At. 24.15; Hb. 6.2). Essa ressurreição é superior àquela que costumava ser esperada pelos antigos crentes (Hb. 11.35) porque receberão corpos glorificados, que não estarão sujeitos às imperfeições como o corpo presente (Fp. 3.10-11,20-21). Os gregos, por acreditarem que apenas a alma era imortal, zombaram, de Paulo quando esse pregou a respeito da ressurreição do Corpo (At. 17.32). Muitas pessoas pensam do mesmo modo nos dias atuais, mas o Senhor revelou claramente que haverá um dia no qual os mortos ressuscitarão para a vida ou morte eterna (Jo. 5.29).

2. O ENSINO SOBRE A RESSURREIÇÃO EM I CO. 15
A ressurreição é o último tema abordado por Paulo nessa Epístola. Algumas pessoas na Igreja de Corinto negavam a ressurreição (v. 12). O Apóstolo mostra que esse é um grande equívoco, pois essa é parte integrante da fé cristã (v. 2). Cristo ressuscitou e esse evento é o fundamento da esperança (v. 4). Após a ressurreição, o Senhor apareceu a Cefas (Lc. 24.34. Mc. 16.7), aos demais apóstolos (Lc. 24.36. Jo. 20.19) e a mais de quinhentos irmãos (Mt. 28.16). Essas testemunham são apresentadas por Paulo a fim de mostrar a veracidade de tal relato. Se alguém não quer aceitar a ressurreição de Cristo como uma verdade, é vã a sua crença (v. 14), é sem conteúdo, sem substância, e mais que isso, atribui-se aos apóstolos uma mentira (v. 15). Se Cristo não ressuscitou, ou mais precisamente, se não acreditarmos em tal fato, ainda continuamos nos nossos pecados (V. 17). A ressurreição de Cristo trouxe algumas conseqüências para o cristão. A primeira delas é que a ressurreição do Senhor implica na ressurreição dos crentes, pois Ele é as primícias (v. 20-23). A morte, por sua vez, o último inimigo (v. 26), será destituída do seu poder. Nos dias atuais, ainda que o corpo seja semeado, chegará o tempo no qual esse será vivificado. Mas essa semente não tem vida em si mesmo, é Deus quem a dá (v. 36). Os corpos que ressuscitarão não serão terrestres, antes espirituais (v. 39-41), portanto, incorruptíveis (v. 42,43). E esses corpos espirituais estão intimamente relacionados ao espírito humano, do mesmo modo como o seu corpo atual o está com a vida terrena. Isso acontecerá em momento exato determinado por Deus (I Ts. 4.13-17), no qual os vivos serão transladados e os mortos ressuscitarão, esse é o mistério de Deus revelado à igreja (v. 50,52). Justamente nessa ocasião a morte será tragada na vitória (v. 54,55). A revelação de tal mistério deverá servir de encorajamento para que estejamos sempre atuantes na obra do Senhor, sabendo que o trabalho que aqui desempenhamos não é vão (v. 58).

3. EVIDÊNCIAS DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO
Cristo ressuscitou dentre os mortos e, graças ao testemunho bíblico, temos evidenciais cabais de tal acontecimento. Inicialmente, destacamos que sua execução foi pública, a fim de que todos atestassem sua morte. Ele foi açoitado e executado, juntamente com dois criminosos, no subúrbio de Jerusalém. Como já se aproximava o Sábado, os soldados romanos tentaram apressar a morte dos crucificados, quebrando-lhes as pernas, mas isso não ocorreu com Jesus, pois este já havia morrido. Como Jesus havia antecipado sua ressurreição, os oficiais romanos trataram de colocar seguranças no túmulo, a fim de que o corpo de Jesus não fosse roubado. Esses soldados tinham motivos para permaneceram alerta, pois, caso o corpo fosse levado, teriam que pagam com a própria vida. Paradoxalmente, após a ressurreição de Cristo, esse argumento foi usado pelos líderes religiosos contra o testemunho dos discípulos. Mesmo com a guarda do túmulo, esse foi encontrado vazio. O testemunho dos discípulos precisa ser ouvido, e muitos disseram ter visto Cristo ressuscitado, ainda em 55 d.C., informações que naquela época poderiam ser refutadas. Pedro, os doze apóstolos e mais de quinhentos irmãos, Tiago e Paulo (I Co. 15.5-8; At. 1.3). A vida dos apóstolos, devido a esse acontecimento sem precedentes, foi mudada radicalmente (At. 5.29), homens que outrora temiam as autoridades políticas e religiosas, agora falavam de Cristo com ousadia (AT. 5.42), ainda que fossem ameaçados de morte. Na verdade, muitos se tornaram mártires da fé por causa do testemunho da morte e ressurreição de Cristo, pois essa assegurava-lhes uma existência para além dessa vida terrena, pois o mesmo Espírito que ressuscitou a Cristo, ressuscitará também aqueles que nEle acreditam (Rm. 8.11).

CONCLUSÃO
Cristo ressuscitou e, porque Ele vive, podemos cantar com o autor do hino 545 da Harpa Crista “posso crer no amanhã. Porque Ele vive, temor não há. Mas eu bem sei, eu sei, que a minha vida está nas mãos de meu Jesus, que vivo está. E quando, enfim, chegar a hora em que a morte enfrentarei, sem medo, então, terei vitória: irei à Glória, ao meu Jesus, que vivo está”.

BIBLIOGRAFIA
MORRIS, L.
I Coríntios: Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2007.
PRIOR, D.
A mensagem de I Coríntios. São Paulo: ABU, 2001.

Fonte:Subsidios EBD

quarta-feira, 10 de junho de 2009

As Tentações de Cristo - 2


"Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. Chegando, então, o tentador, disse-lhe: Se tu és Filho de Deus manda que estas pedras se tornem em pães. Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt.4.1-4).

Depois de jejuar quarenta dias, em "retiro espiritual", longe de tudo e de todos, Jesus estava faminto. Usamos a expressão "fome" quando ficamos algumas horas sem comer. Entretanto, Cristo esteve muitos dias em jejum e precisava se alimentar. Ele sentiu o que sentem os miseráveis da nossa sociedade, quando lhes falta o mantimento.

O texto fala de dois alimentos: o pão e a palavra. Portanto, estão em foco duas dimensões da vida humana: física e espiritual. Muitas vezes, focalizamos apenas o que é terreno e esquecemos o celestial. Vivemos correndo atrás do nosso sustento material e deixamos em segundo plano o alimento do espírito. Valorizamos o que é temporal e desprezamos o eterno.

Jesus disse: "Nem só de pão..." Muitos buscam só o pão, o alimento perecível. Assim, o espírito dessas pessoas fica debilitado ou pode ser que esteja morto. Por outro lado, Jesus não disse que o homem viverá sem pão. Portanto, precisamos dos dois: do pão e da palavra de Deus.

Contudo, é preciso encontrar a ordem certa de prioridades: primeiro a palavra e depois o pão. Por isso, Jesus jejuou. O jejum é a renúncia espontânea ao legítimo direito de se alimentar, numa demonstração de que a vida espiritual é prioritária.

Se Jesus jejuou, nós precisamos fazer o mesmo. Ele não o fez apenas por algumas horas, mas por muitos dias. Nem todos têm condições de jejuar por tanto tempo, mas o certo é que devemos fazer investimentos significativos na nossa vida espiritual, respeitando as limitações individuais. Algumas pessoas estão impossibilitadas de fazê-lo, por questões de saúde. Entretanto, os cristãos que, podendo jejuar, não o fazem, evidenciam ignorância ou, talvez, desinteresse por uma prática de grande valor diante de Deus e uma arma contra o mal.

Depois dos quarenta dias, veio Satanás tentando colocar o foco de Jesus no alimento físico e na vida terrena, como se ele precisasse obter pão a qualquer custo e imediatamente. Ainda que Jesus tivesse uma fome mortal, ele não morreria, a não ser que uma palavra do Pai o permitisse. O inimigo deseja que estejamos totalmente ocupados e preocupados com a vida física, de modo que todos os nossos recursos, tempo e energia sejam direcionados para o que é terreno.

Alimento e vida estão diretamente relacionados. Assim como o nosso corpo precisa do alimento para viver e funcionar plenamente, assim acontece com o nosso espírito. A palavra de Deus traz sustento espiritual. Ela nos renova, fortalece e capacita para fazermos a vontade do Senhor. Notamos, portanto, quão importante é a leitura e o estudo da bíblia para todo aquele que já foi vivificado e salvo pelo Senhor Jesus.

O texto diz: "toda palavra que sai da boca de Deus". É dela que necessitamos. Contudo, muitas palavras chegam aos nossos ouvidos e elas provêm de outras origens. São dogmas, falsas doutrinas, orientações religiosas, tradições ou, simplesmente, conceitos mundanos. Esse é um tipo de alimento que não sai da boca de Deus, podendo, pois, ser prejudicial. Quando somos leitores e estudantes das Sagradas Escrituras, estamos prontos para julgar todos os demais ensinamentos que chegam a nós. Foi o que Jesus fez em relação às palavras do tentador.

Após o fracasso da proposta referente aos pães, o inimigo mudou de estratégia. Tendo Cristo citado a importância da palavra de Deus, a segunda tentação foi idealizada a partir de um texto bíblico, procurando motivar uma falsa espiritualidade:

"E disse-lhe: Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra" (Mt.4.11).

Seria aquela palavra, citação do Salmo 91.11, um alimento aceitável para Cristo? Não. O inimigo inseriu ali um pouco do seu veneno. Ele distorce as Escrituras para enganar e destruir. Por isso, o simples fato de alguém conhecer a bíblia e citar seus versículos não nos deve impressionar, como se isto bastasse para garantir a confiabilidade da pessoa.

Vemos ali as palavras de Deus na boca do Diabo. Contudo, Jesus disse: "... toda palavra que SAI da boca de Deus." Nossa vida espiritual não se fundamenta apenas na palavra escrita, mas na palavra falada por Deus; Não apenas na letra, mas no Espírito (IICo.3.6). Isto pressupõe uma experiência viva com o Senhor, como aquela que Cristo teve no batismo (Mt.3.16-17) e também no início do capítulo 4, mostrando que o Pai e o Espírito Santo estavam presentes e participavam da vida de Jesus.

A bíblia é de fundamental importância, mas não por si mesma, não isolada, como se fosse um livro mágico ou um amuleto. Não basta deixá-la aberta sobre a mesa, como se isso espantasse os maus espíritos ou pudesse trazer alguma bênção. Seus versículos não são fórmulas místicas e automáticas. Não se deve tentar usar a palavra de Deus sem Deus ou sem um compromisso com ele. O resultado pode ser uma experiência com Satanás. Muitas religiões usam a bíblia, mas isso não significa que Deus tenha ali alguma participação.

Da mesma forma, alguns estudam a teologia, mas não experimentam a ação de Deus em suas vidas. É como o filho que lê e coleciona as cartas do pai, mas nunca o viu nem o conhece; ou semelhante a alguém que estuda a fórmula do chocolate, mas nunca o experimentou.

Diante daquela proposta satânica baseada na bíblia, Jesus respondeu: "Também está escrito: não tentarás o Senhor teu Deus" (Mt.4.7). Note-se que o uso que Satanás faz da bíblia está voltado para o benefício egoísta e a cobrança de respostas divinas imediatas. A ênfase de Jesus sobre a mesma palavra está na questão do relacionamento. Ele mostrou que, embora a palavra de Deus estivesse sendo usada, a atitude não estava coerente com o comportamento de alguém que reconhece o senhorio do Pai. Se ele é o "Senhor teu Deus", nós não estamos em condições de determinar quando ele deve agir ou quando os anjos devem trabalhar.

Na terceira tentação, o Diabo ofereceu os reinos do mundo, com poder, riqueza e glória humana para alimentar o ego de Jesus. Ele ainda faz ofertas desse tipo para todos aqueles que estão ou desejam estar em posição de destaque.

Diante de tantas estratégias malignas, como venceremos? Alimentando o nosso espírito com a palavra de Deus, tendo também um compromisso vivo com ele, aliando conhecimento e prática, através da obediência. Precisamos conhecer a bíblia e ter também uma experiência pessoal com Jesus Cristo, recebendo-o como Salvador e Senhor. Caso contrário, faremos mau uso das Escrituras. Além disso, o propósito da nossa vida deve ser a glorificação de Deus e não do nosso próprio nome. Vivemos para estabelecer o reino dele e não o nosso. Estas foram as diretrizes do ministério e da vida do Senhor Jesus. Por isso, ele venceu o tentador em todos os aspectos.


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil

terça-feira, 9 de junho de 2009

ANDANDO SOBRE AS ÁGUAS


Certa vez, Jesus mandou que seus discípulos fossem adiante dele para
o outro lado do Mar da Galiléia. Então, o Mestre despediu a multidão
e foi ao monte orar (Mateus 14.22). Em princípio, esta não seria uma
situação complicada para os 12, porque alguns deles eram pescadores
experientes e sabiam navegar muito bem. Além disso, a visibilidade
era boa, pois o dia ainda estava claro. Certamente, poderiam
atravessar o mar sem que Jesus estivesse com eles.
O início da viagem parece ter sido tranqüilo. Contudo, o tempo passou
e a tarde chegou (14.23). De repente, começou uma ventania e o mar
ficou bravio (14.24). A noite caiu e eles não conseguiam chegar ao
outro lado. Já estavam no meio do mar, mas o vento contrário não os
deixava avançar. Viram-se então em apuros, em perigo, correndo risco
de naufrágio e morte.
Podemos comparar esta cena às nossas vidas ou algum momento vivido.
Temos tantos alvos, propósitos, objetivos. Queremos chegar a algum
lugar, alcançar a concretização dos nossos sonhos e projetos. No
primeiro momento, pensamos que conseguiremos sozinhos, por conta
própria. Afinal, somos fortes, capazes e experientes. Sabemos aonde
vamos. Conhecemos a rota, os remos, as velas e a maré. Entretanto, o
tempo passa e a tempestade vem. A noite chega e os ventos se tornam
contrários. Os impedimentos se multiplicam e muitas forças querem nos
impelir na contramão dos nossos planos. Quando procuramos a ajuda
dos nossos amigos, vemos que todos estão no mesmo barco e na mesma
dificuldade.
No meio do mar revolto, os discípulos perderam o controle da
embarcação, que era arremessada pelas ondas de um lado para o outro.
Porém, o texto nos diz que, na quarta vigília da noite, depois das 3
horas da madrugada, Jesus foi até eles (Mt.14.25). O Mestre não os
abandonou. Vemos naquele versículo a manifestação da misericórdia
divina. Todavia, eles podem ter questionado: por quê Jesus demorou
tanto? Nossa idéia de tempo é diferente da idéia que Deus tem.
Afinal, ele vive na eternidade. Nós vivemos na ansiedade. Queremos
tudo imediatamente. Esperar é um sacrifício, principalmente para o
homem moderno. Muitas vezes, Deus não nos socorre imediatamente
porque ele tem um propósito nisso. É o tempo necessário para
valorizarmos mais a sua presença, clamando pelo seu nome em oração.
Enquanto isso, esgotam-se as nossas forças, nossos recursos e nossa
auto-confiança. Somos desafiados a crer somente nele.
Jesus vem ao encontro daqueles que estão no meio da tempestade,
perdidos, amedrontados ou até desesperados. Muitos momentos da vida
se parecem com aquela situação dos discípulos. A tormenta de cada um
pode ser o conflito conjugal, a separação, a solidão, a enfermidade,
o desemprego, o aperto financeiro, a falência, etc. Nesse momento
difícil, é preciso erguer os olhos e ver Jesus (14.26). Ele é a
nossa única esperança.
Cristo vinha andando sobre o mar, pisando sobre aquilo que os
discípulos temiam. Ele é soberano, domina sobre todas as coisas e
supera todas as nossas expectativas. Os discípulos o viram, mas não
o reconheceram. Jesus então lhes disse: "Tende bom ânimo. Sou eu. Não
temais." (14.27). Eles estavam amedrontados e desanimados, mas o
Senhor lhes trouxe a sua palavra para encorajar, erguer e animar.
Ainda hoje, este é o efeito da palavra de Deus sobre nós.
Pedro, o mais atirado do grupo, disse a Cristo: "Senhor, se és tu,
manda-me ir ter contigo por cima das águas" (14.28). E ele lhe
disse: "Vem" (14.29). Jesus veio até nós, mas nós também precisamos
ir até ele, ou seja, ele nos socorre, mas nós precisamos crer e
aceitar a sua ajuda. Não vamos esperar que ele resolva tudo sem o
nosso conhecimento ou sem a nossa participação. Pedro precisou sair
do barco e caminhar até o Mestre.
Apesar de toda a complexidade da situação, os discípulos ainda
confiavam no barco. Precisavam confiar apenas em Jesus. O barco é
aquele último recurso terreno que nos impede de caminhar com o
Senhor. Precisamos descer, renunciando àquilo que nos prende.
Pedro desceu, mas 11 discípulos continuaram a bordo. A maioria não
foi tão longe. Todos queriam o Mestre, mas não estavam dispostos a
correr grandes riscos para se aproximarem dele. As maiores
experiências com Deus estão reservadas para aqueles que são mais
ousados. Isto não significa fazer qualquer loucura, mas apenas
atender à palavra de Deus, saindo da zona de conforto e indo além dos
limites humanos. Pedro ouviu a voz do Mestre dizendo: "Vem". Sobre
a palavra de Jesus, Pedro depositou sua fé. Além de crer, ele também
agiu. Temos então: palavra, fé e ação. O resultado é o milagre.
Aos olhos humanos, a ação de Pedro era um suicídio, perda total, o
fim. Contudo, aquele ato de fé era o início de uma jornada
extraordinária.
Jesus não arrancou Pedro do barco. Ele precisou demonstrar o
exercício de sua própria vontade ao descer e caminhar. Era uma
questão de escolha, decisão e iniciativa. Da mesma forma, Jesus
continua chamando a muitos. Ele diz: "Vem". Ele nos chama para uma
vida sobrenatural, para andar sobre as águas. Pedro andou (14.29).
Ali aconteceu o imprevisível, improvável e impossível. Pedro
encontrou segurança e firmeza no meio da instabilidade. Se você crê
em Jesus, o impossível pode acontecer. Deus pode trazer soluções
inimagináveis. Contudo, isto não se concretiza simplesmente a partir
da nossa vontade, embora possamos pedir, como Pedro fez. O fator
determinante é uma palavra de Jesus a nosso favor. Se cremos na
palavra de Deus e agimos de acordo com ela, em obediência, o
sobrenatural acontece.
Pouco depois de descer do barco, tendo dado alguns passos sobre as
águas, Pedro começou a afundar (14.30). Por quê isso aconteceu? Está
escrito que ele "sentiu o vento forte". O que percebemos com os
sentidos físicos pode ser contrário à fé. Para andar com Jesus não
podemos depender de sentidos ou sentimentos. Vamos sentir, ver e
ouvir muitas coisas contrárias, mas a nossa fé está firmada na
palavra de Deus.
O fato de Pedro ter começado a afundar nos mostra a fragilidade
humana, até mesmo dos grandes homens de Deus. Todos os apóstolos
viram que Pedro não era infalível nem igual a Jesus, mas dependente
dele. Assim, a nossa fé não pode depender dos servos de Deus que
conhecemos hoje ou daqueles que já morreram.
Quando começou a afundar, Pedro clamou pela ajuda de Jesus: "Senhor,
salva-me" (14.30). Não adiantaria pedir ajuda a outra pessoa. Pedro
clamou ao Senhor e foi salvo da morte. Da mesma forma, em se tratando
de salvação das nossas almas, só Jesus pode nos ajudar, pois só ele é
o Salvador. Está escrito: "Todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo" (Rm.10.13).
Naquele momento, todos os discípulos foram salvos, porque Jesus
entrou no barco e o ventou cessou. Aquela circunstância tão adversa
foi útil para que eles conhecessem um pouco mais sobre Cristo, seu
poder e sua divindade (14.33). Assim acontece conosco. Deus permite
que passemos por situações difíceis para que tenhamos novas
experiências pela fé e o conheçamos um pouco mais. Teremos, então,
novos motivos para louvá-lo e adorá-lo.
O versículo 34 nos diz que eles chegaram ao outro lado do mar.
Sozinhos não conseguiriam, mas, com Jesus no barco, a chegada é
garantida. Não vamos desistir nem naufragar. Muito além de alcançar
nossos objetivos neste mundo, o mais importante é que, com Jesus,
chegaremos ao reino celestial e com ele viveremos eternamente.

Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A ARTE DE CALAR!!!

“Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar”. (Tg.1.19)

É muito importante a capacidade de se comunicar de modo claro e eficiente. Contudo, saber calar também é algo valioso e ainda mais difícil.

As palavras têm um grande poder e, uma vez ditas, não podem ser recolhidas. São como flechas que, tendo sido atiradas, não podem ser contidas pelo flecheiro. Notamos, portanto, a importância do controle sobre as palavras, de modo que sejam liberadas com prudência e “economia”, pois “na multidão de palavras não falta transgressão; mas o que refreia os seus lábios é prudente” (Pv.10.19). Existem circunstâncias em que o melhor a fazer é manter o silêncio.

“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lm.3.26).

- Quando estamos sob forte tribulação ou logo após um fracasso, temos a tendência de falar bobagens, inclusive murmurando contra Deus, como fizeram os israelitas diante das intempéries e privações do deserto (Nm.11.1-10; 14.2). No meio das dificuldades, louvemos ao Senhor e não murmuremos. “Para que a minha alma te cante louvores, e não se cale. Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre” (Salmo 30.12). “Em tudo dai graças porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (I Tss.5.18). Se não conseguimos louvar, calemo-nos.

- Quando vemos o erro, o pecado ou insucesso de outra pessoa, nossa língua parece procurar os ouvidos de alguém para contar a notícia. Se não pudermos falar algo para ajudar nosso próximo, é melhor que nos calemos. Às vezes o caso exige denúncia ou conselho, mas normalmente a questão não é essa e acabamos cometendo a maledicência e a difamação. Temos um tribunal dentro de nós: a consciência, e queremos aplicá-la sobre os outros, como se tivéssemos o direito de julgá-los e condená-los (Tg.4.11-12). Dessa forma, atraímos condenação sobre nós mesmos (Tg.5.9).

- Quando vemos operações sobrenaturais, uso de dons espirituais ou mesmo práticas litúrgicas no meio cristão que porventura sejam diferentes das nossas, não devemos ser apressados na crítica ou condenação. Não somos obrigados a gostar nem concordar com tudo, mas a pressa em nos pronunciarmos a respeito pode levar ao pecado. Na maioria das vezes, é melhor calar (Mt.12.22-37; At.5.33-40).

- Quando orarmos, não sejamos exagerados em nossas frases, pois podemos estar mentindo, principalmente no que diz respeito aos votos. É melhor evitá-los do que prometermos aquilo que não podemos cumprir. Tal atitude pode trazer a punição divina sobre nós.

“Chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos... Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma na presença de Deus... portanto, sejam poucas as tuas palavras. Porque, da multidão de trabalhos vêm os sonhos, e da multidão de palavras, a voz do tolo... Melhor é que não votes do que votares e não pagares. Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas na presença do anjo que foi erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos?” (Ec.5.1-7).

“O Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Hab.2.20).

“Irai-vos e não pequeis; consultai com o vosso coração em vosso leito, e calai-vos” (Salmo 4.4).

“A morte e a vida estão no poder da língua. Aquele que a ama comerá do seu fruto” (Pv.18.21)

“Por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado” (Mt.12-37).

“A palavra dita a seu tempo, quão boa é!” (Pv.15.23)

“Como maças de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Pv.25.11)

“Vês um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o tolo do que para ele” (Pv.29.20).

“Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo” (Tg.3.2).

“O que guarda a sua boca preserva a sua vida; mas o que muito abre os seus lábios traz sobre si a ruína” (Pv.13.3).

"O que guarda a sua boca e a sua língua, guarda das angústias a sua alma" (Pv.21.23).

“Até o tolo, estando calado, é tido por sábio; e o que cerra os seus lábios, por entendido” (Pv.17.28).

Se falarmos, que seja para a edificação (Ef.4.29). Sempre que possível, nossas palavras devem ser positivas.

O domínio próprio é parte do fruto do Espírito. Que ele nos ensine a calar ou falar quando for preciso. Que não pequemos pela omissão nem pela precipitação. Que o Senhor nos dê sabedoria para administrar o poder dos nossos lábios, de modo que ele seja usado somente para a glória de Deus.


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.

sábado, 6 de junho de 2009

As Tentações de Cristo - 1

Antes de começar seu ministério terreno, Jesus foi batizado no rio Jordão. Ao sair da água, desceu sobre ele o Espírito Santo e ouviu-se a voz do Pai que dizia: "Este é o meu filho amado, em quem me comprazo" (Mt.3.17). Aquele texto mostra a trindade reunida.

Depois da imersão na água, Cristo enfrentaria a areia seca e o sol escaldante. Após a experiência maravilhosa com o Pai, Jesus precisava ter um encontro com o inimigo. Foi então para o deserto (Mt.4.1), onde jejuou durante quarenta dias. Da mesma forma acontece conosco. Além dos momentos gratificantes, de regozijo e tranqüilidade, temos também os tempos de provação. Vivemos com Deus, mas enfrentamos o Diabo constantemente. Não podemos nos esquivar do confronto. Afinal, devemos estar preparados, como soldados, para o combate. Situações boas e ruins se revezam em nossas vidas, e não devemos estranhar que isto aconteça.

Após o jejum, o Diabo aparece. É algo estranho para nós, principalmente porque desejamos resultados positivos e imediatos nos nossos jejuns. Algumas pessoas usam a abstinência alimentar como se fosse moeda para negociar com Deus. Imaginam que o jejum possa criar direitos a serem exigidos (Is.58.3). Pelo contrário, esse deve ser um ato de renúncia, consagração, humilhação pessoal e culto a Deus, sem que se espere algo em troca.

Veio então Satanás com o propósito de impedir a obra de Cristo na terra. Esta era uma de suas intenções. Ele não pode destruir diretamente nenhum dos filhos de Deus, mas, através das tentações, procura levar-nos à auto-destruição. Além disso, o seu desejo é afrontar Deus, usurpando autoridade e adoração.

Assim, ele chega e diz: "Se tu és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães." (Mt.4.3). Lembremos-nos que, no batismo, o Pai declarou a filiação divina de Cristo. Portanto, após a proclamação da palavra de Deus, vem a palavra de Satanás para questionar e contradizer. O mesmo aconteceu no jardim do Éden. Deus deu claras instruções para Adão e Eva. Depois, veio a serpente para falar algo diferente. Hoje, também somos bombardeados por opiniões, conceitos, sugestões e conselhos que tentam conduzir a nossa vida por caminhos diferentes da orientação celestial.

Temos tantas palavras de Deus a nosso respeito, na bíblia e fora dela. São profecias e promessas, por meio das quais o Senhor declara a nossa condição de filhos. Temos ainda o testemunho do Espírito Santo em nossos corações (Rm.8.14-17). Contudo, Satanás nos ataca com suas palavras malignas: "Se tu és filho de Deus..."

A conjunção "se" pode sugerir uma dúvida. Jesus nunca duvidaria de sua condição de filho, mas nós podemos viver momentos de incerteza, se nos deixarmos levar pela linha de raciocínio do inimigo. Para isso, ele pode usar pessoas que questionam a nossa fé, de maneira crítica e destrutiva. Isto aconteceu também quando Cristo estava na cruz (Mt.27.40). Para o povo daquela época, não parecia lógico que alguém que se dizia filho de Deus pudesse sofrer e morrer.

Mas, quais são as verdadeiras evidências da nossa filiação divina? Alguns cristãos imaginam que, por serem filhos de Deus, têm direitos materiais adquiridos, devendo ser ricos, sempre saudáveis e imunes ao sofrimento. Tais expectativas são ilusões anti-bíblicas. Se aceitarmos esse tipo de doutrina, poderemos questionar nossa adoção espiritual diante das dificuldades que nos acometem. A bíblia não prometeu uma vida fácil e sempre agradável para os filhos de Deus. É certo que teremos vitórias, mas, para isso, haveremos de enfrentar muitas lutas nas mais diversas áreas (João 16.33). Algumas adversidades terminam e outras começam. Só deixarão de existir quando entrarmos na glória celestial.

A frase satânica parece ter um tom sarcástico. É como se ele dissesse: "Se tu és filho de Deus, por quê estás com fome? Por quê estás sem comida? Só te restam estas pedras"? Aquela condição de escassez não alterava em nada a posição espiritual de Cristo ou sua identidade.

O que garante que nós também somos filhos de Deus? É o fato de termos sido adotados por ele. Éramos, por natureza, filhos do diabo (João 8.44), filhos da desobediência (Ef.2.2), filhos da ira (Ef.2.3). Contudo, quando recebemos o Senhor Jesus como nosso Salvador pessoal, tornamo-nos filhos de Deus (João 1.11-12; I João 5.1). Este é um fato consumado que conhecemos através da bíblia e apropriamos quando cremos. O inimigo tenta plantar a dúvida em nossos corações, mas devemos proclamar a palavra de Deus, que é o combustível da nossa fé. Não é a vultosa conta bancária que testifica que somos filhos, mas é o que Deus disse a nosso respeito nas Sagradas Escrituras. Sabemos que somos filhos do Senhor (I João 3.1-2), e isto não depende das circunstâncias, dos sentimentos, das emoções, ou das posses materiais.

O pai dá boas dádivas aos filhos (Mt.7.9-11), mas a filiação também não depende disso. Não devemos duvidar da nossa condição espiritual pelo fato de Deus não nos ter dado alguma coisa que lhe pedimos. Satanás disse: "Se tu és filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães". Jesus não precisava fazer milagres para provar nada ao Diabo. Nós também não precisamos ficar preocupados em oferecer esse tipo de prova para aqueles que nos rodeiam. Uma manifestação de poder não constituiría prova suficiente. Havia outras evidências muito mais contundentes e valiosas.

O filho tem a natureza do pai. Ele se parece com o pai. A vida e o caráter de Jesus eram os maiores testemunhos de que ele era e é o Filho de Deus. Da mesma forma, nosso vínculo com o Senhor deve ser demonstrado através do nosso caráter e da nossa vida, sendo imitadores do Pai, manifestando sua natureza e suas virtudes através das nossas palavras e ações (Ef.5.1; II Pd.14; Gal.5.22).

Acolher a dúvida pode ser o primeiro passo em direção ao abismo. O inimigo, que jamais poderá ser filho de Deus, quer minar a nossa fé, fazendo-nos desviar do caminho que o Senhor traçou para nós. A resposta de Jesus foi uma citação bíblica: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Dt.8.3). Nós também precisamos estar cheios da palavra de Deus, pois ela é uma das armas que usaremos nos confrontos com o adversário. Assim, não ficaremos mudos diante dele. Jesus venceu e nós podemos vencer também porque "em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Rm.8.37).


Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sansão e Dalila

Texto-base: Juízes 13.1-5, 24-25.

Sansão foi um dos mais importantes servos de Deus no Velho Testamento. Sua história traz várias lições para os cristãos da atualidade, principalmente os líderes.

1- O Senhor escolheu Sansão - Vocação, consagração e missão – Jz.13.5.

Sansão foi escolhido e consagrado ao Senhor para realizar a missão de libertar Israel das mãos dos filisteus. Ele se tornou juiz e deveria ter sido um grande libertador.

2- O Senhor capacitou Sansão - Bênção e unção - Jz.13.24-25.

Ele foi abençoado e ungido com o Espírito Santo. Como conseqüência, possuía uma força física descomunal. Sua força não estava em seus cabelos, mas o corte seria desobediência, e por causa disso ele ficaria fraco. Todos os nazireus tinham cabelos compridos, mas não eram fortes como Sansão.

3- O Senhor estabeleceu regras – Jz.13.5.

Sansão deveria obedecer as leis do nazireado (Nm.6). O nazireu devia ser mais puro que o israelita comum. Ele não podia beber vinho nem cortar os cabelos. Ele não podia tocar em cadáveres nem se aproximar deles, mesmo que fosse de sua mãe. Se sua missão é especial, você deve ser especial, e isto pode exigir sacrifícios.

4- Sansão teve vitórias e experiências extraordinárias.

Ele matou um leão (Jz.14.5-6); matou 30 homens (Jz.14.19); matou 1000 homens (Jz.15.15); Deus fez sair água da rocha para ele (Jz.15.19).

5- Sansão quebrou as regras divinas.

Vitórias e transgressões se intercalavam em sua vida.

6- Sansão andou muito no território do inimigo, vivendo perigosamente, com emoções e riscos desnecessários.

Ele poderia ter ido lá para destruir o inimigo, mas ia para se confraternizar com eles.

- Ele se casou com uma filistéia, contrariando seus pais (Jz.14.1-3). Deus permitiu, mas as conseqüências foram ruins. Através dela os inimigos se aproximaram de Sansão para destruí-lo. Ele escapou, mas perdeu a mulher.

- Ele se envolveu com uma prostituta filistéia (Jz.16.1). Os inimigos o cercaram, mas ele escapou novamente.

- Ele se envolveu com Dalila (Jz.16.4). Os inimigos se escondiam dentro da casa dela (Jz.16.9). Com quem estamos nos envolvendo? A pessoa tem compromisso com Deus ou está com o Diabo dentro de casa?

- Naquele relacionamento pecaminoso, por três vezes ele foi preso, mas escapou ileso (Jz.16.9,12,14). Por isso, concluímos que Sansão:
- Fez “pouco caso” dos inimigos.
- Tornou-se auto-confiante.
- Achou que sempre escaparia, mesmo pecando.
- Estava servindo como “cobaia” para os testes de estratégia dos inimigos.

- O amor foi usado como pretexto para o pecado e como argumento de chantagem (Jz.16.15-17). Satanás continua fazendo isso hoje com grande eficiência. O “amor” tem sido pretexto para a prostituição, o adultério, a poligamia, o divórcio, o homossexualismo, etc. Paixão e desejo são confundidos com amor.

- Os inimigos não eram mais fortes do que Sansão, mas eram astutos (Ef.6.11-18). Satanás e os demônios não nos enfrentam diretamente, mas não param de trabalhar nos bastidores para a nossa destruição.

- Sansão pretendia que seu envolvimento com Dalila posse algo momentâneo, mas ficou eternamente vinculado a ela. Prazeres passageiros podem ter conseqüências eternas. Onde quer que alguém mencione Sansão, lembrar-se-á também de Dalila.

- Sansão dormiu no território do inimigo (Jz.16.13,19). O repouso de Sansão era sinal de sua tranqüilidade irresponsável. Ele não vigiou (em todos os sentidos do termo). Ficou acomodado em seu estado pecaminoso. “Não durmamos como os demais” (ITss.5.6), pois “o inimigo” não dorme.

7- Sansão foi derrotado.

- Ele não podia ser destruído por 1000 homens, mas foi derrotado por uma mulher. Enfrentava a espada, mas foi vencido por uma navalha. A prostituição e o adultério já derrubaram muitos homens. Ele foi preso, cegado, humilhado e escravizado. Este é o plano de Satanás para todo homem. Sansão serviu de palhaço no templo de Dagom.

8- Sua morte.

Para que o nome de Deus não fosse envergonhado, o Senhor lhe concedeu um último momento de força, com a qual abraçou as colunas do templo, trazendo-o abaixo. Inúmeros inimigos morreram, mas Sansão também morreu. A misericórdia do Senhor o alcançou no último momento de vida, mas sua história poderia ter sido outra.

Conclusão – Nós também somos chamados, escolhidos, abençoados e ungidos. Temos uma missão e muitos inimigos espirituais. Precisamos vigiar, pois o inimigo está sempre nos vigiando. O Senhor quer nos usar para que muitas pessoas sejam libertas. Não nos deixemos prender pelos inimigos que combatemos. Por mais fortes que sejamos, Satanás sempre atacará nossos pontos fracos. Qual é o seu ponto fraco? Cuidado com a navalha do inimigo!!!


Anísio Renato de Andrade
Bacharel em Teologia
Professor do Steb – Seminário Teológico Evangélico do Brasil

 
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