Logo após o batismo de Jesus, ouviu-se uma voz do céu que dizia: "Este é o meu Filho amado em quem me comprazo" (Mt.3). Em seguida, veio a experiência da tentação (Mt.4). Mesmo sendo o "Filho amado", ele iria para o deserto. Não seria poupado. Isto pode parecer incompatível com o amor declarado anteriormente, mas não é.
Poderíamos perguntar: como Deus permite isso? Não apenas permite, como também dirige. Em nossas vidas, talvez questionemos o porquê de Deus permitir tantos acontecimentos ruins. Nessas horas, talvez até o seu amor por nós seja indevidamente colocado sob suspeita. Entretanto, os sofrimentos, tentações, desafios e provações são experiências necessárias em nossas vidas. Nosso aprendizado existencial não será adquirido apenas em um curso teórico por correspondência.
Cristo, na condição de homem, precisava experimentar muitas situações; precisava sentir e não apenas conhecer na teoria. Ele precisava aprender, conforme está escrito:
"Ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu" (Heb.5.8).
Todo sofrimento permitido por Deus, sem que o tenhamos provocado, tem um propósito positivo. Não será algo inútil e improdutivo. "Sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança" (Rm.5.3-4).
Almejamos ser pacientes, experientes e esperançosos, mas sem tribulações. Assim, fica difícil. É como querer músculos fortes sem carregar peso.
Maturidade e experiência são frutos de desafios, escolhas e ações. Quem decide e faz torna-se mais hábil e capaz.
Naquele momento, quando Satanás abordou Jesus, o Pai não interferiu. O Espírito Santo, por sua vez, não se manifestou para responder às propostas do maligno. O Diabo tentou conduzir Jesus à provocação de uma interferência dos anjos (Mt.4.6), mas isso não era adequado. Jesus precisava decidir, responder e resolver sozinho. Era a sua vez.
Assim, em nossos momentos de tribulação e angústia, sempre queremos a interferência celestial. Oramos e aguardamos que Deus remova a tentação, mude a situação, expulse o Diabo, e tudo se resolva. Entretanto, a nossa resistência está sendo provada. Precisamos responder corretamente ao que a vida nos argüi. Depois, a ação divina nos será favorável (Mt.4.11). Na hora certa, nossas orações serão ouvidas e a situação mudará.
O amor de Deus por Jesus não evitaria o que fosse necessário e imprescindível, porque, por esse mesmo amor, o Pai visava objetivos maiores e ganhos eternos (João 3.16).
As crianças têm dificuldades para conciliar o amor dos pais com suas exigências e atos disciplinares. Contudo, ao crescerem, percebem os valiosos benefícios de tudo o que aconteceu.
Nós também, nas relações com o Pai celestial, não entendemos as lutas e dificuldades, mas ficaremos jubilosos no dia da vitória.
"Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus feixes" (Salmo 126.6).
Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Professor do Steb - Seminário Teológico Evangélico do Brasil
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